14.3.19

O ESPAÇO LLANSOL NA FEIRA DO LIVRO DE POESIA 
DE CAMPO DE OURIQUE

O Espaço Llansol participa pela segunda vez na Feira do Livro de Poesia, que se realiza no Jardim da Parada, em Campo de Ourique, com actividades em vários outros lugares do Bairro.

Para além da presença das suas edições num dos quiosques, com a editora Mariposa Azual, o Espaço Llansol oferece ainda as seguintes actividades durante os dias da Feira:

– 21 de Março, às 15 horas, na Biblioteca/Espaço Cultural Cinema Europa:
 «Ler é nunca chegar ao fim de um livro...»
Leituras de textos de M. G. Llansol, por João Barrento e Maria Etelvina Santos, com comentários sobre os textos lidos, audição de gravações de textos sobre a presença de Campo de Ourique na escrita de Llansol, e interlúdios musicais.
[Quem lê,          deve procurar as luzes
sucessivas de um livro
que não se alcançam todas ao mesmo tempo,
quando o livro é fonte de leitura.
Caderno 1.33, p. 95]

23 de Março, a partir das 11 horas: visita guiada ao Espaço Llansol e ao espólio da escritora. 

– 23 de Março, às 18 horas, no Espaço Llansol:
«Rastos & Rostos»
uma nova colecção de brochuras sobre objectos especiais do espólio de Llansol, apresentada pela escritora Hélia Correia e por João Barrento.

As duas primeiras brochuras da série documentam dois objectos muito presentes na escrita de Maria Gabriela Llansol:
a. O quadro do pintor do Porto Artur Loureiro, datado de 1902, e a que Llansol deu nomes como «Jovem vestindo o seu jardim» ou «A menina lírica».
b. A «estátua de leitura», ou «Ana ensinando a ler a Myriam», uma estátua de madeira polícroma do século XVIII.

6.3.19

OS CANTORES DE LEITURA NA CAPELA DO RATO

No próximo dia 11 de Março, pelas 18h15, e no âmbito do ciclo «Filosofia, Literatura,  Espiritualidade», João Barrento falará de Os Cantores de Leitura, o último livro publicado por Maria Gabriela Llansol. 
Com este livro estamos perante um livro de horas sem horas (porque fora do tempo), criação de ambiências raras em que a relação «espiritual» com o mundo, antes conseguida pela via de uma sensualidade imagética (de raiz mística ou poética), é agora a de «traçados geométricos de vibrações» (p. 18), pura energia doce, respirada e segregada por figuras de outra esfera, o exemplo acabado de um livro-canto-do-cisne.
As inscrições para assistir a estas conferências estão fechadas, mas todas se podem ouvir alguns dias depois no site da Capela do Rato, em https://www.capeladorato.org/curso-dos-dias-2019/

4.3.19

EVOCAÇÃO DE LLANSOL EM LUGO

O jornal de Lugo (Galiza) El Progreso evocou ontem, pela mão sensível da legente e jornalista local Nieves Neira, os onze anos da partida de Llansol. Nieves escreveu um belo texto (que reproduzimos abaixo), revelador de uma ligação profunda à escrita e ao mundo de Llansol, pela via do afecto mas também do saber. Obrigado, Nieves!


3.3.19

NO DÉCIMO PRIMEIRO ANO DA PARTIDA

Estamos no dia do décimo primeiro ano da partida da Maria Gabriela. Mais um dia na vida da sua morte, e sempre no espírito da sua escrita de afirmação da vida e do Vivo.
Como neste caderno de 2004, em 2 e 3 de Agosto.
(A foto feliz vem dos anos da Bélgica, em 1972)


_______ estou, de novo, a tentar compor a minha vida_______
uma partitura musical de folhas e folhagem caiu ao chão e
se quebrou. É tempo de reviver; é espaço de recriar; é altura
de voltar a ser a criadora de formas alegres,
com sons tilintantes
que anunciem a elevação dos tons rasteiros da poesia______
da vida própria__________

1.3.19

LLANSOL EM ESPANHA


Na sequência da edição castelhana da segunda trilogia de M. G. Llansol, El litoral del mundo, na excelente tradução do colectivo Atalaire (Mario Grande e Mercedes Cuesta), o poeta de Barcelona José Ángel Cilleruelo publica na revista CLARÍN, de Oviedo, um clarividente texto sobre esta trilogia, estabelecendo paralelos entre a autora e Pessoa e destacando a «poética ingrávida» que orienta a Obra de Llansol – porque aí, como se lê em Da Sebe ao Ser, nada nasce e nada morre, mas «tudo é tão simultâneo como verdadeiro».

24.2.19

DOIS QUE «HERDARAM AS MARGENS»

A tarde de ontem na Casa de Julho e Agosto proporcionou mais um desses encontros imprevisíveis, im-prováveis e sem antecedentes, mas muito reveladores de fundas afinidades electivas entre os modos de escrita e as visões do mundo de Maria Gabriela Llansol e do poeta Fernando Echevarría (que no próximo dia 26 de Fevereiro completará 90 anos e receberá a Medalha de Mérito Cultural), dois autores para quem a condição de exílio – do país imerso em guerra e ditadura, da sociedade e do mainstream da literatura – foi pressuposto central de toda uma vida de escrita.
Disto, e da figura deste poeta que tão bem conhece, nos falou ontem a Profª Maria João Reynaud, vinda expressamente do Porto para esta conversa em que procurámos seguir alguns dos fios que ligam estes dois mundos – as distantes raízes ibéricas, a longa experiência do exílio, a vocação «oficinal» no rigoroso trabalho de escrita, a comum constatação da «obra inacabada» ou do livro contínuo, a importância do «ver» a par do decisivo lugar do pensamento na escrita de ambos, guiada por uma original dialéctica entre enigma e transparência, ou a condição ontológica de duas Obras que buscam e revelam o enigma do Ser, oferecendo a quem as lê uma ampla, e pouco comum, respiração da língua e da palavra...
Tais pontes transpareceram também nas leituras paralelas feitas no fim, dando a ouvir de forma viva as correspondências entre poemas (de Echevarría) e fragmentos de prosa (de Llansol), seguindo pelos atalhos de tópicos e temas como: «A alegria de escrever», «O visível e o invisível», «A sensibilidade do olhar», «A Figura» e «O corpo», «O júbilo do silêncio e da solidão», «O enigma da alma» ou «Escreviver»...
Temas presentes também no caderno que fizemos para esta sessão: «A áspera matéria do enigma»: Maria Gabriela Llansol e Fernando Echevarría.

11.2.19

DOIS ESCRITORES RAROS NO ESPAÇO LLANSOL

Nunca se encontraram. Provavelmente não se leram. E no entanto há na escrita dos dois muita coisa em comum – na atitude perante o mundo, nos temas que os alimentam, e também nos modos de usar a língua, a contrapelo de toda a nossa tradição, a poética e a ficcional. Une-os ainda um exílio forçado por uma guerra que, nos anos sessenta, levaria Llansol para a Bélgica e Fernando Echevarría para Paris e Argel.
É destes dois que falamos, de Maria Gabriela Llansol e do poeta Fernando Echevarría, autores que poremos em paralelo na próxima sessão da Casa de Julho e Agosto, no sábado 23 de Fevereiro, pelas 16 horas, com a colaboração da Profª Maria João Reynaud (Faculdade de Letras do Porto), que, mais que ninguém neste país, tem escrito sobre a obra deste poeta raro, discreto e profundo.
Ouviremos gravações de poemas de Echevarría, e também a voz de M. G. Llansol, falando sobre o que, nos encontros que com ela tivemos em 2006, designou de «Círculo do Humano». E teremos, como quase sempre acontece, um caderno que documenta temas paralelos nos dois autores, e inclui textos de João Barrento e Maria João Reynaud.

27.1.19

VARDA E LLANSOL: OLHARES CRUZADOS

Tivemos ontem mais uma sessão da «Casa de Julho e Agosto», com a projecção do filme de Agnès Varda e do fotógrafo JR Olhares, Lugares. É um filme em muitos aspectos «llansoliano», como pudemos confirmar na conversa que se seguiu à projecção (entre Maria Etelvina Santos, João Barrento, a fotógrafa Teresa Huertas e o público), estabelecendo pontes entre a ideia de fundo do filme – a descoberta de lugares, rostos e restos pela imagem amplificada, em «sobreimpressão» – e muitos momentos e filões da escrita de Llansol.
Alguns desses paralelos poderão descobrir-se lendo os excertos de M. G. Llansol que incluímos no desdobrável que acompanhou a sessão, que foi lido, e que damos a ler a quem não esteve (clique nas imagens que se seguem para aumentar, ou arraste para o ambiente de trabalho e amplie).

14.1.19

«SEGUINDO O OLHAR»
com Agnès Varda e Llansol

No próximo dia 26 de Janeiro, pela 16 horas, teremos mais um «encontro improvável» na Casa de Julho e Agosto, com a projecção do recente filme de Angès Varda (e do fotógrafo JR), Olhares, Lugares.
O improvável da ligação deixa de o ser quando pensamos na importância do olhar na escrita de M. G. Llansol e no sentido particular que o termo «lugar» nela adquire. A originalidade do filme está nessa partilha de olhares e busca de lugares. Llansol escreveu um dia, parecendo estar a comentar este filme: «Para ficar com o ver, partiram e repartiram o olhar».
De tudo isto e muito mais se falará depois da projecção do filme. E Llansol estará presente, para quem a quiser levar consigo, num desdobrável com textos seus sobre a temática do olhar.

13.1.19

A FOYLES ESCOLHE LLANSOL

Uma das mais antigas e célebres cadeias de livrarias inglesas, a Foyles for Books (com a sua mítica loja de Charing Cross Road, em Londres) escolheu a tradução americana de Geografia de Rebeldes para lhe dar destaque na sua secção de ficção. Assim: