16.2.08

LLANSOL:
CANTAR A LEITURA (5)


Os poderes da memória e da matéria

«Despejando o presente do lastro obscuro da memória, o trabalho das imagens, espelho de uma alma que prescinde da psicologia para insistentemente colocar à vista uma psique em mutação, irá progressivamente anulando os efeitos da prisão do tempo, re-nomeando a perda («um amor crescendo, à semelhança do que fora uma alma crescendo», em Amar Um Cão) em todos os espaços que o corpo atravessa sem olhar para trás. Assim o espaço se transforma em «átrio da liberdade do tempo», lugar por onde vai entrando a luz que gera a transparência progressiva no luto. O livro, escrevendo-se a ele próprio pelo estímulo da imagem e pelo impulso da mão, coloca a questão, que não é de hoje, da escrita como resposta à perda.» (João Barrento)
(in: O Livro das Transparências. Jade-Cadernos Llansolianos, nº 9, 2007)


15.2.08

LLANSOL:
CANTAR A LEITURA (4)


Puro imaginativo

«Sentada num banco do jardim da parada, em Lisboa, tendo fora do alcance do olhar a ficha de identificação da sua árvore, ouve o Amigo 'escrever, na folha de leitura permeável ao vento': 'Esta árvore é um metrosideros. Estou bem'. Metrosideros: do grego metra, madeira no cerne, sugerindo a ideia de interior, útero, e sideron, ferro, em referência à dureza da sua madeira, matéria muito dura, e dura de roer, como diria a escrevente. A espécie mais conhecida desse género é o metrosídero ou árvore-de-fogo (metrosideros excelsa). Matéria incandescente, como estere.» (Maria de Lourdes Soares)
(in: O Livro das Transparências. Jade-Cadernos Llansolianos, nº 9, 2007)


14.2.08

LLANSOL: CANTAR A LEITURA (3)

O azul não tem origem

«Poderíamos estar assistindo ao processo de cicatrização de um tecido que muito dessangrou. Mas não se trata de assistir. Somos chamados para dentro do processo, para o sacrificial embate com a dureza, para as palavras que organizam o silêncio e com ele compõem este livro cujos capítulos ondulam uns por sobre os outros, como uma massa enérgica de mar. Somos chamados para seguir, desde o início, um curso que nos chega terminado e começa de novo, em cada vez que alguém se inclina para o livro e o abre.» (Hélia Correia)

«O que no próprio livro se lê são sinais de uma perda, que deixou marcas no corpo e no mundo envolvente; o que aí se escreve é o caminho para a luz e a transparência reencontrada, num trabalho de luto desencadeado pela escrita e por ela sustentado, da noite obscura para a «noite azul». E não se pergunte pela «simbologia» do azul, porque este está para além da cor, é de ordem já «figural» e energética, e não apenas imagética e cromática: «o azul não tem origem» e «ninguém pede ao miosótis que seja mais azul do que o azul do miosótis». Um processo de ressuscitação e metamorfose, comum a tanta figura deste texto, e que agora o Eu que escreve chama a si e em si próprio segue, aprendendo o silêncio no (per)curso estruturado pelas quatro partes que compõem o livro.» (João Barrento)


(in: O Livro das Transparências. Jade-Cadernos Llansolianos, nº 9, 2007)

13.2.08

LLANSOL:
CANTAR A LEITURA (2)

Do invisível




12.2.08

LLANSOL:
CANTAR A LEITURA (1)

Ler é, na Obra de Maria Gabriela Llansol, um acto constitutivo de viver. Llansol gosta de ler em voz alta, e sempre o fez, desde há anos, no início dos encontros do Grupo de Estudos Llansolianos. Não há muitas gravações da sua voz, mas dispomos de algumas, quer de leitura de fragmentos de livros seus, quer de intervenções, por vezes decisivas para clarificar noções e problemas centrais do seu Texto, nas discussões deste Grupo.
Ler, ler com o «sexo de ler», libidinal e mentalmente, ler em troca e não apenas como indagação de sentido, fonte de informação ou expectativa de sequências narrativas é um gesto de amplificação do mundo, que não sabemos quanto tempo perdurará nem por onde se repercutirá.
Se ler é amplificar o mundo, ler em voz alta é convocar, pela voz e pela entrega do corpo, o daimon vivo das sonoridades e das vibrações que atravessam o ar para chegar ao outro. Ler em voz alta é cantar a leitura. Os primeiros cantores de leitura são os animais, lê-se já em Amigo e Amiga. No último livro, precisamente intitulado Os Cantores de Leitura, este modo particular de ler assume-se decididamente como atitude de vida e resposta ao mundo: resposta do Texto e da sua comunidade – mais do que nunca apostada na amplitude e na igualdade dos seres no Ser, colocando os animais no seu centro – à incapacidade de «cantar» do mundo. É o lamento órfico de alguém que sabe que, se a leitura não for canto, o mundo não responde. Por isso, lemos em Os Cantores de Leitura, «é preciso cuidar a leitura,
porque a voz – se for incerta no seu deserto – mata, mata a leitura e o texto _______ o tom da voz a não impostura das suas pausas de silêncio _____
é determinante para o cuidado fraterno a ter com as figuras,
que estão por detrás de nós,
no seu desejo de abrir para si o Ler.» (Partícula 16).
A voz de quem lê torna-se, assim, o «contraste» da leitura, a sua marca de autenticidade, como nos metais preciosos.
Vamos dar aos leitores deste Espaço a possibilidade de ouvirem a voz de Maria Gabriela Llansol numa série de gravações. Começamos por dois excertos de O Senhor de Herbais, gravados em 2002, e continuaremos com fragmentos de Amigo e Amiga. Curso de Silêncio de 2004, e depois ainda com algumas intervenções, mais vivas, nas nossas discussões de grupo.

J. B.




27.1.08

NA APRESENTAÇÃO DE AMIGO E AMIGA
e
AGUARDANDO OS DESENHOS A LÁPIS COM FALA


Para quem não pôde assistir à apresentação do livro de M. G. Llansol Amigo e Amiga, na Árvore do Porto e na galeria da Assírio & Alvim em Lisboa, em 2006, aqui fica a sequência de imagens que na altura mostrámos (mas sem animação), associadas a uma montagem de textos de Llansol e Augusto Joaquim, lidos por Maria Etelvina Santos e João Barrento. A música é de Bach (prelúdio da primeira suite para violoncelo, BWV 1007, por M. Rostropovich; e o adagio do concerto para violino em mi maior, BWV 1042, por Hillary Hahn e a Los Angeles Chamber Orchestra). Alguns dos desenhos mostrados fazem parte do álbum de Augusto Joaquim Desenhos a Lápis com Fala, a editar muito brevemente pela Assírio & Alvim (inclui o texto de Llansol Amar Um Cão, uma apresentação de Augusto Joaquim e uma nota de João Barrento). Nessa altura, esperamos voltar à galeria da Assírio para falar do último livro de Maria Gabriela Llansol, Os Cantores de Leitura, e deste álbum de Augusto Joaquim.


MGL-AJ-A&A(1).mp3

MGL-AJ-A&A(2).mp3

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23.12.07


(Clique na imagem para aumentar)

12.12.07


OS CADERNOS DE MARIA GABRIELA LLANSOL


Temos publicado neste espaço alguns fragmentos dos setenta cadernos manuscritos em que Maria Gabriela Llansol vem escrevendo regularmente desde os tempos do exílio na Bélgica. A Associação ESPAÇO LLANSOL vai iniciar em Janeiro de 2008 um projecto de digitalização, transcrição e, na medida do possível, edição desses cadernos. Trata-se de um projecto de grande dimensão e projecção – os cadernos contêm quinze a vinte mil páginas e papéis manuscritos – , cuja finalidade é a de garantir a preservação e tratamento deste importante espólio de M. G. Llansol (o que, aliás, é um dos principais objectivos estatutários desta Associação). A Fundação Gulbenkian reconheceu o alcance desta iniciativa, e irá apoiá-la financeiramente já nesta primeira fase.

O projecto prevê a digitalização, organização em arquivo digital, descrição física e de conteúdo, organização de índices e subsequente transcrição do conjunto de setenta cadernos de reflexões e anotações, organizados cronologicamente e com registos que cobrem o período de 1974 até hoje. Este conjunto de cadernos vai sendo preenchido, durante estes anos, com anotações de natureza múltipla e híbrida, desde a entrada de diário até reflexões mais longas sobre os temas e assuntos que alimentam os livros da Autora, sínteses ou notas de leitura, registos literários de experiências, imagens, conversas que acompanham os dias.



A importância deste espólio manuscrito é inestimável para o estudo da Obra de Llansol, na medida em que acompanha, prolonga, ilumina e aprofunda a matéria de todos os seus livros, desde que começou a escrever aquele que considerou o «livro-fonte» de toda a sua Obra,
O Livro das Comunidades (escrito em 1974, na Bélgica). Mas é igualmente um repositório único de perspectivas sobre a cultura e a língua portuguesas, sobre as grandes linhas do pensamento e da espiritualidade europeia, e sobre o encontro destas duas realidades.


Tudo isto passa, quer pelo registo e comentário de figuras históricas, quer pelo de lugares europeus e portugueses marcados por uma grande densidade histórica e cultural, quer ainda por momentos que permitem reconstituir alguns aspectos da vida e da actividade dos núcleos portugueses de exilados (na Bélgica, concretamente em Lovaina), nos anos sessenta e setenta do século passado. Até hoje, a Autora nunca deixou de acompanhar a escrita dos seus mais de trinta livros com a destes cadernos, que, apresentando paralelos e convergências com as obras editadas, vão muito para além delas e constituirão um instrumento fundamental para a investigação e o esclarecimento da Obra desta autora singular da nossa literatura contemporânea.


Apesar de um projecto desta dimensão exigir bastante tempo para a sua execução, podemos dar já aos interessados duas boas notícias: a) logo que esteja disponível o arquivo digital dos cadernos, esperamos poder torná-los acessíveis a investigadores e estudiosos da Obra, naturalmente com as restrições impostas pela própria Autora; b) neste momento a M. G. Llansol está a organizar, com a nossa colaboração, um primeiro volume de textos extraídos dos primeiros cadernos, a editar logo que possível.

JB

5.12.07


A VIBRAÇÃO DO SILÊNCIO

Sobre filmes de Vera Mantero e Miguel Gonçalves Mendes
feitos a partir da Obra de M. G. Llansol
e apresentados em 3 e 4 de Novembro no



Take 1

O Texto e o Corpo

Dois nomes lêem o Texto llansoliano, em momentos diversos de um só acto de leitura: a descoberta dos lugares a filmar e a sua montagem num filme que os dá a ver. Por «Lugar» queremos dizer, dentro do espírito do Texto de Maria Gabriela Llansol, uma imagem-que-vai-adiante, ou seja, algo que atrai e prende o nosso olhar/corpo, que acontece sem espaço nem tempo, mas tem corpo de Acontecer e assim nos enleva, sem nada prometer («________ o texto é sem promessa e sem garantia», lê-se em
Onde Vais, Drama-Poesia?, p. 188).


Do ponto de vista de quem vê o filme projectado na tela, a descoberta dos lugares, que faz surgir a matéria do filme, é uma experiência de leitura conjunta, próxima do espírito llansoliano — ler em Llansol é um acto de partilha entre vozes e olhares diferentes, quase nunca consonantes, mas permeáveis. Já a fase da montagem do filme parece quebrar este acto de permuta, deixando surgir dois filmes que marcam sobretudo a distância entre as personalidades de Mantero e Gonçalves Mendes. E no momento em que os dois filmes são projectados e mostram uma mesma matéria, ora ao serviço de um narcisismo um pouco mais desregrado (Vera Mantero), ora ao serviço de um olhar mais documental documental (Miguel Gonçalves Mendes), estamos perante duas leituras de costas voltadas entre si. Ver dois filmes montados a partir de uma matéria fílmica comum ter-nos-ia dado uma experiência insólita e única de como os olhares de um só acto de leitura se cruzam, ainda dentro do espírito de permuta e partilha a que convida o Texto de Maria Gabriela Llansol.

O olhar narcísico de Vera Mantero perturba, ao pretender «encenar» o Texto, recriando a figura da «mulher que não queria ter filhos de seu ventre» (O Livro das Comunidades, p. 11), mas com isso a fazer-se «centro de cena», impondo à Voz textual a sua própria voz — um narcisismo análogo ao que se viu na encenação recente, por André E. Teodósio, da ópera Metanoite, baseada no texto de Llansol, com libreto de João Barrento e música de João Madureira. O olhar documental de Miguel Gonçalves Mendes aproxima-se do Texto de forma mais contida, guardando uma distância que o deixa respirar no seu mistério e expressividade imensos, sem contudo se deixar enlevar pelo seu Lugar – ou seja, o que sobressai é o exercício de montagem e de manipulação de uma matéria fílmica belíssima, particularmente quando já a conhecemos do filme anterior, assinado por Mantero.

Ainda assim, a matéria dos filmes tem uma força expressiva e uma beleza tais, que nos convidam a abrir o olhar às imagens e a ponderá-las nesta abertura — como as ilustrações de Ilda David nos livros de Llansol nos convidam a fazer. Na redescoberta dos lugares do Texto llansoliano em algumas destas imagens, dá vontade de as deixar pairar, como, afinal, paira o Texto llansoliano, sem antes nem depois, mas sempre-adiante, fugazes e intensas.

A paisagem de vento, as árvores, a folhagem, a casa, o interior da casa, os corpos em movimento, os gestos da escrita e da leitura, o corpo a correr, o corpo disperso por corpos-outros, o fogo e a água: estes são alguns dos elementos dos filmes que se associam ao Texto de Maria Gabriela Llansol como uma sua ilustração mimética. Este mimetismo do Texto é o que dá às imagens dos filmes a sua força expressiva, e nesse sentido elas são felizes, concretizam as dobras do Texto, a sua pluralidade de vozes e de corpos movendo-se e relacionando-se, sem querer saber para-onde. Alguns momentos são especialmente fortes e belos no dar-corpo de imagem visual ao Texto e à Imagem de que este é capaz: as crianças a escrever «em fúria»; a corrida no bosque; os corpos pendurados na árvore; a mão-que-escreve; o fogo sobre as águas correndo…

Mas encontramos nos filmes também a expressão de uma angústia (mais presente no filme de Vera Mantero do que no de Miguel Gonçalves Mendes) que é inexistente no Texto llansoliano. Esta angústia exprime-se nas imagens de animais mortos, violentados, quando o corpo se enrola sobre si mesmo ou se movimenta por espasmos, quando o olhar e a voz parecem buscar o que não têm. O semblante llansoliano, se é sem-expressão, é por estar sem posse, é por não se impor, mas não por estar em carência. Esta expressão da angústia está longe da Obra de Llansol e do seu convite à libertação jubilosa de tudo o que tolhe e oprime.

O difícil exercício de um fazer-com (no lugar do fazer-sobre), encontra-se na matéria de que são feitos ambos os filmes, mercê de um acto conjunto de leitura dos textos de Maria Gabriela Llansol. Algumas das imagens geradas desse acto são ímpares, respiram beleza e dão a ver o texto improvável de Maria Gabriela Llansol. Essa dádiva é preciosa.

Cristiana Vasconcelos Rodrigues


Take 2


1.

Uma mulher, uma casa, crianças que ela não quer ensinar, mas deixar que cresçam, mostrando-lhes o mundo: o que está aí e o que parece não estar aí, porque só existe na dobra.
Todos existem e aprendem a viver numa dupla «província pedagógica»: vivem a casa – na escrita / na cópia, na leitura, no jogo – e percorrem o mundo, derramam-se nele – na terra e nas árvores, no vento e na água, nos animais e nas plantas... Descobrem o corpo, semeiam futuro (num eterno retorno do mútuo), entram em consonância com a vibração do mundo, o que os envolve e o que trazem em si.
A mulher é presença-pivot, mais do que guiar emite sinais, é corpo de experiência que interage com o corpo-de-natureza das crianças (que em certos planos é também o seu), disponível, maleável, generoso, aberto – à escrita/cópia num frenesi por vezes excessivo, à sementeira, à fusão com os troncos das árvores ou as folhas do chão, aos ritmos, à música, ao apelo da terra.
Esta primeira experiência feita sobre a matéria do texto de Llansol por Vera Mantero é nervosa e vibrátil, investe mais no movimento do que na concentração, e afecta com isso a pele das cenas e da sua transição, e a beleza estética do conjunto, que no entanto emerge repetidas vezes em vários planos de grande beleza, mas menos serenidade.

2.

Um homem nu, ao piano (evocando o começo de
O Jogo da Liberdade da Alma e passagens de Amigo e Amiga) ou em espaços abertos mais ou menos imponderáveis, segue o rasto de uma mulher que segue o rasto de um homem desaparecido: «aquelesser». O que ele/ela buscam é reconstituir a sombra de uma presença-ausência, de uma ausência presente que partiu. Para um mundo que, desconhecido, se sabe que é aquele «para onde irei». A busca tem uma finalidade, que abre para dois sentidos possíveis e complementares, consoante se ouve da boca dos adultos ou das crianças: «quero saber mais do mundo para onde irei...» A única maneira de o saber, insuficiente, incerta, tacteante, e que por isso justifica a busca, é seguir o rasto – os traços de carácter e de acção de «aquelesser», la trace, o rosto e a assinatura – deixado nas coisas por esse ser que partiu. Na experiência de Miguel Gonçalves Mendes, a ambiência resulta mais nostálgica, o ritmo respira uma maior serenidade. A linha de desenvolvimento é mais clara, menos dispersa: é a da decepação da memória da morte pelo júbilo e pelo fulgor.
E do júbilo e do fulgor de uma beleza por vezes cortante das imagens e das sequências vivem estas duas experiências, até hoje ímpares, realizadas em sobreimpressão com o texto de Maria Gabriela Llansol.

João Barrento


(As fotos são de Margarida Ribeiro e vêm da rodagem dos filmes,
que os autores intitularam «Curso de Silêncio».
A sequência completa pode ser vista aqui.
Alguns fotogramas dos filmes aqui.)

25.11.07




Obrigada, Maria Gabriela, pelo encontro de ontem na Casa da Saudação. Vieste com as mãos disponíveis, como sempre nos habituaste, desde aquele primeiro encontro, na Casa da Praia Grande, quando pela primeira vez nos olhámos como um grupo de início. E éramos. E somos. O que te levámos ontem, lembrando o teu aniversário, cabe numa pequena lista de oferendas, mas dá a ver o que entre nós importa:

um vestido castanho, costurado pelas mãos de uma mulher da tua idade, com que outra, delicada, te ajudou a vestir o corpo;


um cesto com laranjas, apanhadas da árvore, manhã cedo;

um vaso de violetas, com a cor do seu nome, para acompanhar os teus dias;

um hábil «mensageiro de sonhos», para acompanhar as tuas noites;

duas tabuinhas de cera, encontradas há muito, perto de uma igreja, em Itália;

um vaso com um metrosideros, para crescer entre nós e permanecer, e que escolheste plantar perto da porta da Casa...

e outras pequenas-grandes coisas com que habitamos os dias, criando na paisagem a «mais-paisagem» que nela existe, não para regressar a ela, mas para a trazer de volta.

ES