30.8.21

 LLANSOL NA FEIRA DO LIVRO DO PORTO

Uma das «Lições» do programa da Feira do Livro do Porto, este ano centrada nos Romantismos, foi a de Maria Etelvina Santos, no dia 29 de Agosto, que explorou possíveis ligações do universo llansoliano com o dos primeiros românticos alemães, em torno da revista Athenäum, e de outros seus contemporâneos. 

Intitulada A floresta das intensidades – romantizar o mundo com Maria Gabriela Llansol, a lição sintetizou nos seguintes termos esta relação da escrita e do pensamento de Llansol com alguns desses autores da viragem do século XVIII para o XIX:

«Criando uma poética do fulgor, cujo legado parece remontar aos primeiros românticos alemães da Escola de Iena, Llansol propõe na sua Obra uma mutação das percepções que permita uma dinâmica mais criativa e evolutiva do conceito de humano, através de uma visão integradora e desierarquizada de todos os seres, resultando na correspondência lógica entre uma ética do belo e uma estética da bondade.»

A Lição pode ser ouvida na íntegra através do seguinte link: https://youtu.be/IqYuL1RhgyQ

Maria Etelvina Santos proferindo a sua lição

4.8.21

 O JARDIM QUE O AFECTO PERMITE

Na Biblioteca Municipal de Vila Velha de Ródão, um núcleo cultural sempre vivo e activo, e no âmbito do programa «Dias de Saber 2021», inspirado nos textos de Maria Gabriela Llansol («Sempre que sei, não escondo»), a artista Marina Palácio entrou durante cinco dias em diálogo com crianças e educadoras/auxiliares, para melhor aprenderem a «amar livros, lobos, pássaros, árvores e silêncio» no Jardim da MãeSol.

Graça Batista, a directora da Biblioteca, lembra: «O nome surgiu-me depois da leitura de uma mensagem de Marina Palácio, na qual ela dizia: 'Decidi criar um diário do meu processo criativo do jardim (Llan)Sol'». Do projecto nasceu o pequeno Livro dos Murmúrios, uma criação de Marina Palácio. As folhas de árvore picotadas nas páginas deste «Livro Solar» podem ser vistas na direcção do Sol ou na sombra. Aqui fica, para os leitores desta nossa página, antes das férias de Verão.

9.7.21

 LLANSOL NO LIVRO DOS GATOS

 

Acaba de sair na Áustria, na pequena editora »Biblioteca da Província», sediada num imponente castelo medieval, o livro organizado e traduzido pela llansoliana austríaca Ilse Pollack com o título Katzen und Menschen. Gedichte und Prosa aus Portugal [Gatos e Homens. Poemas e prosa de Portugal]. Nele se reunem inúmeros textos de autores/as portugueses sobre gatos, incluindo naturalmente Maria Gabriela Llansol (com excertos do livro Na Casa de Julho e Agosto e do caderno que editámos em 2014 com o título Melissa, a «Fidelinha», depois da morte da gata Melissa).



7.7.21

O LIVRO DE AUGUSTO E GABRIELA


Está aí o livro há muito tempo esperado, que desejávamos apresentar agora numa sessão da Casa de Julho e Agosto, mas que terá de esperar por ocasião mais propícia. Trata-se do volume que dá conta do percurso, dos interesses, do universo de acção e pensamento de Augusto Joaquim; e também, e sobretudo, dos seus modos de relacionamento com a «Gabi», da interpretação do seu Texto e da relação única entre ambos – uma relação de verdadeiro Ambo, a nível humano, literário e intelectual.

Desenhos de Augusto Joaquim para Gabriela

(«O amor num copo de cerveja»)

Há um «défice de Augusto Joaquim» quando se fala de Llansol e da sua escrita. Mas a verdade é que ele teve parte activa e influência decisiva nesta Obra e no seu devir-texto, desde logo por ter arrastado a sua autora para um exílio que foi determinante para a sua mudança de paradigma literário e existencial.


Esperamos poder voltar oportunamente a este livro único, que entretanto fica disponível para quem o quiser adquirir.

20.6.21

 LLANSOL E O CINEMA DE KIAROSTAMI

24 FRAMES


Na série dos «Encontros im-prováveis» de M. G. Llansol com outras figuras de todas as áreas, iremos passar no próximo sábado, 26 de Junho, a partir das 16 horas uma série de 24 instantâneos animados, do iraniano Abbas Kiarostami, a última obra do cineasta, com o título 24 Frames/24 Quadros. É a segunda vez que proporcionamos um encontro entre este cineasta e Llansol (a primeira foi com a série intitulada Five, em 2014). Desta vez será uma revelação para quem se interessa pela magia das imagens – fotografia e cinema –, para quem dá atenção ao eternamente recorrente na paisagem – a neve e a chuva, a vida e as emoções dos animais, a natureza sempre igual e sempre outra, os hábitos intemporais, os pequenos gestos. Uma festa para os olhos, um bálsamo para reaprendermos a viver o tempo, a concentração, o espanto. E teremos mais um dos nossos habituais cadernos, que põe Llansol em diálogo com Kiarostami  e reproduz os 24 Quadros do filme.

14.6.21

 LLANSOL NO «LICEU CAMÕES»

 

No próximo dia 16 de Junho, pelas 15h30, textos de Maria Gabriela Llansol serão ouvidos no Auditório da Escola Secundária de Camões, lidos por alunos dessa Escola, no âmbito de um projecto orientado pela Profª Cristina Duarte («Ler para Viver»).

Os estudantes que participam desta acção estiveram já no Espaço Llansol, onde revelaram o seu interesse pela Obra desta nossa autora e deram conta das leituras já feitas.

27.5.21

 O ESPAÇO LLANSOL EM... LEIPZIG

 

 

No âmbito da Feira do Livro de Leipzig, que este ano teria como país-tema Portugal e como figura inspiradora Maria Gabriela Llansol (com o lema «Encontros inesperados»), a Embaixada de Portugal em Berlim, através da Adida Cultural e representante do Instituto Camões, Dra. Ana Patrícia Severino, solicitou ao Espaço Llansol a realização de um video que desse a conhecer aos interessados do espaço alemão a Obra e a vida de Maria Gabriela Llansol, o seu espólio e a nossa «Casa de Julho e Agosto». As filmagens foram feitas recentemente por uma equipa liderada pelo realizador Rui Xavier.

O resultado pode ser visto no You Tube, através do seguinte link:

 https://www.youtube.com/watch?v=Z9Ov4reVLJA

23.5.21

 O TECIDO SOBRE O PAPEL...E VICE-VERSA

Ontem, no entusiasmo contido e comovido do regresso, muitos fios voltaram a tecer-se no Espaço Llansol – os do Texto de Llansol e os dos seus bordados, de onde nasceu a sessão, os da amizade sentida de novo ao vivo, os da descoberta de afinidades, milenares e míticas, mas sempre surpreendentes, entre texto e tecido, escrita e bordado, tecelagem e narração.

Começámos por ir à raiz do tema, evocando alguns mitos onde ele surge sob formas várias – Penélope e Aracne, Ariane e Filomela –, para chegar à partitura, toda tecida de imagens e de letras, de rios e jardins, de figuras e relações inesperadas que é o texto de Llansol, nos livros com a textura dos seus fragmentos, traços, espaços brancos, ritmos, mais ainda nas páginas dos cadernos manuscritos, muitas vezes autênticos bordados de escrita e desenho.

A exposição, que combinava peças de bordado e renda do espólio com textos manuscritos, deu corpo visual a esse encontro, e o caderno que fizemos para a sessão (A bordadora de Texto: Os fios da escrita... e os outros) reune fragmentos e imagens dessa contínua «meditação sobre o tecido», passando «da escrita ao bordado, traduzindo...».

E ao fim da tarde, os que vieram, com uma serena alegria sensível por detrás da máscara, desejariam talvez também «lentamente bordar páginas de livros e guardá-las», como Llansol escreve em 10 de Fevereiro de 1980 num dos seus cadernos.

14.5.21

 LLANSOL, «A BORDADORA DE TEXTO»

Como os fios da teia de aranha, a escrita de Maria Gabriela Llansol é arrancada ao corpo para construir uma trama que se sustenta a si mesma – trama da palavras e imagens, não de enredos e acções. A nossa autora vê-se como uma tecelã de «fragmentos leves», «completos e sem resto», uma escrevente que «passa a vida a fiar os seus nadas» – que são tudo –, como «uma aranha dentro de uma cena fulgor».

Será este o tema da nossa próxima sessão pública, finalmente presencial, no sábado 22 de Maio, pelas 17 horas (em princípio ao ar livre, no pátio). Falaremos destas relações (milenares e míticas) entre texto e tecido, mostraremos como elas acompanham Maria Gabriela Llansol desde O Livro das Comunidades (e como foram continuadas por outros, artistas que acompanham o seu Texto), e daremos a ver peças de bordado, renda, costura, do seu espólio. E estará disponível um caderno sobre este tema, para além de dois outros, vindos dos períodos de confinamento: um sobre o encontro im-provável de Llansol e o pintor Mark Rothko (da sessão cancelada em 2020) e outro que documenta a série de leituras «A Voz das Figuras», divulgadas recentemente em videos.

6.5.21

 LLANSOL NO «LIVRO DE BORDO» DE LEIPZIG

A publicação Logbuch [Livro de Bordo), totalmente dedicada à Feira do Livro de Leipzig, cancelada neste ano em que Portugal era o país-tema, evoca Maria Gabriela Llansol e o seu «projecto Lisboaleipzig» em duas páginas, com uma entrevista ao seu tradutor Markus Sahr e ao editor da Leipziger Literaturverlag, Viktor Kalinke. Ambos destacam a originalidade desta escrita e deste projecto de quase toda uma vida, não esquecendo outras autoras portuguesas com livros publicados também agora em alemão, como Hélia Correia ou Yvette Centeno.