17.4.19

AS DAMAS DO AMOR COMPLETO
na Casa de Julho e Agosto

No próximo dia 27 de Abril, pelas 16 horas, abordaremos um tema estranho à tradição portuguesa, mas central nos primeiros livros de Maria Gabriela Llansol: as beguinas, «Damas do amor completo», tal como são designadas na Carta de Luís M. que abre Na Casa de Julho e Agosto. Luís M./Comuns/Camões «conheceu», nos livro de Llansol, essas mulheres livres, generosas, devotas e heréticas, que, na Alta Idade Média, povoavam, nas suas comunidades autónomas, as cidades do norte da Europa, na França, na Bélgica, na Holanda e na Alemanha actuais. O seu amor – o tema dominante da poesia mística de uma delas, Hadewijch de Antuérpia, também presente nas primeiras trilogias de Llansol – estende-se a todo o ser e ao que está para lá dele: ao humano e a todo o Vivo, ao livro e à escrita, à cura e à contemplação, às mais insignificantes artes da vida comum. São, assim, figuras determinantes da construção do «projecto do humano» que atravessa toda a Obra de Llansol.
João Barrento introduzirá o tema e falará dele na Obra de M. G. Llansol; veremos dois videos de Daniel Ribeiro Duarte que fizemos em lugares dessas figuras no Brabante (Bruges e Antuérpia); ouviremos ler textos da nossa autora e poemas de Hadewijch, na voz de Maria Poppe, e também música de Hildegarda de Bingen, do Cancioneiro de Montecassino e do grupo flamengo Laïs.
Teremos o habitual caderno que documenta o tema, e também exposição de materiais do espólio, livros, imagens, etc.

27.3.19

LLANSOL EM PARIS

A antologia francesa de textos de Maria Gabriela Llansol À l'ombre du clair de lune, saída recentemente, vai ter dupla apresentação em Paris:


– Em 4 de Abril, na Librairie Tschann do Boulevard Montparnasse, com a presença da escritora Laurence Nobécourt (autora do prefácio), de Guida Marques (tradutora) e de Carolina Leite, da editora Pagine d'arte.


– Em 6 de Abril, na livraria L'autre livre, na rue de l'École Polytechnique, por iniciativa da jornalista Bénédicte Heim, que já escreveu sobre outros livros de Llansol em tradução francesa, também com os editores, Carolina Leite e Matteo Bianchi.

25.3.19

QUATRO DIAS DE FEIRA...
COM REFLEXÃO E LEITURAS

Terminou ontem, domingo, a Feira do Livro de Poesia de Campo de Ourique, em que o Espaço Llansol participou activamente. Recebemos na «Casa de Julho e Agosto» mais algumas pessoas interessadas na Obra e no mundo de Maria Gabriela Llansol. Fizemos no Espaço Cultural Cinema Europa uma sessão de leitura de textos de Llansol («Ler é nunca chegar ao fim de um livro...»), com Maria Etelvina Santos, que comentou os excertos lidos por João Barrento. Ouvimos ainda, nessa sessão, para além de alguns interlúdios com música de Bach, uma gravação de passagens dos cadernos manuscritos da Maria Gabriela sobre a sua vivência de Campo de Ourique, na voz de Maria Etelvina Santos.
 
Na Feira do Livro de Poesia, 
Jardim da Parada, em Campo de Ourique:
o quiosque do Espaço Llansol e da 
Mariposa Azual
 No Espaço Cultural Cinema Europa:
 João Barrento e Maria Etelvina Santos comentam e lêem textos de Llansol




No sábado, 23 de Março, foi a vez de apresentar, no Espaço Llansol, as duas primeiras brochuras da nova colecção «Rastos & Rostos», que documentam, com textos e imagens, objectos com significado especial, por vezes com uma história reconstituível, do espólio de M. G. Llansol – «seres móveis», como lhes chamou a escritora Hélia Correia ao falar da «estátua de leitura», Sant'Ana ensinando a Virgem a ler, ou «objectos salvos das águas», no dizer da própria Llansol.






 Hélia Correia
discorre sobre a
«estátua de leitura»

João Barrento, que se ocupou do grande quadro de Artur Loureiro («Primavera», de 1902) a que a nossa autora deu nomes como «Jovem vestindo o seu jardim» ou «A menina lírica» (um objecto com um lugar muito especial em Um Beijo Dado Mais Tarde, tal como a «estátua de leitura»), esclareceu a intenção desta nova colecção feita de «restos» (valiosos), «rastos» (de escrita e de vida) e «rostos» (visíveis e re-figurados pela escrita). Trata-se de prolongar e voltar a iluminar a existência de algumas peças que Maria Gabriela Llansol nos deixou, e a que ela própria já deu outras vidas ao escrevê-las e reinventá-las, libertando-as assim do enclausuramento por vezes sombrio, por vezes luminoso, outras vezes mais ou menos neutro, das suas origens. Como ela própria explica em Um Beijo Dado Mais Tarde: «Os objectos eram certamente potencialidades de texto vivo, ultrapassada a língua morta em que sonhavam». Acontece então a passagem de objecto herdado, antes possuído e funcionalizado, a legado vivo que apela à escrita, uma passagem da esfera da autobiografia para a de uma signografia, em que cada objecto revisitado se nos oferece, também a nós hoje, como um conjunto de sinais. E objectos aparentemente apagados ganham subitamente uma nova luz.
 










É esta a ideia que orienta a colecção «Rastos & Rostos», onde ainda veremos outros objectos deste espólio: obras de arte ou objectos quotidianos, objectos de escrita ou uma fotografia, representações iconográficas ou conjuntos de papéis aparentemente in-significantes...
E os que vieram à «Casa de Julho e Agosto» levaram consigo um postal do espólio em que Llansol faz toda uma tipologia dos objectos, entre os «nómadas» e os «sedentários», os «objectos-mendigos» e os «salvos das águas»...

14.3.19

O ESPAÇO LLANSOL NA FEIRA DO LIVRO DE POESIA 
DE CAMPO DE OURIQUE

O Espaço Llansol participa pela segunda vez na Feira do Livro de Poesia, que se realiza no Jardim da Parada, em Campo de Ourique, com actividades em vários outros lugares do Bairro.

Para além da presença das suas edições num dos quiosques, com a editora Mariposa Azual, o Espaço Llansol oferece ainda as seguintes actividades durante os dias da Feira:

– 21 de Março, às 15 horas, na Biblioteca/Espaço Cultural Cinema Europa:
 «Ler é nunca chegar ao fim de um livro...»
Leituras de textos de M. G. Llansol, por João Barrento e Maria Etelvina Santos, com comentários sobre os textos lidos, audição de gravações de textos sobre a presença de Campo de Ourique na escrita de Llansol, e interlúdios musicais.
[Quem lê,          deve procurar as luzes
sucessivas de um livro
que não se alcançam todas ao mesmo tempo,
quando o livro é fonte de leitura.
Caderno 1.33, p. 95]

23 de Março, a partir das 11 horas: visita guiada ao Espaço Llansol e ao espólio da escritora. 

– 23 de Março, às 18 horas, no Espaço Llansol:
«Rastos & Rostos»
uma nova colecção de brochuras sobre objectos especiais do espólio de Llansol, apresentada pela escritora Hélia Correia e por João Barrento.

As duas primeiras brochuras da série documentam dois objectos muito presentes na escrita de Maria Gabriela Llansol:
a. O quadro do pintor do Porto Artur Loureiro, datado de 1902, e a que Llansol deu nomes como «Jovem vestindo o seu jardim» ou «A menina lírica».
b. A «estátua de leitura», ou «Ana ensinando a ler a Myriam», uma estátua de madeira polícroma do século XVIII.

6.3.19

OS CANTORES DE LEITURA NA CAPELA DO RATO

No próximo dia 11 de Março, pelas 18h15, e no âmbito do ciclo «Filosofia, Literatura,  Espiritualidade», João Barrento falará de Os Cantores de Leitura, o último livro publicado por Maria Gabriela Llansol. 
Com este livro estamos perante um livro de horas sem horas (porque fora do tempo), criação de ambiências raras em que a relação «espiritual» com o mundo, antes conseguida pela via de uma sensualidade imagética (de raiz mística ou poética), é agora a de «traçados geométricos de vibrações» (p. 18), pura energia doce, respirada e segregada por figuras de outra esfera, o exemplo acabado de um livro-canto-do-cisne.
As inscrições para assistir a estas conferências estão fechadas, mas todas se podem ouvir alguns dias depois no site da Capela do Rato, em https://www.capeladorato.org/curso-dos-dias-2019/

4.3.19

EVOCAÇÃO DE LLANSOL EM LUGO

O jornal de Lugo (Galiza) El Progreso evocou ontem, pela mão sensível da legente e jornalista local Nieves Neira, os onze anos da partida de Llansol. Nieves escreveu um belo texto (que reproduzimos abaixo), revelador de uma ligação profunda à escrita e ao mundo de Llansol, pela via do afecto mas também do saber. Obrigado, Nieves!


3.3.19

NO DÉCIMO PRIMEIRO ANO DA PARTIDA

Estamos no dia do décimo primeiro ano da partida da Maria Gabriela. Mais um dia na vida da sua morte, e sempre no espírito da sua escrita de afirmação da vida e do Vivo.
Como neste caderno de 2004, em 2 e 3 de Agosto.
(A foto feliz vem dos anos da Bélgica, em 1972)


_______ estou, de novo, a tentar compor a minha vida_______
uma partitura musical de folhas e folhagem caiu ao chão e
se quebrou. É tempo de reviver; é espaço de recriar; é altura
de voltar a ser a criadora de formas alegres,
com sons tilintantes
que anunciem a elevação dos tons rasteiros da poesia______
da vida própria__________

1.3.19

LLANSOL EM ESPANHA


Na sequência da edição castelhana da segunda trilogia de M. G. Llansol, El litoral del mundo, na excelente tradução do colectivo Atalaire (Mario Grande e Mercedes Cuesta), o poeta de Barcelona José Ángel Cilleruelo publica na revista CLARÍN, de Oviedo, um clarividente texto sobre esta trilogia, estabelecendo paralelos entre a autora e Pessoa e destacando a «poética ingrávida» que orienta a Obra de Llansol – porque aí, como se lê em Da Sebe ao Ser, nada nasce e nada morre, mas «tudo é tão simultâneo como verdadeiro».

24.2.19

DOIS QUE «HERDARAM AS MARGENS»

A tarde de ontem na Casa de Julho e Agosto proporcionou mais um desses encontros imprevisíveis, im-prováveis e sem antecedentes, mas muito reveladores de fundas afinidades electivas entre os modos de escrita e as visões do mundo de Maria Gabriela Llansol e do poeta Fernando Echevarría (que no próximo dia 26 de Fevereiro completará 90 anos e receberá a Medalha de Mérito Cultural), dois autores para quem a condição de exílio – do país imerso em guerra e ditadura, da sociedade e do mainstream da literatura – foi pressuposto central de toda uma vida de escrita.
Disto, e da figura deste poeta que tão bem conhece, nos falou ontem a Profª Maria João Reynaud, vinda expressamente do Porto para esta conversa em que procurámos seguir alguns dos fios que ligam estes dois mundos – as distantes raízes ibéricas, a longa experiência do exílio, a vocação «oficinal» no rigoroso trabalho de escrita, a comum constatação da «obra inacabada» ou do livro contínuo, a importância do «ver» a par do decisivo lugar do pensamento na escrita de ambos, guiada por uma original dialéctica entre enigma e transparência, ou a condição ontológica de duas Obras que buscam e revelam o enigma do Ser, oferecendo a quem as lê uma ampla, e pouco comum, respiração da língua e da palavra...
Tais pontes transpareceram também nas leituras paralelas feitas no fim, dando a ouvir de forma viva as correspondências entre poemas (de Echevarría) e fragmentos de prosa (de Llansol), seguindo pelos atalhos de tópicos e temas como: «A alegria de escrever», «O visível e o invisível», «A sensibilidade do olhar», «A Figura» e «O corpo», «O júbilo do silêncio e da solidão», «O enigma da alma» ou «Escreviver»...
Temas presentes também no caderno que fizemos para esta sessão: «A áspera matéria do enigma»: Maria Gabriela Llansol e Fernando Echevarría.

11.2.19

DOIS ESCRITORES RAROS NO ESPAÇO LLANSOL

Nunca se encontraram. Provavelmente não se leram. E no entanto há na escrita dos dois muita coisa em comum – na atitude perante o mundo, nos temas que os alimentam, e também nos modos de usar a língua, a contrapelo de toda a nossa tradição, a poética e a ficcional. Une-os ainda um exílio forçado por uma guerra que, nos anos sessenta, levaria Llansol para a Bélgica e Fernando Echevarría para Paris e Argel.
É destes dois que falamos, de Maria Gabriela Llansol e do poeta Fernando Echevarría, autores que poremos em paralelo na próxima sessão da Casa de Julho e Agosto, no sábado 23 de Fevereiro, pelas 16 horas, com a colaboração da Profª Maria João Reynaud (Faculdade de Letras do Porto), que, mais que ninguém neste país, tem escrito sobre a obra deste poeta raro, discreto e profundo.
Ouviremos gravações de poemas de Echevarría, e também a voz de M. G. Llansol, falando sobre o que, nos encontros que com ela tivemos em 2006, designou de «Círculo do Humano». E teremos, como quase sempre acontece, um caderno que documenta temas paralelos nos dois autores, e inclui textos de João Barrento e Maria João Reynaud.