16.1.20

SINTRA, EM PASSO DE PENSAMENTO

No próximo sábado, 1 de Fevereiro, pelas 17 horas apresentaremos no Espaço Llansol o livro com inéditos de M. G. Llansol Sintra em Passo de Pensamento, uma edição da Feitoria dos Livros (chancela da Colares Editora).
Teremos connosco para falar das Sintras de Llansol a sua editora durante mais de dez anos, Maria Rolim, que conversará com João Barrento e Maria Etelvina Santos. E também a actriz Margarida Carpinteiro, que conheceu a Maria Gabriela e lerá alguns textos do livro. E mostraremos ainda o video que documenta estas deambulações de Llansol por Sintra e Colares. O livro estará à venda a preço especial neste dia.
E nele se pode ler, entre muitas outras reflexões de M. G. Llansol sobre lugares, paisagens, e a vibração particular que os anima, ou que ela neles descobre:
________ quando a vibração deixa os lugares, despe-os inexoravelmente. Tira-lhes camada ondulante após camada ondulante até chegarem a uma inexorável tristeza em que repousam para se despirem ainda mais...

Vejo que a viagem começa no corpo quando este desliza do real para um outro real-não-existente. Não desliza para a fantasia: o nosso olhar vê uma parte da paisagem e, da outra, dá testemunho.

8.1.20

NOVO CURSO «MODOS DE LER LLANSOL»


Tal como aconteceu no ano passado, e indo ao encontro de várias solicitações, o Espaço Llansol volta a oferecer um novo curso – Modos de Ler Llansol – que se iniciará no próximo sábado, dia 11. Este ano com especial incidência no tema «Para que o romance não morra: em busca de uma língua sem impostura». O objectivo é dar a conhecer a Obra de Maria Gabriela Llansol através dos seus livros, temas e figuras, para uma melhor compreensão da sua arquitectura múltipla e aberta a vários diálogos, formas de linguagem e modos de estar no mundo. As sessões – duas vezes por mês, de Janeiro a Junho, das 15 às 17.30 horas – terão essencialmente uma componente prática de leitura e análise de textos, sempre acompanhada de pequenas exposições teóricas para explicitação de conceitos. O Curso será novamente orientado pela Profª Dra. Maria Etelvina Santos.

28.12.19

LIGAÇÕES:
Llansol e(m) Gonçalo M. Tavares

Este e os últimos anos foram pródigos em edições estrangeiras do pequeno livro de Gonçalo M. Tavares que assimila à sua própria escrita a de Maria Gabriela Llansol: as Breves Notas sobre as Ligações (Llansol, Molder e Zambrano), que teve uma primeira edição portuguesa na Relógio d'Água em 2009. 
Aí escreve o autor, na sequência da frase de Llansol que lhe serve de título («A arte de fazer perigar os corpos»): «Ser amigo das minhas decisões, eis a dificuldade. Fazer amizade com a sucessão dos meus sins e dos meus nãos. [...] Esta coisa que é sempre igual varia muito.» Ou então, muito llansolianamente: «A arte de multiplicar a unidade mantendo-a una.»

A lista das edições estrangeiras é longa, como nos informa o próprio autor:
2009 - Design Editora (Brasil)
2010 - Editora Regional de Extremadura (Espanha, castelhano)
           Editota Aldus (México)
2013 - Editora Letranómada (Argentina)
           Paradiso Editores (Ecuador)
2016 - Ediciones Uniandes (Colômbia)
           Edicions del Periscopi (Barcelona, catalão)
2018 - Urogallo (Itália)
           Wydawnictwo (Polónia)
           Scoala Ardeleana (Roménia)
           Xordica (Espanha)
2019 - Quantum Prose (USA)
           Chile
           Colmena Editores (Peru)

23.12.19

LLANSOL E EDUARDO PRADO COELHO
no «Nada será como Dante»

No passado dia 17 de Dezembro, o programa de Pedro Lamares e Filipa Leal na RTP2, «Nada será como Dante» destacou a recente edição do Espaço Llansol/Mariposa Azual que documenta a relação entre M. G. Llansol e Eduardo Prado Coelho ao longo de três décadas. Os comentários foram feitos por João Barrento.
Pedro Lamares e Filipa Leal apresentam Llansol e Prado Coelho
O programa pode ainda ver-se aqui: https://www.rtp.pt/play/p6188/e445417/nada-sera-como-dante

15.12.19

O REGRESSO DO  «AMOR ÍMPAR»

A Obra de Maria Gabriela Llansol é atravessada por uma vibração manifesta ou discretamente erótica, que pode dar por nomes tão diversos como o «luar libidinal» ou o «sexo da paisagem», a «sensualética» ou o próprio «corp' a 'screver». Mas talvez o ponto alto da «alquimia do encontro» nesta Obra esteja na noção de «amor ímpar», que constitui o cerne do livro Contos do Mal Errante. Deste livro e daquela noção se falou no passado dia 13 no Espaço Llansol, contra o pano de fundo, também comentado, das «errâncias do mal» no reino dos Anabaptistas da cidade de Münster entre 1534 e 1536, que, com o espaço mais vibrante da «mansão da neve» e seu jardim, fornece a Llansol o lugar de «acção» dos Contos que o não são (antes «confidências envoltas», como explicou na altura Maria Etelvina Santos).
 O pretexto para voltarmos a esta matéria foi uma vez mais a visita de um grupo de cerca de trinta alunos da Escola Superior de Teatro e Cinema, que, com a professora Maria Duarte, trabalham neste semestre esse livro de Maria Gabriela Llansol (como já antes fizeram com O Começo de Um Livro é Precioso).
 João Barrento e Maria Etelvina Santos enquadraram o livro nestas e noutras perspectivas, e os estudantes, com as professoras Maria Duarte e Patrícia Portela, animaram com as suas questões e discussões uma manhã de «amplitude ilimitada», como diria Llansol.

8.12.19

A ESCOLA QUE ERA UMA CASA

Da sessão de ontem, em que apresentámos a nossa edição mais recente da colecção «Rio da Escrita, que documenta a experiência das Escolas fundadas por Llansol e Augusto Joaquim em Lovaina nos anos setenta, retemos o excepcional comentário de Pascal Paulus (do Movimento da Escola Moderna, e que já se movia neste meio nesses anos em Lovaina) e a intervenção esclarecedora de Albertina Pena sobre os materiais do espólio de Llansol que documentam abundantemente esse projecto, com textos escritos e centenas de slides, fotografias, trabalhos de alunos, e sobre o modo de funcionamento dessa «comunidade incomum», des-hierarquizada e experimental, no sentido mais autêntico e criador do termo. 
 João Barrento com Pascal Paulus e Albertina Pena

Disso dá conta uma sugestiva anotação, que transcrevemos no livro, do «Caderno das Escolas» do espólio de Llansol, onde, ao longo dos anos de 1976-77, vai registando a sua «Observação participativa» dessa experiência pedagógica que durou uma década:

30 de Novembro de 1976
Na rua de Namur éramos uma Escola inteligente, mas a nossa opção era híbrida. Havia causerie [conversas] perfeitamente adaptada a seus fins: confrontação do corpo, ora com uma explosão ora com uma economia de movimentos.
Abertura do caminho de acesso a vários planos e realidades simbólicos, o que permitia deslocações e reajustamento da vida emotiva das crianças, e consequentemente uma maior mobilidade psíquica.
Havia longas horas em que crianças e adultos desenhavam a brincar como amigos que jogando descobrem que deram seus passos e estão agora um pouco mais além.
(Caderno 2.08, pp. 18-19)

As imagens que se seguem, e que foram integradas no livro, darão uma imagem do quotidiano da escola intencionalmente chamada «La Maison», «uma casa-escola que pretende funcionar como uma contra-escola» (Albertina Pena no prefácio), um lugar de formação integral e de vida plena, muito para além dos modelos de «instrução» da escola convencional e oficial.

27.11.19

O LIVRO DA ESCOLA QUE NÃO ERA UMA ESCOLA

A nossa próxima sessão pública (a última deste ano) trará ao Espaço Llansol um livro há algum tempo esperado – aquele que documenta as ideias orientadoras, o trabalho peagógico e o dia-a-dia das Escolas fundadas por M. G. Llansol e Augusto Joaquim na Bélgica, nos anos setenta.
Para nos falar desses tempos e desse projecto singular teremos entre nós dois comentadores especiais que, de modos diversos, viveram de perto a experiência da Escola «La Maison»: o pedagogo belga Pascal Paulus, do Movimento da Escola Moderna, há muitos anos radicado em Portugal; e o Prof. João Maria Mendes, amigo da «Gabi» e do Augusto nesses anos de Lovaina.
O livro que apresentamos oferece uma muito reveladora documentação escrita, fotográfica e artística dp trabalho dos «contra-grupos» que deram corpo a essas escolas alternativas, no contexto particular de uma «comunidade do incomum», como lhes chama Albertina Pena na sua introdução ao livro.

24.11.19

MARIA GABRIELA LLANSOL
24 de Novembro 1931 - 3 de Março 2008

Assinalámos ontem os 88 anos do nascimento de Maria Gabriela Llansol, com uma sessão em que ouvimos a gravação da entrevista que deu em 1997 a Graça Vasconcelos, jornalista da Radiodifusão Portuguesa: um retrato de corpo (e espírito) inteiro que nos trouxe a presença viva da «escrevente», dando a ouvir as motivações mais fundas da sua escrita, a relação privilegiada com Vergílio Ferreira e todo um percurso de vida. E «um mais-saber subiu à voz» que ouvimos, entrecortada por interlúdios musicais escolhidos pela entrevistadora, em íntima relação com os temas tratados: José Mário Branco a abrir (bela e inexplicável coincidência!), Jacques Brel, Madredeus, Dulce Pontes, Fausto, Leo Ferré... Na sala da lareira, uma exposição fotográfica e documental dava conta desse percurso de vida e de momentos significativos da presença de Maria Gabriela Llansol no espaço literário, em encontros nacionais e internacionais.
O caderno que fizémos para a ocasião transcreve a entrevista, e ainda alguns apontamentos inéditos como o que se segue, que podemos ler como testemunho da força do novo neste texto inconfundível.
 Em 4 de Jan. '97, quinta
1. Os dias merecem apontamentos, vistos da minha perspectiva. Se a minha perspectiva for incomunicável – não terá leitor que a alcance, nem ela alcançará nenhum leitor. O novo é incomunicável?
2. O sinal de que assim não é______ é que ele perturba.
3. Sem querer, perturba. É a vontade intrínseca da poesia_____ 
(Agenda nº 36, p. 14) 
E das habituais leituras, feitas no final da sessão por Sara Ferrada e Alexandra Pinheiro (que estudam teatro com o actor Diogo Dória), retemos o momento final:  

Regresso a Herbais, às zonas falhadas da memória, e verifico que o que tem importância para ser contado é o menos importante. O muito grande e banal vê-se – e é visto por todos os olhos.
Decorrido o fluxo da noite – e já amanhece – sinto com a mão a madressilva que plantei junto ao muro exterior da casa, e que mil vezes há-de morrer sem que de facto morra, enquanto estas páginas forem vivas – e alcancem mais do que a minha precária vida. De amarelo fugaz, e cheiro intenso,
a madressilva, sempre que eu ia e regressava,
estava coberta de alegria.
Era a verdadeira e última consistência da velha parede. Poeira dissolvida que se reconstitui e regressa agora.
O meu corpo conflui de lugares longínquos. É de noite. A luz exterior da entrada, suspensa de uma viga, acabou de acender-se. O luar libidinal impele-me a entrar em casa e ir dormir com quem amo. A natureza não humana apaga-se atrás de mim.
(Caderno 1.51, p. 62, 4 de Junho de 1998, domingo). 


11.11.19

LLANSOL AUTORA DO MÊS NOS AÇORES

A Biblioteca Municipal de Velas, na Ilha de São Jorge, escolheu Maria Gabriela LLansol como autora do mês no seu ciclo «A casa da Leitura».  Agradecemos à Biblioteca, e só lamentamos não poder estar presentes!
Mais informação aqui: https://www.municipiosefreguesias.pt/noticia/57247/maria-gabriela-llansol-e-a-autora-do-mes-de-novembro-na-biblioteca-municipal

6.11.19

«... VIBRAR NA DIRECÇÃO DE UM MUNDO NOVO...»
Nos 88 anos de Llansol

No próximo dia 24 de Novembro Maria Gabriela Llansol faria 88 anos. Antecipando o dia do seu aniversário, faremos no sábado 23 de Novembro, às 17 horas, uma sessão especial acompanhados por Llansol, não só em espírito, mas em vibração sonora; ouviremos, a partir da cassette original, uma entrevista feita na rádio em 1997 (com a jornalista Graça Vasconcelos), em que é possível acompanhar a imagem humana, o percurso e as motivações da escrita de Llansol através da sua própria voz. Uma conversa altamente reveladora, entrecortada por canções portuguesas (José Mário Branco, Teresa Salgueiro/Madredeus, Dulce Pontes, Fausto) e francesas (Jacques Brel, Bernard Lavilliers, Leo Ferré), escolhidas pela entrevistadora para acompanhar e iluminar alguns dos temas da conversa.
E para completar este retrato vivo ouviremos ainda as actrizes Sara Ferrada e Alexandra Pinheiro (da ESAD das Caldas da Rainha) ler textos de Llansol, de carácter muito pessoal, quase íntimo, como convém mais a esta data. E haverá como sempre um caderno que reproduz a entrevista e algumas páginas de inéditos. Poderá ser uma tarde memorável.