10.7.26

LLANSOL: OS SONS DO SILÊNCIO

Da Música ao Texto, do Texto à Música

A música e um número significativo de músicos estão presentes desde sempre na escrita e no dia a dia de Maria Gabriela Llansol. Para encerrar as actividades antes da pausa de Verão teremos no sábado, dia 18, a partir das 16 horas, uma amena e harmoniosa tarde musical, um apelo à introspecção e ao silêncio, com a escrita de Maria Gabriela Llansol a acompanhar cada peça musical que ouviremos, num total de onze entre as preferências e as referências que encontramos na sua escrita.

João Barrento fará uma breve introdução sobre o lugar da música nos textos de Llansol, e o resto da tarde será prenchido com a audição alternada de Texto e Música, do canto Gregoriano e Bach até ao último álbum dos Três Tristes Tigres, com quem Llansol já colaborou há trinta anos. Uma folha de sala e um desdobrável permitirão seguir os textos lidos e as peças ouvidas.

9.7.26

LLANSOL NO XVII CONGRESSO DO PARTIDO «LIVRE»



No seu XVII Congresso, a decorrer em Sintra entre 10 e 12 de Julho, sob o lema «Uma liberdade maior», o Livre presta homenagem a Maria Gabriela Llansol, «inspiração literária do Congresso», com um encontro junto ao plátano «Grande Maior», na Volta do Duche, no Domingo pelas 10 horas. Serão lidos fragmentos de Llansol sobre «Liberdade», o estado do mundo, a Europa e Portugal, enviados por João Barrento a pedido de Rui Tavares.

6.7.26

A MEMÓRIA E O SOPRO DA VIDA

Parasceve trans-figurado

Numa tradição que já vem de longe, uma vez mais uma artista plástica cria um conjunto de obras a partir do Texto de Llansol. A lista desta interacção entre palavra e imagem é longa, com nomes como Ilda David', Julião Sarmento, Pedro Proença, Rui Chafes, Duarte Belo, Graça Martins, Juju Bento... E agora, na sesão pública de sábado, a artista brasileira Debora Censi, com duas séries de obras, pintura e desenho.


Debora Censi é um artista visual brasileira (São Paulo) que realizou os trabalhos apresentados (e reproduzidos, com textos de Llansol, no caderno feito para a sessão), inspirados na Obra de Maria Gabriela Llansol, com destaque para o livro Parasceve. Puzzles e ironias, durante a 4ª Residência Artística Taguspark (em Oeiras), entre Janeiro e Abril deste ano. Estas obras dão continuidade a uma prática de pintura sobre papel, centrada na construção de paisagens e arquitecturas inexistentes através de camadas e transparências, num processo de «sobreimpressão» que evoca o conhecido método de escrita de Llansol. Desde 2023 que a literatura integra o seu processo criativo, servindo de ponto de partida para as suas pinturas e desenhos.

João Barrento começou por fazer uma introdução ao livro-fonte destes trabalhos, destacando, no percurso da figura da Mulher que atravessa todo o livro num «processo de individuação» original, o significado das figuras, lugares, objectos e temas/motivos escolhidos pela artista, e que a leitura da actriz Eva Dória no final foi dando a ouvir em fragmentos extraídos do livro Parasceve, a começar pela figura condutora da Mulher em busca de si, e continuando com o dicionário que começa na p. 33; o plátano de seu nome Grande Maior (a cidade-árvore de Parasceve); o vaso quebrado que representa toda uma nova teoria estética dos fragmentos; o lobo no quarto de arrumos, que incita ao sonho e à alegria; o corvo amarelo, portador do saber do Tratado da Reforma do Entendimento, de Spinoza; a criança-ruah, símbolo puro das origens que a Mulher busca, «decepando a memória»; o piano móvel que transporta consigo a música da grande polifonia da vida que ultrapassa a autobiografia e anuncia uma biografia futura; com o percurso a terminar À beira do rio da escrita, na mais-paisagem da ponte que a Mulher atravessará...

Da conversa com a artista sobre o seu processo criativo e a ligação à escrita ficaram ideias como:
–  O que move esta forma de arte é o dar a ver, sem metafísica, o metabolismo das imagens por onde passa um sopro original, como o da própria escrita, também ela animada pela energia das palavras que se soltaram do dicionário.
– Traçam-se contornos nítidos (é inevitável a associação com o more geometrico de Spinoza, a construção rigorosa e aberta da sua Ética), sugeridos por «palavras-imagens» de coisas-objectos, figuras e lugares, trabalha-se com jogos de luz e graus de «vibração» que estabelecem passagens que ofuscam, apagam diferenças, anulam limites e tempos, para os reconfigurar numa penumbra nítida como cristal. 
– Aquilo que aqui se apresenta pede para ser olhado, e o olhar procura compreender, chegar a uma nova conceptualidade, a partir do «texto orgânico» de Llansol. A nova lei é a lei do pouco, do vestígio, do quase vazio, da leveza de uma aura – auréola, resto que se perfila discretamente, se eu o souber olhar.
– A arte, o belo, não são uma questão de formas que estão aí (para ficar?), são uma questão de (novas) relações. Sempre renováveis, e sempre igualmente geradoras de significação, de prazer e de júbilo.

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Pinturas: «Tudo o que resta de uma vida quando ela passa aqui»

Apresentação da artista:
«O ensaio visual apresentado foi realizado a partir do texto de Maria Gabriela Llansol Parasceve. Puzzles e ironias (Relógio D'Água, 2001), produzindo imagens em que perpassam olhares sobre a escrita de Llansol.
Inverte o processo da autora, que parte de uma imagem-objecto e parte para a palavra. Aqui, a palavra é o ponto de partida, produzindo uma outra imagem, não a original, nem uma ilustração ou representação, mas sim um procedimento interpretativo, um novo acontecimento. Existe, no entanto, a intenção de manter os deslocamentos característicos de Llansol. Os tempos são deslocados e relocados, sobrepostos como camada de pintura, transparências, resultando em uma imagem onde a cronologia perde importância e sentido – há então a simultaneidade».

Desenhos: «Recordar é quase, de certeza, um ainda-mais-morrer»

Apresentação da artista:
«A partir do livro Parasceve. Puzzles e ironias, de Maria Gabriela Llansol, produzi uma sequência de desenhos. São árvores que imaginei estarem relacionadas com a escrita e o percurso de Llansol.

Para Llansol, a árvore se apresenta como acontecimento, como presença. É a existência plena e, principalmente, livre de autobiografia.

Os desenhos são basicamente de troncos e galhos, árvores invernais, estação predominante no livro. É a estrutura que se sustenta no torpor até o início do florescer. É Parasceve.