LLANSOL:
CANTAR A LEITURA (2)
Do invisível
CANTAR A LEITURA (2)
Do invisível
Publicado às
18:56
| MGL-AJ-A&A(1).mp3 |
| MGL-AJ-A&A(2).mp3 |
Publicado às
17:12
O projecto prevê a digitalização, organização em arquivo digital, descrição física e de conteúdo, organização de índices e subsequente transcrição do conjunto de setenta cadernos de reflexões e anotações, organizados cronologicamente e com registos que cobrem o período de 1974 até hoje. Este conjunto de cadernos vai sendo preenchido, durante estes anos, com anotações de natureza múltipla e híbrida, desde a entrada de diário até reflexões mais longas sobre os temas e assuntos que alimentam os livros da Autora, sínteses ou notas de leitura, registos literários de experiências, imagens, conversas que acompanham os dias.
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15:41


O olhar narcísico de Vera Mantero perturba, ao pretender «encenar» o Texto, recriando a figura da «mulher que não queria ter filhos de seu ventre» (O Livro das Comunidades, p. 11), mas com isso a fazer-se «centro de cena», impondo à Voz textual a sua própria voz — um narcisismo análogo ao que se viu na encenação recente, por André E. Teodósio, da ópera Metanoite, baseada no texto de Llansol, com libreto de João Barrento e música de João Madureira. O olhar documental de Miguel Gonçalves Mendes aproxima-se do Texto de forma mais contida, guardando uma distância que o deixa respirar no seu mistério e expressividade imensos, sem contudo se deixar enlevar pelo seu Lugar – ou seja, o que sobressai é o exercício de montagem e de manipulação de uma matéria fílmica belíssima, particularmente quando já a conhecemos do filme anterior, assinado por Mantero.
A paisagem de vento, as árvores, a folhagem, a casa, o interior da casa, os corpos em movimento, os gestos da escrita e da leitura, o corpo a correr, o corpo disperso por corpos-outros, o fogo e a água: estes são alguns dos elementos dos filmes que se associam ao Texto de Maria Gabriela Llansol como uma sua ilustração mimética. Este mimetismo do Texto é o que dá às imagens dos filmes a sua força expressiva, e nesse sentido elas são felizes, concretizam as dobras do Texto, a sua pluralidade de vozes e de corpos movendo-se e relacionando-se, sem querer saber para-onde. Alguns momentos são especialmente fortes e belos no dar-corpo de imagem visual ao Texto e à Imagem de que este é capaz: as crianças a escrever «em fúria»; a corrida no bosque; os corpos pendurados na árvore; a mão-que-escreve; o fogo sobre as águas correndo…
2.
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21:51

um vestido castanho, costurado pelas mãos de uma mulher da tua idade, com que outra, delicada, te ajudou a vestir o corpo;
um cesto com laranjas, apanhadas da árvore, manhã cedo;
um vaso de violetas, com a cor do seu nome, para acompanhar os teus dias;
um hábil «mensageiro de sonhos», para acompanhar as tuas noites;
duas tabuinhas de cera, encontradas há muito, perto de uma igreja, em Itália;
ES
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17:49

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16:23
Há muitos anos, quando comecei a viver na Bélgica, sem
Casa de Jodoigne, 23 de Abril de 1977
Lugar mítico, paisagem que avistei durante anos do meu quarto minúsculo de Herbais. Paisagem nem urbana, nem rural, com essa faixa que ainda hoje a atravessa e que sempre me dava a vontade de a seguir. Sem saber como, eu sabia que no fim dessa estrada estava um mar. A este processo chamei a convicção íntima, e foi nela e suspensa da janela desse quarto que escrevi, dias a fio, Contos do Mal Errante.
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23:13

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23:37