25.1.15

«PENSAR É COM O CORPO...»
Clarice e Llansol na «Letra E»

Sobre Clarice Lispector escreveu um dia Llansol (que, ao que podemos depreender hoje pela sua boblioteca, só terá lido dois livros da escritora brasileira), que ela «é uma beguina – uma irmã inteiramente dispersa no nevoeiro; o que nos une é que ela surpreende-me, como eu hei-de surpreender... Somos um indício de que a impossibilidade de ser-se sempre igual existe» (Caderno 1.22, pp. 265-266, 17 de Setembro de 1986).


A tarde de ontem na «Letra E» correu no espírito de um encontro-desencontro, como se esperaria. As entrevistas das duas escritoras («escreventes»?) que vimos e ouvimos tanto as aproximam como as distinguem. A nossa convidada de ontem, Maria Carolina Fenati, falou, a partir da sua própria experiência de leitura, das duas autoras, traçando paisagens que passaram pela questão central da maior ou menor facilidade de «compreensão», pela necessidade da releitura dos textos de ambas («eu ganho na releitura», dizia Clarice na entrevista), tanto ao nível de todo um livro como, em Llansol, de um único parágrafo ou de uma página. Abordaram-se ainda as diferentes «viagens» que uma e outra propiciam ao leitor (mais interior em Clarice, mais voltada para o mundo em Llansol). Dos ritmos e dos modos de escrita se falou também, em particular da intensidade da escrita em ambas, e do que isso gera, no ritmo diário de escrita ou na composição dos textos. Num e noutro caso, sugeriu a Carolina, há uma «orquestração» muito particular de intensidades, que fragmenta necessariamente a realidade («A realidade, para ser profunda, tem que ser fragmentada. É impossível aguentar a intensidade continuamente...», diz Llansol na entrevista de 1997).

Clarice no espólio de Llansol, e na sua recepção em Portugal
 
Um tópico importante, que derivou da entrevista de Llansol e suscitou várias intervenções do público – muito participante ontem –  foi a da relação pensar-sentir (e ver, particularmente na autora portuguesa). O caminho de Clarice e Llansol (que esta contrapõe ao da «racionalização» de Vergílio Ferreira) é o da absorção de toda a experiência sensorial no pensamento, retirando-lhe a carga de abstracção e de pretensão de autonomia. Llansol diz (e Clarice também o sugere na sua entrevista); «Eu não faço separações. Para ser real e para dizer realmente como eu apreendo – apreendo estando lá. Eu acho que sinto, vejo, penso, tudo é simultâneo (...) Pensar é com o corpo...»

Maria Carolina Fenati e o público

22.1.15

ECOS DE LLANSOL 
NA ESCOLA SECUNDÁRIA DE SANTA MARIA

No passado dia 14 estivemos na Escola Secundária de Santa Maria, em Sintra, e abrimos horizontes novos aos alunos do 10º e 11º anos, revelando-lhes o universo e os modos de escrita de M. G. Llansol. A ideia foi da professora de Literatura Portuguesa, Maria Fernanda Peixoto, e a conversa parece ter deixado algumas sementes, como se pode ver por esta pequena amostra das muitas opiniões dos alunos que a professora nos fez chegar (juntamente com as fotos)...


20.1.15

CLARICE LISPECTOR NA «LETRA E»

É já no próximo sábado que retomamos as actividades da «Letra E», com o «encontro improvável» entre Maria Gabriela Llansol e a escritora Clarice Lispector. Contamos com a participação da nossa colaboradora brasileira Maria Carolina Fenati, veremos uma entrevista filmada de Clarice e ouviremos outra de Maria Gabriela Llansol, dada à Antena 1 em 1997. E conversaremos depois com todos os que vierem.

12.1.15

LLANSOL VAI À ESCOLA

Na próxima quarta-feira, dia 14, a partir das 11h40, falaremos de Maria Gabriela Llansol, do seu percurso e da sua escrita, para alunos e professores da Escola Secundária de Santa Maria (na Portela de Sintra, Rua Pedro Cintra). No Auditório, e a convite da professora desta Escola, Maria Fernanda Peixoto, sócia do Espaço Llansol.


3.1.15

A «LETRA E» NO PRIMEIRO TRIMESTRE DE 2015

A Letra E do Espaço Llansol vai reabrir em 24 de Janeiro, para mais uma série de quatro sessões neste primeiro trimestre do ano, dando continuidade a ciclos já iniciados: os «Encontros improváveis», desta vez com as possíveis ligações entre os universos e a escrita de Llansol e Clarice Lispector (com um olhar brasileiro a apresentar as duas escritoras, o da nossa colaboradora da primeira hora Maria Carolina Fenati); e os «Lugares e tempos de Llansol», com a fase de adolescência e juventude em Lisboa, que são já anos de muita escrita desconhecida que iremos divulgar. O destaque do trimestre, num terceiro momento deste ciclo, vai no entanto para uma matéria até agora em tratamento e organização no espólio, que entretanto estamos em condições de divulgar e que merecerá duas sessões em Março, particularmente interessantes para professores e pedagogos: trata-se de apresentar e comentar os modelos pedagógicos, as actividades diárias e as práticas comunitárias nas duas escolas que Llansol, Augusto Joaquim e alguns outros criaram na Bélgica, e que funcionaram entre 1969 e 1979: a Escola da Rua de Namur, em Lovaina, e a La Maison, em Louvain-la-Neuve, esta integrada na Cooperativa Ferme Jacob. Teremos a colaboração de um pedagogo belga, Pascal Paulus, há muitos anos activo em Portugal, e também, nomeadamente para os ateliers com crianças na segunda sessão, das colaboradoras do Espaço Llansol Albertina Pena (professora do 1º Ciclo) e Teresa Projecto (Mestre em Pintura), e do professor Paulo Sarmento. Para as sessões de Fevereiro e Março haverá um dos habituais Cadernos da Letra E sobre o tema.
Deixamos aqui o programa do trimestre, e voltaremos a lembrar cada uma das sessões (como habitualmente, aos sábados às 16 horas).

26.12.14

COM LLANSOL, NO NOVO ANO

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16.12.14

AUGUSTO JOAQUIM 
(16 de Dezembro de 1943 – 11 de Novembro de 2003)

Augusto Joaquim foi durante anos o primeiro, e também o mais atento e crítico, legente dos textos de Maria Gabriela Llansol. No dia do seu nascimento, evocamos alguns aspectos menos conhecidos da Obra do Augusto – poesia, desenhos e colagens –, retomando alguns momentos do caderno da «Letra E» que fizemos em 2013.

Augusto Joaquim em 2001, num dos piqueniques anuais do GELL-Grupo de Estudos Llansolianos
Há um «défice de Augusto Joaquim» quando se fala de Llansol e da sua escrita. Mas a verdade é que ele teve parte activa e influência decisiva nesta Obra e no seu devir-texto, desde logo por ter arrastado a sua autora para um exílio que foi determinante para a sua mudança de paradigma literário e existencial. Mas não só por isso. Os cadernos e outros documentos de ambos os espólios mostram hoje à evidência que sempre existiu uma forte interacção, e que a presença e a intervenção de Augusto Joaquim foram determinantes para o nascimento e o progresso da Obra de M.G. Llansol a partir da ida para Lovaina. O diário Finita dá já bastante conta desta disponibilidade do Augusto, primeiro leitor dos seus textos e, no início, frequentemente escrevente a quatro mãos com a «Gabi», em algumas páginas de caderno ou em bases de copos de cerveja, nos cafés de Lovaina. Mas a interacção não se limita à leitura dos textos que Gabriela vai escrevendo (um ritual – mas com consequências efectivas – evocado pelo próprio Augusto no início do posfácio a Causa Amante); as conversas entre ambos são determinantes para o andamento e a orientação de certos livros, a ponto de Llansol se queixar do perigo que constitui para a sua própria autonomia a inteligência reverberante do Augusto, reconhecendo também os estímulos que lhe vêm dessa troca verdadeira: «Sempre Augusto foi para mim o terreno da explicação e da consistência» (Caderno 1.13, p. 20, 9.2.82). Augusto é o parceiro que inventa e lhe fornece conceitos (Entresser, Isso, Esse, Sebastião, o Dom) e títulos (O Litoral do Mundo), e lhe dá a ler obras fundamentais (da área científica ou pedagógica, mas também o I Ching: vd. Livro de Horas III, 5.4.79). Como Llansol dirá, ela e o Augusto são a matriz dessa realidade humana a que chama «ambo», e que uma sua frase resume: «fomos coincidentes, e fomos viajantes para praias próprias» (Livro de Horas I, p. 125).


Desenhos de Augusto Joaquim

14.12.14

O FUTURO É UMA ORIGEM
A conferência sobre «Llansol: o texto que vem do futuro»


A última sessão da «Letra E» em 2014 teve lugar no passado sábado, desta vez no Museu Ferreira de Castro, em Sintra. João Barrento procurou mostrar, a partir de uma passagem de Parasceve. Puzzles e ironias, e recorrendo depois a outras, também inéditas, de que modo este texto vem do futuro, usando o passado e escrevendo-se no presente, e como ele vive do paradoxo, de uma «complexidade transparente», e permanentemente nos foge. Damos conta de algumas ideias mais relevantes trazidas por esta conferência, e disponibilizamos no fim a leitura gravada que resume, com fragmentos dos cadernos manuscritos, e outros, a visão que Llansol tem do texto que vai escrevendo.
Começando pelo título da conferência...
«Llansol gostava de usar a palavra Texto para o que habitualmente se designa de Obra de um autor . Faz todo o sentido, até para o tema que vamos tratar, como se verá, uma vez que texto aponta para algo em processo e em progresso, é tecitura, bordado, trama infinita; enquanto que Obra traz ecos de operacionalidade e trabalho acabado – e se lhe juntarmos a palavra 'autor', também de autoridade!
Este título levará muitos a pensar: um texto que vem do futuro só pode ser um texto utópico. E toda a Obra de Maria Gabriela Llansol será então pura utopia. Sim e não, sobretudo não. Em tempos, resolvi o problema substituindo o conceito de utopia (= o não-lugar) pelo de ucronia (= o não-tempo, a anulação dos tempos). E acrescentava que essa ucronia, essa escrita fora da narratividade sequencial e do tempo cronológico, tem um propósito eudemonista, ou seja, a sua intenção é a de construir hipóteses de vida em que o objectivo último é o da felicidade humana, que o mesmo é dizer: existências mais amplas, para além das noções correntes do humano. Para entendermos isto, e o texto que o propõe e exprime, temos de derrubar muitas barreiras.»
«Para entender um texto que vem do futuro – i. é, que fala de realidades soterradas que só um futuro desvenda, que dá a ver o que está à vista mas poucos vêem, e por isso ainda não será de agora –, para isso teremos de deixar para trás duas atitudes perante a leitura, duas expectativas quase sempre presentes: a do realismo e a da ingenuidade.
a) Esquecendo os realismos, libertamo-nos para poder compreender melhor uma escrita que se emancipou, ela também, das coordenadas habituais de tempo e espaço e se abre livremente a todas as realidades e possibilidades, melhor: a todas as possibilidades do real (que não é sinónimo de realidade), sem com isso querer alimentar fantasias inconsequentes, formulando antes hipóteses para um projecto mais humano do Humano. Neste sentido, ela é uma escrita da potência.
b) E isto implica que teremos de ir para a leitura sem expectativas ingénuas de tudo 'compreender' (a pretensão de tudo com-preender encerra-nos adentro de limites estreitos, as mais das vezes meramente lógicos; a disponibilidade para o novo abre horizontes sucessivos). Este texto é, ao mesmo tempo, complexo e transparente, e o seu 'pacto de inconforto' exige de quem lê, não necessariamente grande erudição ou preparação filosófica, mas sentidos despertos e aquela disponibilidade para o novo que não se confunde com a novidade.
Por outro lado, falar de um texto que vem do futuro exige necessariamente uma paragem para reflectir sobre os modos como o tempo e a memória (que é do passado e do futuro) nele se configuram. Sobretudo porque sabemos como nele os tempos se confundem e se anulam. Aí, de facto, o futuro é uma origem (e esta é uma ideia a reter), ou, como Llansol escreve em algumas páginas de Onde Vais, Drama-poesia? essenciais para esta questão, uma 'matriz'».
«Regresso à ideia de há pouco: o futuro é uma origem, um estado (recuperável, mas distante) que o presente da civilização tende a esquecer, e que o texto recupera através de uma 'memória do esquecimento', a única criativa, diz Llansol. E essa origem, que a escrita busca trazer ao olhar, ao pensamento e aos sentidos, está no corpo que escreve – e depois, naquele que lê: e este é um pressuposto fundamental da questão, porque se o leitor não se aperceber da 'outridade' deste texto, do que lhe subjaz e aponta para além dele, então não valeu a pena ele ser escrito.
Que quer isto dizer? Pode querer dizer (como já sugeri) que teremos de rever as noções correntes de tempo (que não é cronológico e sequencial), de memória (que não é matéria a preservar, mas a decepar e transformar) e de futuro (que não é o que nos é prometido pelo mundo e pelos poderes como 'qualidade de vida' ou 'crescimento', mas o que ficou pelo caminho e precisa de ser reactivado – a 'restante vida', dirá Llansol)».
«Nesta escrita todo o tempo, todos os tempos, se reduzem (ou amplificam) à intensidade da sua vivência no presente – que aqui é o Lugar aonde vêm dar todos os passados, sob a forma de futuro. O futuro, no sentido corrente, é conjectura ou desejo, nostalgia, o que está fora do tempo experienciável pelo corpo. O futuro de Llansol é já agora, e o seu projecto de vida, vida escrita, está já inteiro no texto que vai escrevendo: ele é feito dos restos do Humano que ficaram por desabrochar, na grande História, na biografia e na vida comum. Esta é a forma do tempo que conta no texto de Llansol, que já designei como 'a memória selvagem de futuros possíveis e desejados'. Nesse contexto distingo três nomes e três momentos na Obra da autora, para essa mesma realidade móvel, virtual, dinâmica e projectiva a que agora chamo o futuro de onde vem o texto: no início, na fase das trilogias (os anos setenta e oitenta), esse espaço-tempo do reverso da História recebe o nome de Restante Vida (que não é a vida que nos resta viver, mas precisamente aquela que ainda não vivemos, 'um resto que tem a potência de agir', disse um dia a Maria Gabriela – mas nem sempre age); depois, a meio da vida e da Obra, nasce o espaço-tempo meta-histórico do espaço edénico (meta-histórico mas não metafísico nem mítico, porque se trata de um 'espaço edénico sem Éden'); e na última fase, a de livros como Amigo e Amiga e sobretudo Os Cantores de Leitura, a escrita transcende o quotidiano e transcende-se, na tentativa de captar o murmúrio do Ser e entrar no tempo do Há – simplificando, definiria o (um conceito da ontologia de Heidegger e da filosofia do tempo de Levinas) como um futuro que vem da origem do Ser e da infância, e que seria a forma mais radical de estar-aí, em estado de total des-possessão e na plena posse da faculdade do 'dom poético', que permite ver já o mundo como coisa estética, e não fonte e palco de conflitos». 
«Se o texto de M. G. Llansol vem do futuro – e parece que assim é, a acreditar no que a sua escrevente por mais de uma vez diz –, o bom senso diz-nos que então ele terá de ser um desconhecido para nós, para qualquer um de nós, no presente em que vivemos e o lemos. E de facto assim é – ou parece ser.
Por mais que se leia, este texto foge-nos. E, ao mesmo tempo, estamos permanentemente a dar connosco nele, nas suas cenas mais ou menos fulgorizadas, nas suas situações quotidianas, nas evidências do mundo que não vemos e que ele nos põe diante dos olhos, na humanidade mais humana das suas figuras. É este o aparente paradoxo de que estamos a falar: este texto é o mais acabado exemplo do para-doxon, isto é, daquilo que passa ao lado, ou está fora da doxa, da opinião comum, do expectável, da mera superfície das coisas. Curiosamente, também poderíamos dizer que este texto vem de um futuro que sempre esteve e estará aí, mas que a maioria, com os sentidos embotados, pouco despertos ou adormecidos pelo ruído do mundo não vê, não sente, não intui. Porque a rotina e o hábito são mais fortes e geram uma inércia natural, que os aparelhos ideológicos que nos regem as vidas ainda intensificam mais. Para vermos o que este texto traz em si de futuro, que é afinal o que há de mais humano, precisamos de nos despir – de hábitos de leitura e de vida, de peconceitos, de uma visão antropocêntrica (limitada) do mundo, de uma inconsciente (mas não natural) sujeição a hierarquias.
Este texto vem do futuro porque, como ele próprio diz, 'nada ainda modificou o mundo', a História está em aberto (e as mais das vezes em regressão) e por isso precisamos de ser capazes de 'conceber um mundo humano que aqui viva, nestas paragens onde não há raízes...'
Estes são, para quem vem lendo Llansol, quase lugares-comuns (mas os lugares-comuns são também os lugares que insistentemente nos vêm lembrar algumas verdades) que temos de interrogar, como tantas vezes fazíamos antes, com a Maria Gabriela, ao perguntarmos: que quer o texto dizer quando diz...? Por exemplo: o que é isso de um mundo humano, ou mais humano? Por que foram 'estas paragens' (as nossas) amputadoras ou amputadas de raízes? E que raízes, vindas de que húmus do tempo? Dizer que 'nada ainda modificou o mundo' significa que continuamos à espera do futuro? Parece que sim.»
«Para concluir: o texto que vem do futuro é ainda, no caso de Llansol, o que o seu espólio – que estamos a editar – tem para nos revelar. De facto, há nos Livros de Horas que vão nascendo desse legado um duplo movimento: eles são constituídos por textos de um passado (os que nos foram deixados e nunca antes viram a luz dos olhos dos leitores), mas que estavam destinados a ser obra futura (póstuma) de quem os escreveu. Também neste sentido o texto mais actual de M. G. Llansol era matéria de futuro. Nos cadernos manuscritos do espólio, nas suas dezenas de milhar de páginas escritas ao fio dos dias e do corpo, está o livro por vir de Maria Gabriela Llansol.»
«É desse livro ainda desconhecido que provém a maior parte das passagens que vamos ouvir [no vídeo em baixo], em que a autora reflecte, muitas vezes pelo caminho das imagens, sobre a natureza, a singularidade e as supresas deste seu Texto infinito e desconhecido que ainda preencherá por muito tempo o futuro dos seus leitores. E a esses fragmentos inéditos juntou-se um texto de auto-reflexão (já publicado em 2011 no livro Sobreimpressões. Llansol e as Dobras da História), em que a Maria Gabriela nomeia esse lugar futuro, chamando-lhe 'o umbigo de Parasceve'. Aí se cruzam, nessa fórmula que expressa a visão de Llansol no início do novo milénio – estamos em 2002 –, os dois fios que fui seguindo para tratar este tema: o da origem e o da promessa ('parasceve' significa, no judaísmo, a véspera da festa, a promessa da aleluia e da ressurreição). Entendemos agora melhor que o futuro que o texto procura e oferece mais não é, provavelmente, do que qualquer coisa como a infância do mundo.»

 

3.12.14

LLANSOL: O TEXTO QUE VEM DO FUTURO?

No próximo sábado, 13 de Dezembro, às 16 horas, a «Letra E» do Espaço Llansol desloca-se para o Museu Ferreira de Castro, no centro histórico de Sintra (entre o Turismo e o Hotel Lawrence's, a caminho da Quinta da Regaleira), com uma conferência de João Barrento que encerrará as actividades deste ano revisitando e questionando a Obra de Maria Gabriela Llansol para a ler à luz do que nela remete para um futuro, ou dele provém. A conferência dirige-se a todos os que leram os seus livros, mas também àqueles que eventualmente os conheçam menos. E procurará dar resposta a algumas das questões colocadas no resumo abaixo.
Venham e tragam amigos! E não se esqueçam: desta vez não será no Espaço Llansol, mas no MUSEU FERREIRA DE CASTRO!


Para melhor orientação em Sintra, deixamos aqui o mapa de localização e fotos da entrada do Museu:


24.11.14

83 ANOS DEPOIS: «UM ANIMAL DE LUZ»

Retomamos, em memória da Maria Gabriela, que faria hoje 83 anos, uma secção deste blogue que iniciámos em 2007, ainda com ela, quando se disponibilizou para divulgar aqui alguma da sua escrita inédita, então totalmente desconhecida. O «elo da escrita e da leitura», para ela razão de ser de toda uma vida, continua a ser para todos os que hoje lêem os seus textos, os conhecidos e os muitos ainda por conhecer, uma ponte maior e uma fonte inesgotável de luz.
O fragmento de hoje vai bem com essa luminosidade do seu ser e da sua escrita.


(Clique na imagem para aumentar)