«O que no próprio livro se lê são sinais de uma perda, que deixou marcas no corpo e no mundo envolvente; o que aí se escreve é o caminho para a luz e a transparência reencontrada, num trabalho de luto desencadeado pela escrita e por ela sustentado, da noite obscura para a «noite azul». E não se pergunte pela «simbologia» do azul, porque este está para além da cor, é de ordem já «figural» e energética, e não apenas imagética e cromática: «o azul não tem origem» e «ninguém pede ao miosótis que seja mais azul do que o azul do miosótis». Um processo de ressuscitação e metamorfose, comum a tanta figura deste texto, e que agora o Eu que escreve chama a si e em si próprio segue, aprendendo o silêncio no (per)curso estruturado pelas quatro partes que compõem o livro.» (João Barrento)
(in: O Livro das Transparências. Jade-Cadernos Llansolianos, nº 9, 2007)