24.11.20

No aniversário de M.G. Llansol

 NO ANIVERSÁRIO DE LLANSOL

O video que se pode ver no link abaixo foi realizado por Maria Etelvina Santos em 2018, para uma das sessões do Espaço Llansol em Campo de Ourique, e reflecte ainda hoje a mesma verdade e alegria com que celebramos o aniversário de Maria Gabriela Llansol.

Em tempos de recolhimento achámos que seria pertinente partilhá-lo hoje aqui com os que, durante quinze minutos, quiserem juntar-se a nós neste dia.

O link para ver o video é o seguinte:    https://vimeo.com/476369836

16.11.20

O Grande Maior

 O NOVO LOOK DO GRANDE MAIOR

O Grande Maior, na Volta do Duche em Sintra, em frente da Fonte Mourisca, foi intervencionado, e a placa que o evoca como figura no livro de Maria Gabriela Llansol Parasceve mudou de sítio. Lembramos duas passagens sobre essa árvore da sabedoria, «a minha preferida da Volta do Duche», confessa a Maria Gabriela num dos seus cadernos:

Antes:


 ... ergo os olhos para a cúpula da árvore. Póximo, há uma fonte, a fonte do Plátano, e o que me atraiu foi a humidade do lugar, e a anfractuosidade da pedra para apoiar as costas. Mas, já sentada, apoiei a nuca sobre a rocha e principiei a ver que, por cima da minha cabeça, seguindo os raios de luz que desejavam partir, havia ruas extensas e elípticas, orifícios ou vazios entre as folhas, que correspondiam a praças verdes, que acolhiam um lugar habitado, elevado à potência da copa de uma árvore (...) E o corpo estava onde estava o meu olhar, às portas de uma cidade-árvore que eu intitulara o Grande Maior.   (Parasceve. Puzzles e ironias, 2001)

Depois:


Passávamos agora por Grande Maior, a minha árvore favorita, pela impressão que me traz a sua grandeza, na sua sombra de simplicidade (...) Nesta meditação, a olhar através das plantas verdes... pela Volta do Duche seguia para a Vila Velha através de plátanos, castanheiros, e de uma árvore soberba – a que eu chamo Grande Maior. Quando passo por ela digo sempre (pura verdade!):

– Bom dia, Grande Maior!  (27 de Maio de 1997, in: Sintra em Passo de Pensamento. Sintra, Feitoria dos Livros, 2019).



30.10.20

É com grande alegria que recebemos hoje a notícia de que o Prémio PEN de Ensaio 2019 foi atribuído ao livro de João Barrento, Uma Contra-Música. Novos escritos llansolianos.

M.E.Santos




28.10.20

Llansol e Rothko

UM ENCONTRO IM-PROVÁVEL:

LLANSOL E MARK ROTHKO


A sessão do Espaço Llansol prevista para 14 de Março passado teve de ser cancelada. Nela se falaria de mais um «Encontro im-provável» do universo Llansol, desta vez com o do pintor americano, nascido na Letónia, Mark Rothko (1903-1970), e, por via deste, com a música de Morton Feldman composta a partir dos quadros da Rothko Chapel, no Texas.

O video que fizemos, e que pode ser visto no link abaixo, dá conta dessa surpreendente afinidade entre dois criadores, espelhada num percurso artístico com inesperados paralelos, e numa confluência de ideias e recursos estéticos que os quadros de Rothko e alguns textos de Llansol evidenciam, num diálogo constante ao longo do video — um exercício de meditação e recolhimento adequado à obra dos dois, e também aos dias que vivemos.

Para ver o que não pudemos mostrar em 14 de Março, clique neste link: https://vimeo.com/473135116

Em breve voltaremos ao vosso encontro com a versão digital de mais uma das sessões presenciais que tivemos de cancelar.

26.10.20

Tese premiada

 LLANSOL EM TESE PREMIADA

O Prémio Mário Quartin Graça, atribuído pela Casa da América Latina em Lisboa, foi este ano atribuído à tese de doutoramento de Ana Rita Sousa Silva Mecânica de uma Personagem: Paisagem, Escrita, Autoria, que relaciona a Obra de Maria Gabriela Llansol com a do escritor chileno Roberto Bolaño.

A autora, que frequentou o Espaço Llansol como investigadora na fase de preparação da tese, é actualmente leitora do Instituto Camões na UNAM-Universidade Nacional Autónoma do México.

21.10.20

E.L. online

 SESSÕES ONLINE  E INSTAGRAM

Dada a impossibilidade de realizarmos como habitualmente sessões presenciais no Espaço Llansol, iniciámos em 17 de Outubro a publicação de algumas dessas sessões em video, no Facebook do Espaço Llansol (https://m.facebook.com/EspacoLlansol/), recuperando assim algumas das sessões canceladas desde Março. O primeiro video resume a sessão de apresentação do livro de entrevistas de M. G. Llansol, Outra Forma de Canto. Outros se seguirão em breve, com regularidade.

O video sobre as entrevistas de Llansol pode também ser visto aqui: https://vimeo.com/470588571

Abrimos também uma página no Instagram  (https://instagram.com/espacollansol_oficial/), mantendo assim viva a presença de Llansol e da Casa através de imagens e textos retirados das suas obras.




1.10.20

Livro: O Litoral do Mundo

 O LITORAL DO MUNDO

A matéria portuguesa na Obra de Llansol


Acaba de sair o novo livro da nossa colecção «Rio da Escrita» (em colaboração com a Mariposa Azual), com as intervenções das nossas Jornadas Llansolianas de 2019, dedicadas à matéria portuguesa na Obra da autora.

Na abertura do livro ficamos com uma ideia clara dos conteúdos das intervenções, centradas naquilo a que Llansol chamou um dia «a costura cultural portuguesa»: trata-se de «fragmentos da narrativa de uma História – a História de um país, de um continente, de uma cultura e de alguma da sua literatura –, e não apenas de mais uma 'estória' dessa matéria, matéria portuguesa sempre lida a contrapelo em toda a Obra de Llansol, especialmente nas duas trilogias e em livros posteriores como Lisboaleipzig, O Senhor de Herbais, e mesmo, subrepticiamente, em Um Beijo Dado Mais Tarde. Trata-se sempre, de algum modo, de infracções à linearidade da História ou de olhares que propõem uma visão-outra de figuras e acontecimentos históricos pelo reverso humano, mais humano ou 'bi-humano', da História e das estórias que sobre ela aprendemos – de Camões e D. Sebastião a Pessoa, de Vergílio Ferreira e Jorge de Sena ao Portugal da ditadura cinzenta.»


9.9.20

O Livro dos Sonhos

     OS SONHOS DE LLANSOL

Acaba de sair, e estará brevemente nas livrarias, o sétimo volume da série dos Livros de Horas, que reune um número considerável dos sonhos transcritos por Maria Gabriela Llansol nos seus cadernos de escrita. Este volume, como referimos na Introdução, estava «previsto desde que começámos a organizar o espólio e a fazer índices de toda a escrita de Llansol (entre eles um índice específico de todos os sonhos registados nos cadernos, agendas, dossiers dactiloscritos), concentra-se, com a diversidade que apesar de tudo o caracteriza, num único tipo de escrita, constitui um primeiro repositório da escrita assumidamente onírica da autora, um conjunto de 'inquéritos oníricos' permanentes, espelho de uma 'sismografia íntima... Este singular Livro de Horas reúne, de facto, um número significativo de sonhos que foram ganhando forma escrita desde 1969, na época em que Llansol faz análise em Lovaina, e até 2006».

 

Ao mesmo tempo, sobretudo nas décadas de oitenta e noventa, os sonhos são frequentemente acompanhados por «reflexões sobre o processo onírico e o lugar do sonho, em particular na sua relação com a escrita e o livro. Esses momentos de paragem pós- ou inter-onírica aparecem neste volume em destaque, inscritos em caixas de texto que vão alternando com o registo dos sonhos; e demos igualmente um lugar especial a uma outra forma de prolongamento ou projecção (visual) da fixação do sonho pela palavra, que em Llansol é um importante complemento desta: a dos muitos desenhos que pontuam os seus cadernos (e este livro), e que nos pareceram ser parte integrante de uma 'queda' sistemática nos universos oníricos, e sua oferta ao olhar... Logo na primeira página de um dos caderrnos de sonhos lemos: 'Quem quiser representar apenas por palavras o que existe efectua um trabalho incompleto».

 

                                              O «Caderno dos Sonhos» (2000/2001)

O Posfácio do escritor, antropólogo e psiquiatra António Vieira oferece-nos, por sua vez, um olhar complementar sobre a escrita onírica de Llansol, não tão distante assim de outros registos da autora, e concluir: «Nem sempre é nítida a linha de fronteira entre divagação e sonho. A 'fantasia ardente' da escritora, cedo reconhecida por uma professora sua, tem algo de matéria onírica; enquanto o sonho, já dado à literatura, irradia aspectos críticos, demasiado lúcidos. Por isso, às vezes, avançamos na leitura do que nos parece vida vígil e estamos já no sonho. Percebemos como a lava da escrita circula pelo interior desta terra, pelos meandros destes sonhos. Lúcida, sem auto-complacência, às vezes com ironia, a escritora enfrenta literariamente o seu mal-estar no mundo».

Gonçalo M. Tavares e Llansol

 LLANSOL: A RESPIRAÇÃO DAS PALAVRAS

O escritor Gonçalo M. Tavares recorda no JL de hoje o que escreveu para a edição americana da primeira trilogia de M. G. Llansol, Geography of Rebels, saída em 2018:




19.8.20

Beguinas de Lugo

 «FULGOR»

Llansol e as «beguinas de Lugo»

Há mais de um ano, em Julho de 2019, recebíamos no pátio do Espaço Llansol um espectáculo memorável, a «leitura dançada» de fragmentos de Llansol por um grupo de doze mulheres vindas expressamente de Lugo, na Galiza, com um livrinho da Editora Ámboa intitulado Fulgor, que reune textos de Maria Gabriela Llansol.

Agora, um ano depois, a jornalista de Santiago de Compostela Raquel C. Perez volta a lembrar essa bela actuação num artigo que se pode ler aqui: https://pgl.gal/editora-amboa-mulheres-que-racham-a-fronteira-literaria-do-minho-dancando/