28.10.20

Llansol e Rothko

UM ENCONTRO IM-PROVÁVEL:

LLANSOL E MARK ROTHKO


A sessão do Espaço Llansol prevista para 14 de Março passado teve de ser cancelada. Nela se falaria de mais um «Encontro im-provável» do universo Llansol, desta vez com o do pintor americano, nascido na Letónia, Mark Rothko (1903-1970), e, por via deste, com a música de Morton Feldman composta a partir dos quadros da Rothko Chapel, no Texas.

O video que fizemos, e que pode ser visto no link abaixo, dá conta dessa surpreendente afinidade entre dois criadores, espelhada num percurso artístico com inesperados paralelos, e numa confluência de ideias e recursos estéticos que os quadros de Rothko e alguns textos de Llansol evidenciam, num diálogo constante ao longo do video — um exercício de meditação e recolhimento adequado à obra dos dois, e também aos dias que vivemos.

Para ver o que não pudemos mostrar em 14 de Março, clique neste link: https://vimeo.com/473135116

Em breve voltaremos ao vosso encontro com a versão digital de mais uma das sessões presenciais que tivemos de cancelar.

26.10.20

Tese premiada

 LLANSOL EM TESE PREMIADA

O Prémio Mário Quartin Graça, atribuído pela Casa da América Latina em Lisboa, foi este ano atribuído à tese de doutoramento de Ana Rita Sousa Silva Mecânica de uma Personagem: Paisagem, Escrita, Autoria, que relaciona a Obra de Maria Gabriela Llansol com a do escritor chileno Roberto Bolaño.

A autora, que frequentou o Espaço Llansol como investigadora na fase de preparação da tese, é actualmente leitora do Instituto Camões na UNAM-Universidade Nacional Autónoma do México.

21.10.20

E.L. online

 SESSÕES ONLINE  E INSTAGRAM

Dada a impossibilidade de realizarmos como habitualmente sessões presenciais no Espaço Llansol, iniciámos em 17 de Outubro a publicação de algumas dessas sessões em video, no Facebook do Espaço Llansol (https://m.facebook.com/EspacoLlansol/), recuperando assim algumas das sessões canceladas desde Março. O primeiro video resume a sessão de apresentação do livro de entrevistas de M. G. Llansol, Outra Forma de Canto. Outros se seguirão em breve, com regularidade.

O video sobre as entrevistas de Llansol pode também ser visto aqui: https://vimeo.com/470588571

Abrimos também uma página no Instagram  (https://instagram.com/espacollansol_oficial/), mantendo assim viva a presença de Llansol e da Casa através de imagens e textos retirados das suas obras.




1.10.20

Livro: O Litoral do Mundo

 O LITORAL DO MUNDO

A matéria portuguesa na Obra de Llansol


Acaba de sair o novo livro da nossa colecção «Rio da Escrita» (em colaboração com a Mariposa Azual), com as intervenções das nossas Jornadas Llansolianas de 2019, dedicadas à matéria portuguesa na Obra da autora.

Na abertura do livro ficamos com uma ideia clara dos conteúdos das intervenções, centradas naquilo a que Llansol chamou um dia «a costura cultural portuguesa»: trata-se de «fragmentos da narrativa de uma História – a História de um país, de um continente, de uma cultura e de alguma da sua literatura –, e não apenas de mais uma 'estória' dessa matéria, matéria portuguesa sempre lida a contrapelo em toda a Obra de Llansol, especialmente nas duas trilogias e em livros posteriores como Lisboaleipzig, O Senhor de Herbais, e mesmo, subrepticiamente, em Um Beijo Dado Mais Tarde. Trata-se sempre, de algum modo, de infracções à linearidade da História ou de olhares que propõem uma visão-outra de figuras e acontecimentos históricos pelo reverso humano, mais humano ou 'bi-humano', da História e das estórias que sobre ela aprendemos – de Camões e D. Sebastião a Pessoa, de Vergílio Ferreira e Jorge de Sena ao Portugal da ditadura cinzenta.»


9.9.20

O Livro dos Sonhos

     OS SONHOS DE LLANSOL

Acaba de sair, e estará brevemente nas livrarias, o sétimo volume da série dos Livros de Horas, que reune um número considerável dos sonhos transcritos por Maria Gabriela Llansol nos seus cadernos de escrita. Este volume, como referimos na Introdução, estava «previsto desde que começámos a organizar o espólio e a fazer índices de toda a escrita de Llansol (entre eles um índice específico de todos os sonhos registados nos cadernos, agendas, dossiers dactiloscritos), concentra-se, com a diversidade que apesar de tudo o caracteriza, num único tipo de escrita, constitui um primeiro repositório da escrita assumidamente onírica da autora, um conjunto de 'inquéritos oníricos' permanentes, espelho de uma 'sismografia íntima... Este singular Livro de Horas reúne, de facto, um número significativo de sonhos que foram ganhando forma escrita desde 1969, na época em que Llansol faz análise em Lovaina, e até 2006».

 

Ao mesmo tempo, sobretudo nas décadas de oitenta e noventa, os sonhos são frequentemente acompanhados por «reflexões sobre o processo onírico e o lugar do sonho, em particular na sua relação com a escrita e o livro. Esses momentos de paragem pós- ou inter-onírica aparecem neste volume em destaque, inscritos em caixas de texto que vão alternando com o registo dos sonhos; e demos igualmente um lugar especial a uma outra forma de prolongamento ou projecção (visual) da fixação do sonho pela palavra, que em Llansol é um importante complemento desta: a dos muitos desenhos que pontuam os seus cadernos (e este livro), e que nos pareceram ser parte integrante de uma 'queda' sistemática nos universos oníricos, e sua oferta ao olhar... Logo na primeira página de um dos caderrnos de sonhos lemos: 'Quem quiser representar apenas por palavras o que existe efectua um trabalho incompleto».

 

                                              O «Caderno dos Sonhos» (2000/2001)

O Posfácio do escritor, antropólogo e psiquiatra António Vieira oferece-nos, por sua vez, um olhar complementar sobre a escrita onírica de Llansol, não tão distante assim de outros registos da autora, e concluir: «Nem sempre é nítida a linha de fronteira entre divagação e sonho. A 'fantasia ardente' da escritora, cedo reconhecida por uma professora sua, tem algo de matéria onírica; enquanto o sonho, já dado à literatura, irradia aspectos críticos, demasiado lúcidos. Por isso, às vezes, avançamos na leitura do que nos parece vida vígil e estamos já no sonho. Percebemos como a lava da escrita circula pelo interior desta terra, pelos meandros destes sonhos. Lúcida, sem auto-complacência, às vezes com ironia, a escritora enfrenta literariamente o seu mal-estar no mundo».

Gonçalo M. Tavares e Llansol

 LLANSOL: A RESPIRAÇÃO DAS PALAVRAS

O escritor Gonçalo M. Tavares recorda no JL de hoje o que escreveu para a edição americana da primeira trilogia de M. G. Llansol, Geography of Rebels, saída em 2018:




19.8.20

Beguinas de Lugo

 «FULGOR»

Llansol e as «beguinas de Lugo»

Há mais de um ano, em Julho de 2019, recebíamos no pátio do Espaço Llansol um espectáculo memorável, a «leitura dançada» de fragmentos de Llansol por um grupo de doze mulheres vindas expressamente de Lugo, na Galiza, com um livrinho da Editora Ámboa intitulado Fulgor, que reune textos de Maria Gabriela Llansol.

Agora, um ano depois, a jornalista de Santiago de Compostela Raquel C. Perez volta a lembrar essa bela actuação num artigo que se pode ler aqui: https://pgl.gal/editora-amboa-mulheres-que-racham-a-fronteira-literaria-do-minho-dancando/

31.7.20

Pausa e regresso

COM O REGRESSO NO HORIZONTE...

A casa está expectante e ávida de vida, dentro e fora. Nós também, todos aqueles que nos últimos anos a animámos com a nossa presença, a nossa voz, o noso empenho.
O mês que aí vem é tradicionalmente de pausa. Mas regressaremos em Setembro para retomar e reinventar o percurso feito até aqui, no espírito do Texto que nos alimenta, e com a presença de todos os que até agora nos têm acompanhado pelos caminhos do universo Llansol – e como sempre abertos a todos os que a nós se queiram juntar. Porque a casa, como antevia já a Maria Gabriela em 1999, tem «um futuro que a arrasta», e andará sempre «à procura do futuro de uma nova imagem».

16.7.20

Llansol e Ilda David'

LLANSOL E ILDA DAVID' DE NOVO JUNTAS

No próximo sábado, dia 25, pelas 18 horas, abre na Quinta do Pisão (entre Cascais e Sintra, na estrada N9-1, perto do resort da Penha Longa – ver localização no seguinte link:
https://www.google.pt/maps/place/Quinta+do+Pis%C3%A3o/@38.758819,-9.4192314,15z/data=!4m5!3m4!1s0x0:0xd4f497418efc070d!8m2!3d38.758819!4d-9.419231)
uma exposição de Land Art em que estará presente, entre outros artistas, uma peça de Ilda David' inspirada uma vez mais numa passagem de Lisboaleipzig, para cuja segunda edição a artista já fez uma série de xilogravuras em 2014.
 
A peça traz o título «Almoço no campo» e é descrita assim na apresentação da exposição:
Ilda David', que é pintora, trabalhou a partir das suas memórias de infância para construir um cenário de um Almoço no Campo. Mas não apenas estas memórias: a partir de um trecho do livro de Maria Gabriela Llansol, Lisboaleipzig, captou a descrição de um almoço imaginado por Aossê (Fernando Pessoa) para o qual se levaria um farnel, e haveria jogos e representações... Ilda David' transporta para um espaço de passagem na Quinta do Pisão a linguagem poética de Llansol através da apresentação de pinturas dispostas como duplos da própria paisagem. 

Na página de Llansol que descreve o almoço nas margens do rio Elster, em Leipzig, pode ler-se:
... Aossê conseguiu convencer J. S. Bach de que, por bondade e por amizade para com o poeta, aceita a sugestão do almoço num prado, à beira do Elster, que, numa das suas manhãs, / viu chegar três carros de bois, / carregados com uma família humana, barulhenta e perturbadora.
Depois reparou, quando se aproximaram perto da sua margem, que se tratava de Anna [Magdalena Bach] e da sua família – e as suas águas brilharam de contentamento. [...]
– Tudo é água — disse-lhe o Elster.
– Tudo é imagem – respondeu-lhe Aossê, e sentou-se com os pés na água, maravilhado por não haver maravilha alguma.

Talvez seja um pretexto para quebrarmos o confinamento e nos vermos em plena natureza!

8.6.20

Entrevistas

REGRESSO AOS ENCONTROS
COM «OUTRA FORMA DE CANTO»

Depois do longo interregno de três meses, o Espaço Llansol volta a abrir as suas portas – agora para o exterior, no belo pátio da Casa – para mais uma sessão pública. Desta vez apresentaremos um novo livro da nossa colecção «Rio da Escrita», que reune todas as entrevistas de Maria Gabriela Llansol e alguns textos de intervenção, entre 1962 e 2002. O livro será apresentado por João Barrento, e ouviremos uma das entrevistas nas vozes de Aldina Duarte e Maria Etelvina Santos. E teremos à disposição de quem vier uma grande Feira do Livro, llansoliano e não só, a preços muito reduzidos.
Llansol nunca foi muito uma autora de entrevistas – preferia ser entre-vista por quem com ela conversava, olhos nos olhos, ou lida, isto é, vista e descoberta por entre pensamentos, imagens, visões, paisagens que envolvem os intervenientes na conversa ou na leitura. E no entanto, este volume permite reconstituir uma imagem, não apenas nova e reveladora, mas para muitos leitores talvez surpreendente, de uma «escrevente» que se dá a ver no seu percurso pessoal, nas motivações da sua escrita, nos seus interesses mais íntimos. Por isso, como diz uma das suas entrevistadoras, «apetece voltar a lê-la depois de a conhecer ou ouvi-la falar».