24.2.16
LLANSOL E RAIMUNDO LLULL:
Um manifesto político
Há um texto de Maria Gabriela Llansol, publicado em 1991 na revista Vértice e incluído no primeiro volume de Lisboaleipzig (O Encontro Inesperado do Diverso) que pode ser lido como um comentário ao Livro do Amigo e do Amado, do místico catalão Raimundo Llull, mas também como um poderoso manifesto político da autora da «Geografia de Rebeldes».
Esse texto preenche agora o Caderno de Leituras nº 43, uma edição gratuita distribuída em formato digital pela editora brasileira Chão da Feira.
Se eventualmente não conhece o «Diálogo com Llull», pode lê-lo clicando na ligação que se segue e descarregando o caderno na página da editora, aqui: http://chaodafeira.com/cadernos/dialogo-com-lull/
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21:59
16.2.16
LLANSOL E O «ESPAÇO» NA ALAGAMARES-TV
A Alagamares-TV, um canal local da Associação Cultural Alagamares, esteve no Espaço Llansol e fez aí uma reportagem sobre a figura de Maria Gabriela Llansol e o nosso trabalho.
Pode ver-se neste vídeo (e também no MEO KANAL, com o código 499383):
Publicado às
11:57
8.2.16
ENCONTROS IMPROVÁVEIS:
A fotografia e a escrita
A fotógrafa Teresa Huertas tem-nos proporcionado, discretamente, «encontros improváveis» de grande intensidade, beleza e troca verdadeira com a escrita e o pensamento imagético de Maria Gabriela Llansol. Primeiro, em 2013, no nosso espaço da «Letra E», com a exposição Lava Walks, «paisagens com figura» (a do próprio corpo da fotógrafa) nos glaciares da Islândia. Agora, com o «exercício melancólico» (que temos de entender no sentido benjaminiano: que destrói para ganhar sentidos novos a partir das ruínas) que intitulou Aparições e Desaparecimentos, volta a aproximar-se, de forma não deliberada, mas inequívoca, dos temas llansolianos do olhar e da figura, da memória e do esquecimento. Foi o que puderam constatar os que no passado sábado encheram a Galeria Diferença, em Lisboa, onde Teresa Huertas mostrou as suas fotografias e conversou sobre esta sua experiência com João Barrento.
Subjacente a este seu trabalho de restituição/emancipação/amplificação de uma série de rostos, «quase-retratos», está a ideia de «devolver uma imagem», como lhe chama Georges Didi-Huberman num texto recente (em Pensar a imagem, Belo Horizonte, Ed. Autêntica, 2015) em que aborda este tipo de trabalho com as imagens, visando libertá-las do suporte e do lugar institucionais estáticos para as trazer de novo à luz, ao olhar comum – para «instituir restos» esquecidos ou censurados. Este trabalho de restituição, que corresponde exactamente ao da génese das «figuras» llansolianas, implica, dizia já Derrida em La vérité en peinture (um livro de 1978), uma ética da dívida (a todos nós, sujeitos e objectos do olhar perante os rostos emancipados do seu limbo) e do dom (a dádiva do dar a ver de novo o que, por razões diversas, ficou escondido ou soterrado).
Ao «profanar» – pela sua fragmentação, que é igualmente uma devolução à vida – um objecto aurático original (uma fotografia de grupo, e de estúdio, de um casamento há quase um século), a fotógrafa restitui o que era da esfera quase-sacra do museu à esfera profana que é de todos e transforma o que era da ordem do gregário e cultual em «singularidades operativas» (neste caso, rostos que agem sobre quem os olha). A «profanação» é, neste sentido que lhe dá Giorgio Agamben, uma emancipação e uma restituição ao uso livre. Esta «profanação» resulta, no trabalho de Teresa Huertas e de Llansol, num processo alquímico que de pessoas/personagens faz figuras: arranca-as a um limbo quase indiscernível ou intocável para as trazer de novo à luz – uma luz que pode ser baça e opaca, mas que por isso mesmo vem mais carregada de enigma e de promessa.
No texto que abre o caderno que fizemos para esta sessão, Teresa Huertas explica, em síntese, este seu «exercício» em que trabalha uma matéria «sensível e sedutora, misteriosa e fantasmática»:
O encontro com uma imagem fotográfica, que integra um velho
álbum de família depositado num arquivo museológico, foi o pretexto
para um exercício que questiona a Fotografia enquanto instrumento de
representação e a convoca como estética da ruína. Trata-se de uma prova
de estúdio que regista um retrato de grupo numa cerimónia matrimonial
na segunda década do século XX. O cliché cumpre a primeira função
popular do medium: perenizar acontecimentos importantes dos
indivíduos no seio familiar ou num grupo (Sontag), não aspirando a
qualquer intenção mais elevada.
Se nos perguntarmos quais são os elos de ligação desta experiência singular com a Obra de Llansol e o seu mundo, facilmente constatamos que esses elos são vários, como deixa claro o texto de João Barrento que fecha o caderno: «o lugar da
imagem, do rosto e da figura (que não pode deixar de ser rosto próprio), o
papel da memória (e do esquecimento) no processo criativo de Llansol, que é
também um trabalho sobre ruínas – da História e da existência, da própria e da
humana em geral – com vista a salvar delas um qualquer resto luminoso, uma
restante vida…»
O resto está, com muitos fragmentos inéditos de Maria Gabriela Llansol sobre «Rosto | Figura | Retrato | Olhar», no caderno que intitulámos ROSTOS: Aparições | Desaparecimentos, do qual Maria Etelvina Santos e Helena Alves leram uma sequência de textos.
E aqui ficam alguns momentos da tarde de sábado, com fotografias de Fabrice Ziegler:
E aqui ficam alguns momentos da tarde de sábado, com fotografias de Fabrice Ziegler:
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11:24
7.2.16
LLANSOL: A REINVENÇÃO DE PESSOA
O suplemento Ípsilon do Público da última sexta-feira traz uma primeira crítica ao recente Livro de Horas V, organizado por Maria Etelvina Santos. António Guerreiro destaca o trabalho imenso que se esconde por detrás deste longo e persistente trabalho de escrita em que Llansol, ao longo de trinta anos, reinventa Pessoa.
«Quem se interessar por penetrar e desbravar a sua obra imensa, este quinto volume do Livro de Horas (…) é precioso. Ele permite-nos perceber perfeitamente que Maria Gabriela Llansol nunca escreveu livros como unidades autónomas. (…) A sua obra é um imenso e intrincado puzzle, como sugere Maria Etelvina Santos na sua introdução. Neste aspecto, ela tem algumas afinidades com a de Pessoa. Maria Gabriela Llansol, podemos perceber, é também uma escritora póstuma, não apenas pelo imenso espólio inédito que deixou, mas também porque podemos aproximá-la da categoria nietzschiana dos 'homens póstumos', figuras de grande envergadura, que nunca são contemporâneos do seu próprio tempo.»
(A crítica de António Guerreiro pode ler-se clicando na imagem abaixo, ou arrastando-a para o ambiente de trabalho)
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16:15
1.2.16
A FOTOGRAFIA E O TEXTO
Diálogo M. G. Llansol | Teresa Huertas
No próximo sábado, 6 de Fevereiro, na Galeria Diferença (Rua S. Filipe Neri, 42-Cave, ao Largo do Rato), traremos de novo ao texto de Llansol a fotografia de Teresa Huertas, que já recebemos na «Letra E» em 2013 com um outro diálogo, o da paisagem.
Desta vez a «Letra E» desloca-se para Lisboa, para – com a generosa colaboração da Galeria Diferença e da Irene Buarque – nos ocuparmos de um tema (Rostos, Aparições, Desaparecimentos) que nos foi sugerido pela mais recente experiência da fotógrafa, que exporá e projectará dezasseis fotografias de rostos em evanescência, que se encontram com o interesse pela imagem em geral, e em particular pelo rosto, a figura e a memória nos textos de M. G. Llansol. Nesses rostos, cuja história singular desvelaremos, encontramos o mesmo enigma da origem e do velamento com que deparamos em tantos textos de Llansol.
(clique na imagem para aumentar)
João Barrento conversará com a fotógrafa, leremos textos de Maria Gabriela Llansol (muitos deles inéditos), e teremos como habitualmente um caderno que reproduz em extratexto as 16 fotografias e inclui fragmentos de Llansol e textos de Teresa Huertas e João Barrento.
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18:14
31.1.16
AS SINTRAS DE LLANSOL:
«Em passo de pensamento»
Tivémos ontem a primeira sessão da nova fase da «Letra E», em que começámos por evocar a «Carta de princípios» deste nosso espaço público, agora distribuído por vários lugares de acolhimento, para lembrar como a «comunidade na diáspora» mantém os princípios que desde sempre a orientaram.
Voltámos ao MU.SA-Museu das Artes de Sintra, com um tema perfeitamente ajustado ao local. Maria Etelvina Santos e João Barrento contextualizaram o tema – «As Sintras de Llansol» – esclarecendo algumas das noções-chave de M. G. Llansol importantes para compreender a sua relação com os lugares da experiência e a sua transformação em lugares-do-Texto: noções como as de «Lugar», «Paisagem», «Memória», «Figura» ou «Encontro».
Passámos um vídeo que dá a ver os lugares da deambulação pensante de Llansol, entre Colares/Praia das Maçãs/Mucifal/Penedo, e vários percursos na Vila de Sintra, com particular destaque para a Volta do Duche e de uma figura magna nela implantada, o «Grande Maior». O vídeo pode ver-se aqui:
Finalmente, e antes de uma viva conversa com o público, quatro alunas da Escola Secundária de Santa Maria (orientadas pela professora Maria Fernanda Peixoto, a quem muito agradecemos) leram durante meia hora alguns dos textos sobre esses lugares, que figuram no caderno feito para este dia: M. G. Llansol: Sintra em passo de pensamento.
Para os que não puderam ir a Sintra, transcrevemos ainda do Caderno a introdução de João Barrento:
As Sintras de Llansol
De
regresso ao «país português» após vinte anos de exílio na Bélgica, Maria Gabriela
Llansol parece a princípio sentir-se perdida no seu novo-velho habitat, que lhe
surge «como um dado esbatido a decifrar». Estamos em 1985, a princípio, por
poucos meses apenas, no Mucifal, depois em Colares, nessa primeira verdadeira
casa-abrigo que recebe o nome basco de «Toki Alai», lugar onde, como nas casas
da Bélgica, «se faziam ouvir os primórdios do que estava para ser». E muito foi
o que nasceu nos espaços de Sintra, que o olhar de quem os escreve, no seu
«passo de pensamento», transforma em verdadeiros lugares – não cenários ou objectos
de descrição, mas pretextos de visões e vislumbres, de gestação de figuras e de escrita
livre.
Por isso
a velha questão dos lugares e da sua relação, directa ou indirecta, com o que
neles, ou a partir deles, se escreve, assume no caso de Llansol contornos
radicalmente diferentes dos mais habituais. Como os fragmentos deste caderno
mostrarão, os lugares de Sintra (incluindo aí a experiência dos dez anos de
Colares) que para ela apelam não são os mais óbvios e expectáveis. Longe disso,
trata-se quase sempre de uma geografia muito pessoal, em consonância com um
universo de escrita singular e um modo de estar no mundo a contrapêlo dos
lugares-comuns que o cristalizam. São muitas vezes lugares em que ninguém
repara (se este texto não alertar para eles), lugares sem nome que desencadeiam
torrentes de escrita, encontros insólitos, micronarrativas inesperadas – o
«Pinhal» em Colares, as ruas, as pessoas, os gatos anónimos, o plátano nomeado
de «Grande Maior» ou a «Vivenda Anna» em ruínas, em Sintra.
Mas
outras vezes a Vila e os seus lugares emblemáticos – a Volta do Duche, a Vila
Velha (e aí o adro da igreja de S. Martinho), a Serra ou simplesmente a casa da
Estalagem da Raposa – libertam a imaginação e as mais inesperadas associações,
produzindo peças de escrita visionária, no sentido literal do termo:
antecipatória, criadora de mundos alternativos, intensamente imagética – como
sempre o fez a escrita de M. G. Llansol. Em qualquer lugar pode «brotar a
imagem», e esse lugar, de todos conhecido, transfigura-se a ponto de se tornar
inassimilável à sua imagem mais comum e trivial. Um passeio à Vila Velha para
meter uma carta no correio, uma manhã na Sapa ou uma visita ao antigo Museu
Berardo convocam figuras e encontros (a mulher do quadro de Balthus, Marguerite
Yourcenar, a mulher do campo que conhece os «Estudos Gerais das Árvores»
sintrenses) e resultam em paisagens textuais únicas, nascidas de um território
que é o de todos.
Essas
paisagens, a própria escritora as foi criando nos lugares onde viveu: em
Colares, elas desenrolam-se entre a casa, o pinhal e o mar; em Sintra, entre a
Estalagem da Raposa e os lugares circundantes, da Estefânea à Vila, muitas vezes
com a Serra (a sua, a de «Sintra, a montanhesa») em fundo. Mas talvez se deva
dizer que a grande e decisiva paisagem foi sempre, para Llansol, a das casas,
como muitos registos neste caderno deixam perceber. Daí parte-se para o mundo,
ou simplesmente vê-se o mundo para o reinventar.
Nunca
Llansol escreveu sobre os lugares onde viveu: cria os seus próprios, escrevendo
com eles, com as energias que neles pulsam. Assim, como seria de esperar, não
há aqui a mínima ilustração ou representação literária dos lugares – que por
isso nem «cenário» são, como em tantos outros autores que por Sintra passaram, dos Românticos a Eça ou a Vergílio Ferreira.
A Sintra escrita por Llansol (a Sintra de Llansol) corre, assim, o risco de
muitas vezes (aparentemente) se distanciar do seu objecto, em vez de, como
quase sempre acontece, o reflectir, idealizar ou sacralizar. Mas este é o processo de deslocamento do
olhar, e de estranhamento criativo, comum a toda a escrita de Maria Gabriela
Llansol.
Publicado às
15:48
6.1.16
A «LETRA E» CONTINUA…
Programa para Janeiro e Fevereiro
Mudam os lugares, mas mantém-se o espírito. As sessões da Letra E do Espaço Llansol continuarão, em Sintra e Lisboa, e temos já pronto o programa das sessões de Janeiro e Fevereiro.
Em 30 de Janeiro, no MU.SA-Museu das Artes de Sintra (na Sala da Clarabóia, às 16 horas), falaremos da Sintra de Maria Gabriela Llansol, dos seus percursos, do seu modo de ver, reinventar e sonhar os lugares, entre a Praia das Maçãs e a Praia Grande, a Várzea de Colares e a Serra, a Volta do Duche e a Vila Velha, os cafés de Sintra e os «Estudos Gerais das Árvores». Apresentaremos um video feito a partir do arquivo fotográfico do Espaço Llansol, e alunas e alunos da Escola Secundária de Santa Maria, em Sintra, lerão excertos dos cadernos de Llansol sobre lugares de Sintra
No sábado seguinte, 6 de Fevereiro, a partir das 16 horas, estaremos em Lisboa, na Galeria Diferença (Rua de S. Filipe Nery, 42, ao Rato), com mais uma exposição da fotógrafa Teresa Huertas (Aparições, Desaparecimentos), em que exploraremos as surpreendentes e fascinantes ligações entre este projecto de re-figuração de rostos a partir de uma fotografia antiga e o lugar do rosto e do olhar, ou as noção de figura e de retrato na escrita de Llansol.
Para cada uma das sessões, como já vem sendo hábito, teremos um Caderno da Letra E, numa segunda série que agora se inicia.
Publicado às
17:17
26.12.15
27.11.15
LLANSOL NA CASA FERNANDO PESSOA:
SOB O SIGNO DO AZUL
Neste dia, faz hoje 84 anos,
nascia bem perto do lugar onde nos encontramos, aqui em Campo de Ourique, Maria
Gabriela Llansol. E num outro, há 21 anos (em 18 de Julho de 1994), estava
Maria Gabriela Llansol nesta Casa para a apresentação do seu primeiro grande
livro pessoano, Lisboaleipzig, por
Eduardo Prado Coelho.
Para ir ao encontro do título
do Livro de Horas que hoje
apresentamos – O Azul Imperfeito –, e
porque imagino que o azul será a cor do «final feliz» de que Llansol anda à procura
quando traz Pessoa para o seu texto, em O
Ensaio de Música, penso que o azul poderá ser visto como a cor deste dia do
seu nascimento. Mas também Pessoa é por excelência o poeta da im-perfeição e da
nostalgia de um certo azul, se este pudesse ser uma «consciência azul» que
funcionaria nele como contraponto do «azul que pertence ao céu», de Llansol
(LHV, p. 301).
O azul é em Llansol metáfora,
ou imagem, de uma completude ou perfeição que não exige explicação («O azul é o
sinal da esfera terrestre»), uma cor e um lugar que anulam as tensões do ser
(ninguém questiona o miosótis pelo seu azul, o azul não tem origem, etc.) – o
azul é aquilo que é, como o deus de Israel, e nessa sua quietude de ser é
in-questionável. É assim em geral, desde a Bíblia, passando por muita pintura,
de Giotto a Yves Klein e Almada, e muita literatura e poesia em que o azul é
por excelência o objecto da nostalgia do intocável e acabado - em Hölderlin
("In lieblicher Bläue"/ "Em azul ameno") ou em Novalis (na simbologia da Flor Azul), também em
Llansol, como «figura de contemplação» (LHV, p. 360).
Ao introduzir, com a
adjectivação de «imperfeito» (intrínseca à essência da aventura pessoana, e
também llansoliana), aquele leve tremor na intangibilidade soberana do azul
(tão mais própria do universo da música de Bach), Llansol põe também desde logo
em cena o núcleo figural mais relevante deste projecto, a dupla Pessoa-Bach, a
poesia (moderna e problemática) e a música (intemporal e quase divina).
Se a sala dos Bach em Leipzig
é «um infinito azul» (LHV, p. 274), cada quarto alugado de Pessoa em Lisboa é o
espaço cinzento e fechado de um ajudante de guarda-livros sonhando com o azul,
na plena consciência de nunca o alcançar (em certos momentos, ele parece estar
do outro lado do muro, ou da janela
aberta, no Esteves que sai da tabacaria – mas esse será, ainda assim, um azul baço, «sem
metafísica», apenas de «coisa real por fora» e não o do «sonho, como coisa real
por dentro»).
Voltando a este dia 24: nós
sabemos exactamente onde a Maria Gabriela nasceu, aqui em Campo de Ourique (na Rua Azedo
Gneco, mas passando a viver, ainda muito pequena, na Domingos Sequeira):
poderia ainda ter-se cruzado com Fernando Pessoa, ao colo da Maria Amélia, ou
já andando por seu pé, a caminho da casa da «Avó Azul» (!), como chama áquela
que vivia também na Rua Domingos Sequeira, um pouco acima da dos pais.
Mas com Llansol sabemos
também que se pode nascer em qualquer lugar, e como que «sem origem», como ela
diz do azul numa breve gravação que iremos ouvir a seguir. De facto, como
também Nietzsche, e talvez Pessoa, sabiam, não é a origem genealógica que mais importa,
mas aquela que se escolhe. Para Pessoa, Llansol encontra uma outra em Leipzig,
fazendo-o renascer aí; para si própria escolhe várias, por exemplo a de nascer «no
decurso da leitura silenciosa de um poema», «na sequência de um ritmo», como
lemos no início de um dos seus livros. Ou aquela outra que deriva do que, em Amigo e Amiga, designa de «operação do
azul», que é aí a cor do trabalho de luto que consiste em ser capaz de apagar
«o negrume da noite» para deixar surgir «o fulgor que há nas coisas». Que será
certamente azul. Penso que isto é audível na voz da Maria Gabriela, no excerto
de Amigo e Amiga. Curso de silêncio de
2004, que ouvimos neste vídeo que hoje aqui trazemos de novo. É um modo, entre outros, de evocarmos a sua
memória, ainda sob o signo do azul.
João Barrento
[Foto: Maria Etelvina Santos]
Maria Etelvina Santos
Uma outra percepção de elos e de relações
O conjunto
de inéditos de Maria Gabriela Llansol que
constitui este Livro de Horas V, O Azul Imperfeito,
reúne (como indicado em subtítulo) todos os textos que, redigidos entre 1976 e
2006, surgem associados ao «Projecto Lisboaleipzig», onde é central a figura do
poeta Pessoa, juntamente com a do músico Bach e a do filósofo Spinoza.
Devo salientar,
como ponto prévio, que esta
apresentação não incidirá, pela sua necessária brevidade, em aspectos de ordem
processual que se prendem com critérios de selecção do corpus
final deste livro, ou de inclusão de notas e de remissões, aspectos todos eles
explicitados na respectiva introdução ao volume; excluo também a referência às
diferentes tramas narrativas que, embora protagonizadas por Pessoa na figura de
Aossê, estão largamente desenvolvidas em livros como Lisboaleipzig, Um Falcão no
Punho, Um Beijo Dado Mais Tarde, Onde Vais Drama-Poesia? ou O Senhor de Herbais, para referir apenas
alguns, pois dos cerca de trinta livros publicados por Llansol, metade incluem
Pessoa-Aossê como figura. Procurarei, antes, seguir duas linhas de leitura em
constante diálogo que, estando presentes nos livros editados por Llansol, se
acentuam e esclarecem com a publicação destes inéditos: uma que tenta perceber
o que em Pessoa motivou Llansol, a ponto de se fazer acompanhar e dar
testemunho da presença do poeta ao longo de trinta anos de escrita; e outra que
procura mostrar como através da transformação de Pessoa na figura de Aossê, e
tomando esta recolha como paradigma do gesto literário e da oficina de escrita
de Llansol, podemos observar temáticas recorrentes e programáticas do seu
texto.
I.
Dar conta do
imenso rio subterrâneo que corre paralelo ao rio da escrita que vai sendo dada
à estampa, observar textos que partem e textos que ficam, apela a uma leitura
articulada com os diferentes livros, o que, no caso de Llansol, contribui
significativamente para irmos completando as múltiplas constelações figurais
que constituem o seu texto. Na primeira página do livro Causa Amante, Llansol dá uma imagem que nos legitima a seguir este
modo de ler, cruzando os textos dos livros com os textos dos diários
manuscritos. Fala do seu jardim da casa de Herbais coberto de neve, ocultando
os arbustos, e completa: «como se a
estrutura dos arbustos e os relevos que sustentam a neve fossem o meu diário, e
a neve total que os cobre, os meus livros, desde o livro das comunidades».
Noutro momento, evoca a figura de Coração do Urso, o que protege os livros por
dentro, como sendo «o companheiro permanente da espera». É essa relação dos
textos dos diários como textos em espera,
que é significativa no caso de Llansol (como também aconteceu com Pessoa,
embora por diferentes caminhos). Os inúmeros inéditos que percorrem as páginas
dos diários de Llansol não ficavam esquecidos nos cadernos manuscritos depois
da publicação dos respectivos livros, ficavam à espera que as figuras os chamassem a novos livros, o que
recorrentemente acontecia. Por isso a sua obra é um texto contínuo, por isso os
dois planos dos textos éditos e inéditos podem, com legitimidade, ser cruzados
ininterruptamente, de modo a completar ideias retomadas. Cabe ao leitor a
multiplicidade das leituras. Quanto a nós, o que podemos continuar a fazer é
apenas ir contribuindo para desenhar o imenso mapa da escrita llansoliana,
édita e inédita, e é tarefa para muitos anos.
Tratando-se, no caso deste Livro de Horas V, de um volume de inéditos reunidos cronologicamente, não existindo nele a
organicidade dos diferentes fios narrativos que, não sendo embora apanágio do
texto de Llansol, está presente nos livros publicados pela sua mão, ainda
assim, podemos ver nele os mesmos módulos
de pensamento que, como nos livros editados, viajam ao sabor e pelo saber
das horas e dos dias, interligando-se, acrescentando, desdobrando e
amplificando possibilidades
textuais geradoras de novos pensamentos criadores ou de diferentes modos de fazer mundos.
Num texto
agora editado, com data de 10 de Junho de 1983, com o título «Os trinta últimos
momentos de Aossê», Llansol parece sintetizar o modo como leu o poeta Pessoa,
que afirma pela voz de Aossê: «todas as minhas camadas
foram quebradas no combate, deixo um rasto que se assemelha a um grupo disperso
de plantas fósseis, e aponta ao meu coração que não cessa, com uma corda, de
dar pancadas no meu corpo; [...] deixo de sentir a fadiga dos meus vários
nomes; [...] estou só na minha sombra, sou o superlativo absoluto simples, ou a
verdadeira causa de exceptuar».
E
continuo, com um excerto do dia 11 de Julho de 1983: «Bach [...] era o guardião da sua vida naquele momento, que
fechara, não metaforicamente, a porta para onde a morte o queria levar. Porque
Aossê devia viver mais do que os seus quarenta e cinco anos já vividos – desse
a morte por onde desse. E [...] a partir daí, seus animais descalços e
taciturnos, a que chamavam heterónimos, haviam de ser domados e repletos da
unidade de Aossê».
É
este o Pessoa de Llansol, transmudado na figura de Aossê, a caminho de uma
unidade perdida em Lisboa e recuperável em Leipzig. Enumero apenas algumas das
linhas recorrentes da sua transmutação, que com este Livro de Horas V se clarificam:
Na
página de rosto da sua edição do Livro do
Desassossego, Llansol enuncia:
«Bach
organiza Pessoa / Pessoa caotização de Bach».
«Gostava de
exprimir a parte de felicidade que ele não teve».
Com base
neste enunciado, iremos assistir à criação de figuras femininas necessárias à
realização deste propósito. Refiro duas: Anna Magdalena Bach, a mulher-mãe, a
que representa o amor na casa dos Bach, a mulher que faltou a Pessoa, ela ou
Elizabeth, a filha do casal Bach, que se apaixonará por Aossê; e Infausta, por
vezes nomeada como o heterónimo feminino de Aossê, noutras surgindo como
narradora ou «a chave da porta»; Infausta que nestes inéditos dá a ver o imenso
percurso que está por detrás do seu nome, desde Infalsa a Infausta, ela que
começou por ser Florbela e Mansuetude. É talvez das figuras que mais se
completa com a edição deste volume de inéditos.
Outra linha
recorrente prende-se com a ideia de casa, com tudo o que ela pressupõe: a casa
única, desejada, que Pessoa não teve, apesar das muitas por onde passou, e que
Aossê encontra em Leipzig na família Bach. E que é também a casa onde a música
se ouve, dentro e fora, até ao canto de Anna Magdalena. Casa onde Aossê será
recebido, como hóspede e peregrino, ele «o poeta estrangeiro» – casa que lembra
a da infância perdida, a do Largo de São Carlos, com a música por perto.
Também o
desejo de viagem é uma constante em Pessoa e na sua transformação nos textos de
Llansol: «Ir pelo mundo teria sido a alegria inteira de Aossê», diz-se em 11 de
Janeiro de 1983.
E também a
cidade como lugar de encontros ou da falta deles, a Lisboa de Pessoa, cidade
que reprime, cinzenta e de vontades sempre adiadas. A Lisboa que se transforma
em Lisboaleipzig, não a cidade inventada, não como lugar geográfico, mas como
lugar textual, o lugar da «efectivação do
possível».
Refiro
apenas mais uma linha de leitura que com este Livro de Horas V se amplifica: a da intertextualidade dos textos de
Llansol e Pessoa, principalmente de Alberto Caeiro e Bernardo Soares, com
muitas citações explícitas de «O Guardador de Rebanhos» e do Livro
do Desassossego.
II.
Os novos
mundos possíveis que o texto põe em prática, como o que resulta do encontro
entre os Bach, Aossê, Infausta e Baruch Spinoza, são, no dizer de Llansol,
«fascinantes e incómodos, aparentemente utópicos» porque parecem nascer só da
linguagem, parecem vir do nada, mas «existem, são futuros», como refere no
livro O Senhor de Herbais. Nesta frase gramaticalmente paradoxal –
«existem, são futuros» – reside um
dos motores da escrita de Llansol, para o qual convoca Fernando Pessoa e a
leitura que dele faz, para depois deixar a quem lê a tarefa de saber dar força
e pujança ao não-evidente e, de modo similar, reconhecer o que dizem os autores
que não são do seu próprio tempo, os póstumos, os intempestivos, que
generosamente nos retiram o tapete do «horizonte de expectativa» em que nos sentamos.
Neste
sentido, falando de Maria Gabriela Llansol estamos também a falar de Fernando
Pessoa, de Emily Dickinson, de Rilke ou de Hölderlin, daqueles que propondo-nos
um «pacto de inconforto», negando-nos a certeza de um sentido, nos oferecem, à
deriva de protocolos de leitura, a intensidade do acto de ler e a possibilidade
de criar pensamento. Com eles
aprendemos que é pelo desassossego e no jogo do intenso que o vislumbre
acontece. E a leitura, como da escrita diz Llansol n’ O Livro das Comunidades, vislumbra, não presta para consignar.
Como no caso
do vislumbre, o reflexo de luz que antecipa, também no texto llansoliano o
carácter fragmentário e aparentemente des-ordenado, acentrado face a uma condição narrativa, antecipa e produz
núcleos de significação ou cenas irradiantes, geradoras de intensidades
dramáticas que põem em acção outras viabilidades de sentido e,
consequentemente, uma outra percepção de elos e de relações. Dizer isto da escrita de Llansol é dizer o
mesmo de Pessoa face à sua condição poética: a mesma intensidade
dramática, o mesmo carácter fragmentário, a mesma infinitude compósita. Em
ambos a capacidade modular e
antecipatória de contribuir, ainda que de modo diferido, para a efectivação do possível. Em ambos a
condição fragmentária não se fixa, aspira ao movimento, exactamente para que o
sentido, sendo também mutante, continue a proporcionar o vislumbre.
É da «imensa
fragmentação que Pessoa deixou escrita», e do vislumbre dessa leitura, que
emerge o enorme potencial que Llansol viu nele. Pessoa que não será personagem
de romance, porque para Llansol o potencial que, como outros ele oferece, está
para além do ficcionável. Por isso o texto llansoliano, como sabemos, não cria
indivíduos-personagens, mas módulos transitáveis de energia, figuras de
«recomeço de novos ciclos de pensamento e de formas de viver», como se diz em Um Falcão no Punho (FP: 97). Não
personagens, não heterónimos, como o poeta antecipou, mas figuras, para que,
destituídas de psicologia, possam suscitar novas formas de pensar o humano.
É esta a
força projectiva do texto de Llansol, para o qual convoca Pessoa – «conceber um
mundo humano que aqui viva», sendo que o humano precisa de ser redefinido (e
hoje de modo ainda mais premente). Alargar a noção de humano ao vivo da espécie terrestre, como Llansol
propõe, deverá ser o contrato a estabelecer com o mundo. Efectivar essa
possibilidade, ainda que como linha do horizonte, é tarefa para inúmeras
gerações; primeiro recuperando vestígios, depois, sobre esta terra (que outra
não temos) ensaiar poeticamente novas humanidades, leia-se, pôr a agir de outro
modo, fazer ser novas formas de
humano. Pessoa mostrava-se capaz da tarefa, mas num país adiado.
Llansol vai
ensaiar, com Pessoa e através dele (com a ajuda de Bach e de Spinoza), esse
contrato que implica redefinir o humano, ao alargá-lo a todo o vivo e ao
fazê-lo evoluir através de várias humanidades, das quais a bi-humanidade de
Aossê, narrada em Lisboaleipzig, será
a primeira, não sob a forma do hermafrodita (pelo regresso a uma mítica origem
perdida), mas sob a forma do híbrido que pertence a uma geração sem-nome, capaz
de mutação, e que seja sinal da evolução da espécie. A figura do híbrido,
explicitada mais concretamente num livro como Parasceve, publicado em 2001, está presente no «projecto
Lisboaleipzig» através da figura do falcão, gerado por Aossê, anunciando o híbrido de um homem novo com
olhos de falcão. Mas é preciso pensar esta imagem quimérica, a do novo ser,
para além do fabuloso: se Llansol atribui a Pessoa-Aossê a capacidade de gerar
um homem com olhos de falcão, habitante dos ares, é para lhe retirar a
«projecção maiúscula» que lhe atribuímos como poeta-pátrio onde o enredámos, e
pondo ênfase no uso da retina tentar chegar à Índia por outra via, abordar o
Oriente de outra perspectiva, ou seja, definir outros métodos ou caminhos para
o humano, fora da esfera do poder e do lucro, construindo através do falcão
Aossê «uma nova arquitectura para a aventura da água». Tentar perceber, não
historica mas esteticamente, como se desconstrõe o «paradigma da água», símbolo
da nossa ideia viciada de glória. O ar será um meio mais propício a Aossê, e a
música de Bach a possibilidade dessa elevação.
Se «os
limites da espécie humana não são conhecidos», e não é só Llansol que o diz,
ensaiar a leitura do encontro entre o poeta Pessoa e o músico Bach,
submetendo-os ao pensamento de Spinoza, pode provocar uma mudança de escala:
pode, por exemplo, relançar o
pensamento sobre a glória de Deus na música de Bach, sobre a postura de
poeta-pátrio em Pessoa, ou sobre o nome do atributo escondido na Ética de Spinoza; isto, e muito mais, se
nos apercebermos da «complexidade inextricável» desse encontro, escovando a
História a contrapêlo, como propunha Walter Benjamin, ou submetendo os textos a
pontos de vista desconstrucionistas, como tão bem entendeu Derrida, que teria
tido no texto llansoliano um gratificante campo de leitura.
Bach arranca
Pessoa da «ínfima escala» em que este se encontra como poeta-pátrio, se
conseguirmos ler nessa imagem uma mudança de paradigma, a da substituição do
conceito de pátria pelo de comunidade, aliás mais conforme ao desejo de Pessoa,
como tantas vezes enunciou, de contribuir «para o progresso da civilização e o
alargamento da consciência da humanidade», como refere, logo em 1915, numa
carta a Armando Côrtes-Rodrigues.
Que
potencial de leitura se esconde nos inúmeros planos deixados por Pessoa! Quantas
humanidades subterrâneas e encontros possíveis não chegaram ainda a acontecer,
quantas possibilidades, para além do jogo heteronímico, foram já soterradas
pela leitura dispersiva dos seus nomes!
Não faço
juízos de valor. É verdade que cabe à crítica a difícil tarefa de consignar,
não tanto a de vislumbrar, mas cabe às escolas
de saber livre (modo como António José Saraiva, em tempos, se referia às
universidades) ensaiar novos modos de ler os grandes textos (para que não
corram o risco de cair em estereótipos canónicos e leituras feitas), porque é
no vislumbre que se ensaia o jogo do possível, e é para efectivar o possível
que eles foram escritos. Descobrir-lhes as potencialidades e os vestígios que
deixaram é o que nos permite (ou não) prolongá-los numa «sobrevida» operante
que formule, hoje, novos modos de pensar a nossa condição no mundo, porque como
póstumos eles estavam já a ler e a escrever estes nossos dias futuros.
A edição de
textos inéditos, em autores multímodos e de uma complexidade tão abrangente em
termos fragmentários, como Pessoa ou Llansol, pode ser particularmente
elucidativa por potenciar linhas de pensamento que, por vezes, extravasam os
domínios circunscritos à publicação dos textos editados. Pessoa porque quase
nada publicou em livro, Llansol porque deixou, para além dos livros, um imenso
espólio inédito – «restos que se revoltam», assim lhe chamou, porque reunem a
força de um dia serem chamados a efectivar
o possível.
III.
Uma última
palavra para o título deste Livro de Horas V, O Azul Imperfeito, anotado num inédito como título para o terceiro
volume de Lisboaleipzig que,
previsivelmente, seria uma obra em seis ou sete volumes, o que justifica o
imenso material que permaneceu inédito. Também a ele me refiro na introdução.
Gostaria agora de lembrar apenas o vocábulo «imperfeito» – não o seu
significado imediato, mas a forma verbal que ele enuncia, a do ainda-não
concluído, a que possibilita que a acção verbal continue, a que está em processo de, à espera como os
inéditos, na iminência de acontecer. Este modo
imperfeito de ser é o que melhor serve à leitura do fragmento, mas pode
também ser uma escolha, a decisão de um modo de ler. Relembro um parágrafo
escrito por Llansol no pequeno livro Amar
um Cão: «Uma frase lida destacadamente, aproximada de outra que talvez lhe
correspondesse em silêncio, é uma alma
crescendo. Eu não consigo abranger a infinitude do número e da harmonia das
almas, nem o texto de um verdadeiro livro, nem a terra de um jardim que se
mantém há gerações».
Resta-nos o imperfeito e a tarefa infinita da leitura. Mas podemos escolher o lugar ou ponto
de vista onde nos situamos face ao mundo: não o aceitando sem ter de o recusar,
escolha-se o alpendre do mundo. A partir daí, vislumbrar a terra azul como o
infinitamente grande, ou procurar no infinitamente pequeno o que eternamente
vive
na flor azul de Novalis,
ou no azul imperfeito de Llansol.
Na sessão de apresentação do novo Livro de Horas participaram ainda:
O violoncelista Nelson Ferreira, que executou três peças para violoncelo:
João Madureira, Inscrição para violoncelo (inspirada no texto de Llansol)
J. S. Bach, Prelúdios das suites para violoncelo # 1 e 2.
[Foto: Helena Alves]
Publicado às
19:23
CONTOS DO MAL ERRANTE
EM ESPANHA
(Pintura de Ilda David' na edição portuguesa de Contos do Mal Errante)
Os incansáveis tradutores de Llansol em Espanha, Mario Grande e Mercedes Cuesta («Atalaire») escolheram alguma capítulos de Contos do Mal Errante e deram-nos a conhecer aos leitores espanhóis na revista digital FRONTERA D, uma publicação de grande sensibilidade literária e belo e discreto aspecto gráfico, que se apresenta como «una revista digital para las imensas minorías». Os excertos do livro de M. G. Llansol em tradução (e original) foram incluídos na secção «La nube habitada», coordenada e ilustrada por Anxo Pastor.
Publicado às
11:29
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