25.2.17

LLANSOL EM VILA VELHA DE RÓDÃO

No próximo sábado, dia 4 de Março, entre as 15 e as 18 horas, o espaço da Biblioteca Municipal de Vila Velha de Ródão irá respirar o espírito do texto e do universo de Maria Gabriela Llansol. Com intervenções várias, de Maria Etelvina Santos e João Barrento, Albertina Pena e a poeta Marta Chaves, evocaremos a escrita e os lugares de Llansol, as escolas que fundou na Bélgica e o rasto que deixou em alguns dos seus legentes.
O programa completo é o que se segue:

19.2.17

O RAIO SOBRE O LÁPIS
NA BIBLIOTECA MUNICIPAL DE SINTRA


Tivemos ontem a primeira sessão da «Letra E» do Espaço Llansol, com a primeira leitura integral de um livro de M. G. Llansol, O Raio sobre o Lápis. Pequeno livro-síntese que condensa muitos dos temas recorrentes da sua escrita e reflecte uma fase da sua vida, em Colares, muito centrada no significado dos objectos, nas deambulações «em passo de pensamento» pelo pinhal e na ocupação com vários livros que sairiam nos anos noventa (Um Beijo Dado Mais Tarde, Amar um Cão, Hölder, de Hölderlin e Lisboaleipzig) e que se projectam já na escrita concentrada, múltipla e altamente imagética daquele pequeno livro, a que os desenhos de Julião Sarmento acrescentariam ainda uma outra dimensão.
Da introdução ao caderno que fizemos para a ocasião, e que situa o livro lido no contexto que o viu nascer, a grande série de eventos artísticos e literários que decorreu durante o ano de 1991 na Bélgica, a Europalia, destacamos alguns momentos que contextualizam esta sessão. 


Do pinhal de Colares
ao extremo ocidental do Brabante

De Setembro a Dezembro de 1991 tem lugar em Bruxelas e noutros lugares da Bélgica o grande evento europeu denominado Europalia (XIª Bienal das Artes e da Cultura), que congrega de dois em dois anos escritores e artistas de um país europeu. Nesse ano o país escolhido foi Portugal, o evento foi comissariado por Emídio Rui Vilar e Eduardo Prado Coelho (para a literatura e teatro) e contou com a participação de muitos escritores e artistas portugueses de então, entre eles Maria Gabriela Llansol. 
Para além da sua intervenção de fundo em Bruxelas, publicada três anos depois em Lisboaleipzig I com o título «O extremo ocidental do Brabante», Llansol contribui para o catálogo da exposição no Museu de Arte Contemporânea de Gand com um texto não publicado em livro até hoje – «As linhas do mundo», uma breve «theoria» do texto e da sua relação com o corpo, o pensamento e o conhecimento, que se reproduz neste caderno –, e que aí era acompanhado por uma série de desenhos do pintor Julião Sarmento, também aqui reproduzidos.
Desenho de Julião Sarmento na exposição da Europalia
[…]

Paralelamente a estas intervenções e exposições, cada escritor teve na ocasião uma edição especial de um texto seu. Llansol escreve então O Raio Sobre o Lápis, um pequeno livro que dá conta do seu quotidiano desse tempo, das deambulações por Colares e Praia das Maçãs, e da sua relação muito especial com «o pinhal» a meio do qual se situava a sua casa de «Toki Alai». Também para esse livro – de que faremos a leitura integral nesta sessão da «Letra E» – Julião Sarmento produziu uma série de desenhos, entre eles alguns de objectos escolhidos por Llansol («os objectos, os verdadeiros livros fechados»), que pontuam o texto daquele pequeno livro: a mesa de ferro pintada do jardim de «Toki Alai», a bilha de barro e a «estátua de leitura» de Um Beijo Dado Mais Tarde, a de Sant'Ana ensinando a ler a Myriam (que acabou por não entrar em O Raio sobre o Lápis, mas cujo original ficou no espólio de Maria Gabriela Llansol). Como sempre acontece em Llansol, também nestes anos vários livros e textos se tocam e cruzam, progridem e se concluem:  O Raio sobre o Lápis e Amar Um Cão, Um Beijo Dado Mais Tarde e já Hölder, de Hölderlin, e ainda o grande projecto de Lisboaleipzig.
O pequeno livro dos objectos e das deambulações que sai no âmbito da Europalia, feito a quatro mãos, e em grande sintonia, com Julião Sarmento, vai sendo preparado em Colares nos finais de 1990. Disso dá conta um dos textos que podemos encontrar num dos cadernos manuscritos, e depois desenvolvido num dossier dactiloscrito, que transcrevemos a abrir o caderno de hoje. E pela mesma altura o fotógrafo Álvaro Rosendo acompanha a Maria Gabriela na casa e pelo pinhal de Colares e faz a reportagem fotográfica de onde sairiam as fotografias para a documentação da Bienal da Bélgica (também algumas dessas fotos se podem ver neste caderno). 
Uma das fotografias do «pinhal» (Álvaro Rosendo)
*
A leitura de O Raio sobre o Lápis, sobre desenho de Julião Sarmento: O Vasco, a Inês, a Beatriz

No final, depois da excelente leitura do livro por três poetas muito jovens ligados ao projecto da revista de poesia Apócrifa (Beatriz Almeida Rodrigues, Inês Amoras e Vasco Macedo), Maria Etelvina Santos e João Barrento, seguindo a ideia llansoliana de que «ler é nunca chegar ao fim de um livro», lançaram perguntas e conversaram com o público sobre algumas questões, imagens, focos de sentido a partir de O Raio Sobre o Lápis, e que lançam luz sobre os modos de olhar e os processos de escrita de Llansol. Por exemplo: que significa a figura do falcão, nas suas múltiplas implicações e relações? Por que é que os objectos «são menos se não forem murmurados pelas palavras»? Quais os modos da sua figuração? Como se libertam do tempo ao ocuparem um espaço próprio? Qual o lugar da figura da infância nesta escrita? O que está aquém e além da «dobra de outro horizonte», para onde se orientam as palavras que criam o real neste texto? Que ritmos são os desta escrita, em que o andamento lento da atenção alterna com a fulgurância de focos de intensidade?

12.2.17

O RAIO SOBRE O LÁPIS
LIDO, COMENTADO, CONTEXTUALIZADO

No próximo sábado, dia 18, pelas 16 horas, retomamos as actividades regulares da «Letra E» do Espaço Llansol. Vamos ter na Biblioteca Municipal de Sintra um grupo de poetas jovens (os «Apócrifos») a ler Maria Gabriela Llansol, mais exactamente o pequeno livro dos objectos e das deambulações, O Raio sobre o Lápis, de 1991.


Nesse ano aconteceu na Bélgica um grande evento europeu, em que Portugal foi país-tema, a Europália. Llansol participa, com outros escritores e artistas, um dos quais – Julião Sarmento –  fará vários desenhos para este livrinho. Falaremos deste enquadramento do livro, das ligações de Llansol com aquele pintor e também com o fotógrafo Álvaro Rosendo. E comentaremos sobretudo as suas deambulações e meditações pelos pinhais de Colares, entre o Mucifal e a Praia das Maçãs, fonte da sua escrita para esse livro e outros textos, inéditos, que daremos a conhecer no caderno que fizemos para esta ocasião, que inclui todos os desenhos de Julião Sarmento e muitas das fotografias feitas por Álvaro Rosendo em 1990, nos lugares de que falam os textos.


[A Biblioteca Municipal de Sintra - Casa Mantero, fica a dois passos da estação, na Rua Gomes de Amorim, 12]

2.2.17

AS ACTIVIDADES DESTE TRIMESTRE

As actividades da «Letra E» do Espaço Llansol continuam, em vários lugares. Damos aqui uma primeira informação sobre as quatro próximas sessões, em Sintra, Vila Velha de Ródão e Lisboa. Com a colaboração generosa de poetas, actores e instuituições. A seu tempo lembraremos cada uma destas actividades.


23.1.17

ONDE VAIS, DRAMA-POESIA?
lido pelo grupo «Fósforo»

A leitura em voz alta ainda pode ser uma forma de embalar o ouvido e incendiar os espíritos. Ainda há gente diferente do padrão mais comum, até entre a juventude (ou precisamente aí?). Um grupo de estudantes, em parte da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa, resolveu formar um círculo de leitura a que deu o nome incendiário de «Fósforo-Leituras». Fazem sempre leituras integrais do livro escolhido, e lêem as obras nos mais diversos lugares, fechados e abertos, da cidade.
A sessão de leitura de ontem foi a quadragésima. À tarde, a partir das 14 horas, num andar da Avenida de Berna, em frente dos jardins da Fundação Gulbenkian, lançaram-se à leitura integral de um dos mais extensos e densos livros de Maria Gabriela Llansol, Onde Vais, Drama-Poesia?. Ficam algumas imagens da leitura, e o nosso agradecimento pela escolha deste livro à Catarina Real e ao André Tavares Marçal [vd. www.facebook.com/fosfotoleituras].

9.1.17

VIAGEM A FARO
ou
UMA POÉTICA

A viagem sempre foi para Llansol lugar e tempo de escrita. Viagens longas, no espaço, não fez muitas. Documentadas, com cadernos próprios ou em registo disperso, conhecemos: um cruzeiro no Mediterrâneo em 1953, uma viagem por Espanha em 1957, andanças pelo Sul de França com a irmã e uma amiga, e as deslocações entre a Bélgica e Portugal nos últimos anos do exílio. Mas o texto é para Llansol, por natureza, «lugar que viaja», com o texto viajava sempre, e o comboio foi muitas vezes lugar de escrita, como no excerto que se ouve no vídeo, nascido de uma viagem a Faro em 15 de Maio de 1997, para falar do terceiro diário, Inquérito às Quatro Confidências. Como também acontece com textos de vária natureza nascidos no comboio entre Sintra e Lisboa, nos anos das visitas regulares aos lugares de Campo de Ourique que a viram nascer e crescer. Do outro lado da janela, a paisagem, mesmo a mais desolada, anima-se com as palavras (que conseguem operar nas coisas do Ser uma deslocação da esfera do simples atributo para a da substância), e reconfigura-se nas figuras da linhagem. Em viagem, e não só, o olhar é o órgão fundamental da escrita, «o movimento_____ é a passagem obrigatória para a pupila» (lemos num dossier dactiloscrito de 1987). A escrita em movimento, que – isso percebe-se uma vez mais claramente a certa altura do fragmento da viagem a Faro – não é literatura, mas o «exterior do meu interior», é escrita do movimento, e da viagem nasce toda uma arte poética e uma visão do mundo.


4.1.17


AS LINHAS DO MUNDO DE LLANSOL

O trabalho permanente no espólio de Maria Gabriela Llansol reserva-nos constantemente surpresas e descobertas. Como a de ontem, num texto (aqui reproduzido em parte) escrito para o catálogo da Europália de Bruxelas, dedicada a Portugal em 1991. O texto acompanha nessa publicação desenhos de Julião Sarmento (muitos deles estão na edição de O Raio Sobre o Lápis, que saiu nessa ocasião em livro de artista), e o poema de Hölderlin referido é «Os carvalhos», de que aqui damos uma tradução de João Barrento. Dois anos mais tarde sairia esse pequeno e intenso livro-carta de Llansol que é Hölder, de Hölderlin, e logo a seguir a recolha de poemas intitulada Diotima, em versão de Maria Clara Salgueiro, id est Maria Gabriela Llansol.
O texto, transcrito sobre imagens desses anos no pinhal de Colares, remete para as deambulações de Llansol nessa época, entre a casa de Toki Alai e a Praia das Maçãs ou o Mucifal, e mostra-a entre os caminhos do sentir e do pensar, buscando encontrar o corpo de afectos, o pensamento em corpo, e as linhas do mundo por onde se derrama a sua escrita.
A página de abertura do texto da Europália/1991



2.1.17



A fotógrafa e designer (e tantas outras coisas) Fátima Rolo Duarte, que vive há eternidades na Bélgica, descobriu o Espaço Llansol na hora do seu nascimento, em 2006, mas já lia Llansol muito antes, ainda em Colares, por onde a via andar. Trocámos muitas mensagens a partir dessa altura, e um dia escrevi-lhe com comentários ao seu excelente blog (f-world) e a uma fabulosa leitura sua de Bouvard e Pécuchet, de Flaubert, que ela aí tinha colocado. A Fátima andou depois pela Bélgica percorrendo e fotografando os lugares llansolianos (alguns deles na montagem abaixo: Lovaina, Jodoigne, Herbais), e enviou-nos mais tarde, num fim de ano, um precioso caderninho com algumas dessas fotos, entrecortadas por textos da Maria Gabriela.
Reproduzo abaixo o e-mail de há dez anos, porque ele traz a marca de um entusiasmo raro, ainda por cima em relação a um dos livros menos curiais e ditos «estranhos» de Llansol. É mais uma boa maneira de iniciar o ano.
J. B.


27.12.16

À ENTRADA DO NOVO ANO…

O Vivo 
disse então
que viveria
que viverei
que hei-de viver...


18.12.16


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