20.5.19
LLANSOL E IBN 'ARABÎ EM REVISTA
Acaba de ser publicado online o número VI, de 2019, da revista El Azufre Rojo (O Enxofre Vermelho), revista de estudos sobre o místico sufi Ibn 'Arabî, editada pela MIAS Latina, a Sociedade Ibn 'Arabî de Murcia.
Este número reproduz as intervenções do Colóquio A Imaginação do Amor, que teve lugar em Lisboa em 2017, com organização do Espaço Llansol, da MIAS Latina e do Centro de Filosofia da Universidade de Lisboa, com participação portuguesa, espanhola e brasileira.
Todas as intervenções – e ainda um depoimento pessoal da Profª Christine Gruwez, que conheceu Maria Gabriela Llansol no exílio da Bélgica e a introduziu ao místico sufi – podem ser lidos na versão PDF a que se pode aceder através do seguinte link: https://revistas.um.es/azufre/issue/view/17961/1171
Publicado às
22:43
14.5.19
LLANSOL: O CONTRATO COM O VIVO
No próximo dia 25 de Maio, pelas 16 horas, teremos mais uma das nossas habituais sessões exploratórias do universo Llansol, desta vez em torno da presença do «Vivo» (toda a natureza, plantas, animais e até os chamados «inertes») na sua Obra e na sua vida. Conversaremos com a Profª Teresa Rodrigues Cadete, da Faculdade de Letras de Lisboa, sobre este tema tão actual, mostraremos um video feito para o nosso encontro da Arrábida por Regina Guimarães e Saguenail, ainda com Maria Gabriela Llansol, em 2003, daremos a ver documentos, livros e fotografias sobre o tema, e o público lerá textos de Llansol sobre o Vivo.
Nesse dia, como diria a Maria Gabriela, seremos todos «Vivos no meio do Vivo». E poderemos lê-la, como habitualmente, em mais um dos nossos Cadernos de Tejo-Rio dedicados a este tema.
Publicado às
22:37
8.5.19
LLANSOL PELO MUNDO
Dois eventos em torno de Maria Gabriela Llansol, que continua a fazer caminho entre nós e pelo mundo:
1. Hoje, às 19 horas, Maria da Conceição Caleiro lerá Amar Um Cão e conversa com o público na livraria Snob/Cossoul em Lisboa (Rua Nova da Piedade, 66).
2. No dia 14 de Maio, das 12.30 às 13.30h, Ana Rita Reis, Doutoranda da Universidade de Coimbra, frequentadora regular para investigação no Espaço Llansol desde Sintra, actualmente Leitora do Instituto Camões na Universidade de Guadalajara, México, fará uma conferência em que põe em contacto Maria Gabriela Llansol e o escritor chileno Roberto Bolaño.
Publicado às
11:04
28.4.19
A «MAGNIFICAÇÃO DO FEMININO»
As beguinas na Casa de Julho e Agosto
A tarde de ontem no Espaço Llansol foi dedicada à «Magnificação do Feminino» (Finita, p. 193). De beguinas se falou, na história e nos livros de Maria Gabriela Llansol (que as vê como «as outras de mim mesma»), da sua piedade e das suas heresias, das suas muitas artes, todas presentes nos livros de Llansol, entre A Restante Vida (1983) e O Senhor de Herbais (2002): as do livro, da costura e do bordado, as da escrita e da leitura, as da horta e da cozinha, as da atenção ao outro e aos animais...
Estas figuras de movimentos femininos à margem do poder e da Igreja, mas não do mundo, são mulheres múltiplas, nómadas e transformadoras, de si próprias e sobretudo de figuras masculinas, que no universo de Llansol descem dos pedestais da glória para a condição simplesmente humana, ou natural, de seres da des-possessão (tal como faz essa contenporânea das beguinas históricas, a Beatrice da Vita Nuova de Dante, figura do amor completo também ela, contraposta à Meretrice, a Igreja como instituição). Movendo-se continuamente entre o Brabante, Lisboa, o Cabo Espichel e «as fontes do Tigre e do Eufrates», as Margaridas, Eleonoras, Úrsulas, Claras e Odílias dos primeiros livros chegarão, na Obra de Llansol e já neste século, nos anos de escrita de Parasceve. Puzzles e ironias, a um novo e inaudito beguinato, a «cidade-árvore» de Parasceve, implantada no lugar imaginário e imaginante do «Grande Maior», árvore interlocutora da Volta do Duche, em Sintra, lugar de todas as promessas para a mulher-narradora do livro, e morada das novas beguinas, agora designadas de «parascevianas». «Agora» – escreve a Maria Gabriela num caderno do ano 2000 –, «as beguinas, cobertas por um murmúrio de resposta, intitulam-se, no novo espaço abobadado aberto, parascevianas...»
João Barrento falou da história e do «engenho» destas mulheres singulares dos séculos XIII e XIV (Hadewiijch de Antuérpia, Marguerite Porete, Béatrice de Nazareth, Hildegarda de Bingen, Mechthilde de Magdeburgo e milhares de outras, anónimas), das suas ligações aos vários movimentos heréticos da Idade Média (os Fiéis do Amor, os Irmãos do Livre Espírito, as doutrinas joaquimitas, o franciscanismo herético, cátaros e Albigenses...). E passou mesmo por uma carta do nosso Manuel Severim de Faria, de 1637, em que se dá voz ao desejo de que tais mulheres descessem da Europa do Norte para se instalarem também neste nosso «Litoral do mundo», o que nunca aconteceu (a revelação deve-se à nossa amiga Isabel de Lima e Almeida, ilustre camonista da Faculdade de Letras de Lisboa).
E finalmente fomos dar às duas trilogias de Llansol, onde tantas dessas mulheres, agora com nome figural, têm lugar de destaque. Mostrámos dois videos que fizemos, como Daniel (Ribeiro Duarte) na Bélgica, no béguinage de Bruges e na tipografia de Plantin-Moretus, em Antuérpia. E a Maria Poppe leu alguns textos de M. G. Llansol sobre o tema, e poemas de Hadewijch em tradução portuguesa.
E a tarde acabou em grande festa de convívio na nossa sala da lareira.
Publicado às
16:46
27.4.19
O ESSENCIAL DE LLANSOL
EM FRANÇA E ITÁLIA
As antologias de textos de Maria Gabriela Llansol que organizámos, e que sairam em francês e italiano na Editora Pagine d'Arte, continuam a fazer o seu caminho em França e em Itália.
O último número da revista mensal de literatura contemporânea Le Matricule des Anges traz duas páginas dedicadas à antologia À l'ombre du clair de lune, pelo crítico e leitor de Maria Gabriela desde os anos noventa, Richard Blin (que nesses anos já escrevera sobre Um Falcão no Punho). O artigo destaca alguns dos traços essenciais desta escrita, e conclui: «Defesa e ilustração do texto de fruição [texte de jouissance, como lhe chamou Barthes!], a Obra de M. G. Llansol faz emergir das dobras do real uma forma inédita de literatura fundada na filosofia, na ontologia e na arte do prazer, para melhor se aproximar da misteriosa glória de viver e ao mesmo tempo dando voz ao desconhecido do mundo que nos rodeia».
A antologia italiana – A l'ombra dell chiaro di luna – terá uma apresentação na Biblioteca di Roma-Casa delle traduzioni, especializada em literatura traduzida, pela mão da poeta italiana Rosa Pierno, no próximo dia 14 de Maio. E depois falar-se-á também desta antologia em Mântua, no âmbito do 5º Festival Internacional de Poesia dessa cidade, com a presença dos editores Matteo Bianchi e Carolina Leite, e do poeta Flavio Ermini, que escreveu um prefácio à antologia.
Publicado às
10:18
17.4.19
AS DAMAS DO AMOR COMPLETO
na Casa de Julho e Agosto
No próximo dia 27 de Abril, pelas 16 horas, abordaremos um tema estranho à tradição portuguesa, mas central nos primeiros livros de Maria Gabriela Llansol: as beguinas, «Damas do amor completo», tal como são designadas na Carta de Luís M. que abre Na Casa de Julho e Agosto. Luís M./Comuns/Camões «conheceu», nos livro de Llansol, essas mulheres livres, generosas, devotas e heréticas, que, na Alta Idade Média, povoavam, nas suas comunidades autónomas, as cidades do norte da Europa, na França, na Bélgica, na Holanda e na Alemanha actuais. O seu amor – o tema dominante da poesia mística de uma delas, Hadewijch de Antuérpia, também presente nas primeiras trilogias de Llansol – estende-se a todo o ser e ao que está para lá dele: ao humano e a todo o Vivo, ao livro e à escrita, à cura e à contemplação, às mais insignificantes artes da vida comum. São, assim, figuras determinantes da construção do «projecto do humano» que atravessa toda a Obra de Llansol.
João Barrento introduzirá o tema e falará dele na Obra de M. G. Llansol; veremos dois videos de Daniel Ribeiro Duarte que fizemos em lugares dessas figuras no Brabante (Bruges e Antuérpia); ouviremos ler textos da nossa autora e poemas de Hadewijch, na voz de Maria Poppe, e também música de Hildegarda de Bingen, do Cancioneiro de Montecassino e do grupo flamengo Laïs.
Teremos o habitual caderno que documenta o tema, e também exposição de materiais do espólio, livros, imagens, etc.
Publicado às
10:10
27.3.19
LLANSOL EM PARIS
A antologia francesa de textos de Maria Gabriela Llansol À l'ombre du clair de lune, saída recentemente, vai ter dupla apresentação em Paris:
– Em 4 de Abril, na Librairie Tschann do Boulevard Montparnasse, com a presença da escritora Laurence Nobécourt (autora do prefácio), de Guida Marques (tradutora) e de Carolina Leite, da editora Pagine d'arte.
– Em 6 de Abril, na livraria L'autre livre, na rue de l'École Polytechnique, por iniciativa da jornalista Bénédicte Heim, que já escreveu sobre outros livros de Llansol em tradução francesa, também com os editores, Carolina Leite e Matteo Bianchi.
Publicado às
10:30
25.3.19
QUATRO DIAS DE FEIRA...
COM REFLEXÃO E LEITURAS
Terminou ontem, domingo, a Feira do Livro de Poesia de Campo de Ourique, em que o Espaço Llansol participou activamente. Recebemos na «Casa de Julho e Agosto» mais algumas pessoas interessadas na Obra e no mundo de Maria Gabriela Llansol. Fizemos no Espaço Cultural Cinema Europa uma sessão de leitura de textos de Llansol («Ler é nunca chegar ao fim de um livro...»), com Maria Etelvina Santos, que comentou os excertos lidos por João Barrento. Ouvimos ainda, nessa sessão, para além de alguns interlúdios com música de Bach, uma gravação de passagens dos cadernos manuscritos da Maria Gabriela sobre a sua vivência de Campo de Ourique, na voz de Maria Etelvina Santos.
Na Feira do Livro de Poesia,
Jardim da Parada, em Campo de Ourique:
o quiosque do Espaço Llansol e da
Mariposa Azual
No Espaço Cultural Cinema Europa:
João Barrento e Maria Etelvina Santos comentam e lêem textos de Llansol
No sábado, 23 de Março, foi a vez de apresentar, no Espaço Llansol, as duas primeiras brochuras da nova colecção «Rastos & Rostos», que documentam, com textos e imagens, objectos com significado especial, por vezes com uma história reconstituível, do espólio de M. G. Llansol – «seres móveis», como lhes chamou a escritora Hélia Correia ao falar da «estátua de leitura», Sant'Ana ensinando a Virgem a ler, ou «objectos salvos das águas», no dizer da própria Llansol.
Hélia Correia
discorre sobre a
«estátua de leitura»
João Barrento, que se ocupou do grande quadro de Artur Loureiro («Primavera», de 1902) a que a nossa autora deu nomes como «Jovem vestindo o seu jardim» ou «A menina lírica» (um objecto com um lugar muito especial em Um Beijo Dado Mais Tarde, tal como a «estátua de leitura»), esclareceu a intenção desta nova colecção feita de «restos» (valiosos), «rastos» (de escrita e de vida) e «rostos» (visíveis e re-figurados pela escrita). Trata-se de prolongar e voltar a iluminar a existência de algumas peças que Maria Gabriela Llansol nos deixou, e a que ela própria já deu outras vidas ao escrevê-las e reinventá-las, libertando-as assim do enclausuramento por vezes sombrio, por vezes luminoso, outras vezes mais ou menos neutro, das suas origens. Como ela própria explica em Um Beijo Dado Mais Tarde: «Os objectos eram certamente potencialidades de texto vivo, ultrapassada a língua morta em que sonhavam». Acontece então a passagem de objecto herdado, antes possuído e funcionalizado, a legado vivo que apela à escrita, uma passagem da esfera da autobiografia para a de uma signografia, em que cada objecto revisitado se nos oferece, também a nós hoje, como um conjunto de sinais. E objectos aparentemente apagados ganham subitamente uma nova luz.
É esta a ideia que orienta a colecção «Rastos & Rostos», onde ainda veremos outros objectos deste espólio: obras de arte ou objectos quotidianos, objectos de escrita ou uma fotografia, representações iconográficas ou conjuntos de papéis aparentemente in-significantes...
E os que vieram à «Casa de Julho e Agosto» levaram consigo um postal do espólio em que Llansol faz toda uma tipologia dos objectos, entre os «nómadas» e os «sedentários», os «objectos-mendigos» e os «salvos das águas»...
Publicado às
15:55
14.3.19
O ESPAÇO LLANSOL NA FEIRA DO LIVRO DE POESIA
DE CAMPO DE OURIQUE
O Espaço Llansol participa pela segunda vez na Feira do Livro de Poesia, que se realiza no Jardim da Parada, em Campo de Ourique, com actividades em vários outros lugares do Bairro.
Para além da presença das suas edições num dos quiosques, com a editora Mariposa Azual, o Espaço Llansol oferece ainda as seguintes actividades durante os dias da Feira:
– 21 de Março, às 15 horas, na Biblioteca/Espaço Cultural Cinema Europa:
«Ler é nunca chegar ao fim de um livro...»
Leituras de textos de M. G. Llansol, por João Barrento e Maria Etelvina Santos, com comentários sobre os textos lidos, audição de gravações de textos sobre a presença de Campo de Ourique na escrita de Llansol, e interlúdios musicais.
[Quem lê, deve procurar as luzes
sucessivas de um livro
que não se alcançam todas ao mesmo tempo,
quando o livro é fonte de leitura.
Caderno 1.33, p. 95]
– 23 de Março, a partir das 11 horas: visita guiada ao Espaço Llansol e ao espólio da escritora.
– 23 de Março, às 18 horas, no Espaço Llansol:
«Rastos & Rostos»
uma nova colecção de brochuras sobre objectos especiais do espólio de Llansol, apresentada pela escritora Hélia Correia e por João Barrento.
As duas primeiras brochuras da série documentam dois objectos muito presentes na escrita de Maria Gabriela Llansol:
a. O quadro do pintor do Porto Artur Loureiro, datado de 1902, e a que Llansol deu nomes como «Jovem vestindo o seu jardim» ou «A menina lírica».
b. A «estátua de leitura», ou «Ana ensinando a ler a Myriam», uma estátua de madeira polícroma do século XVIII.
Publicado às
17:29
6.3.19
OS CANTORES DE LEITURA NA CAPELA DO RATO
No próximo dia 11 de Março, pelas 18h15, e no âmbito do ciclo «Filosofia, Literatura, Espiritualidade», João Barrento falará de Os Cantores de Leitura, o último livro publicado por Maria Gabriela Llansol.
Com este livro estamos perante um livro de horas sem horas (porque fora do tempo), criação de ambiências raras em que a relação «espiritual» com o mundo, antes conseguida pela via de uma sensualidade imagética (de raiz mística ou poética), é agora a de «traçados geométricos de vibrações» (p. 18), pura energia doce, respirada e segregada por figuras de outra esfera, o exemplo acabado de um livro-canto-do-cisne.
As inscrições para assistir a estas conferências estão fechadas, mas todas se podem ouvir alguns dias depois no site da Capela do Rato, em https://www.capeladorato.org/curso-dos-dias-2019/
Publicado às
22:29
4.3.19
EVOCAÇÃO DE LLANSOL EM LUGO
O jornal de Lugo (Galiza) El Progreso evocou ontem, pela mão sensível da legente e jornalista local Nieves Neira, os onze anos da partida de Llansol. Nieves escreveu um belo texto (que reproduzimos abaixo), revelador de uma ligação profunda à escrita e ao mundo de Llansol, pela via do afecto mas também do saber. Obrigado, Nieves!
Publicado às
21:48
3.3.19
NO DÉCIMO PRIMEIRO ANO DA PARTIDA
Estamos no dia do décimo primeiro ano da partida da Maria Gabriela. Mais um dia na vida da sua morte, e sempre no espírito da sua escrita de afirmação da vida e do Vivo.
Como neste caderno de 2004, em 2 e 3 de Agosto.
(A foto feliz vem dos anos da Bélgica, em 1972)
_______ estou, de novo, a tentar compor a minha vida_______
uma partitura musical de folhas e folhagem caiu ao chão e
se quebrou. É tempo de reviver; é espaço de recriar; é altura
de voltar a ser a criadora de formas alegres,
com sons tilintantes
que anunciem a elevação dos tons rasteiros da poesia______
da vida própria__________
Publicado às
10:16
1.3.19
LLANSOL EM ESPANHA
Na sequência da edição castelhana da segunda trilogia de M. G. Llansol, El litoral del mundo, na excelente tradução do colectivo Atalaire (Mario Grande e Mercedes Cuesta), o poeta de Barcelona José Ángel Cilleruelo publica na revista CLARÍN, de Oviedo, um clarividente texto sobre esta trilogia, estabelecendo paralelos entre a autora e Pessoa e destacando a «poética ingrávida» que orienta a Obra de Llansol – porque aí, como se lê em Da Sebe ao Ser, nada nasce e nada morre, mas «tudo é tão simultâneo como verdadeiro».
Publicado às
11:57
24.2.19
DOIS QUE «HERDARAM AS MARGENS»
A tarde de ontem na Casa de Julho e Agosto proporcionou mais um desses encontros imprevisíveis, im-prováveis e sem antecedentes, mas muito reveladores de fundas afinidades electivas entre os modos de escrita e as visões do mundo de Maria Gabriela Llansol e do poeta Fernando Echevarría (que no próximo dia 26 de Fevereiro completará 90 anos e receberá a Medalha de Mérito Cultural), dois autores para quem a condição de exílio – do país imerso em guerra e ditadura, da sociedade e do mainstream da literatura – foi pressuposto central de toda uma vida de escrita.
Disto, e da figura deste poeta que tão bem conhece, nos falou ontem a Profª Maria João Reynaud, vinda expressamente do Porto para esta conversa em que procurámos seguir alguns dos fios que ligam estes dois mundos – as distantes raízes ibéricas, a longa experiência do exílio, a vocação «oficinal» no rigoroso trabalho de escrita, a comum constatação da «obra inacabada» ou do livro contínuo, a importância do «ver» a par do decisivo lugar do pensamento na escrita de ambos, guiada por uma original dialéctica entre enigma e transparência, ou a condição ontológica de duas Obras que buscam e revelam o enigma do Ser, oferecendo a quem as lê uma ampla, e pouco comum, respiração da língua e da palavra...
Temas presentes também no caderno que fizemos para esta sessão: «A áspera matéria do enigma»: Maria Gabriela Llansol e Fernando Echevarría.
Publicado às
12:19
11.2.19
DOIS ESCRITORES RAROS NO ESPAÇO LLANSOL
Nunca se encontraram. Provavelmente não se leram. E no entanto há na escrita dos dois muita coisa em comum – na atitude perante o mundo, nos temas que os alimentam, e também nos modos de usar a língua, a contrapelo de toda a nossa tradição, a poética e a ficcional. Une-os ainda um exílio forçado por uma guerra que, nos anos sessenta, levaria Llansol para a Bélgica e Fernando Echevarría para Paris e Argel.
É destes dois que falamos, de Maria Gabriela Llansol e do poeta Fernando Echevarría, autores que poremos em paralelo na próxima sessão da Casa de Julho e Agosto, no sábado 23 de Fevereiro, pelas 16 horas, com a colaboração da Profª Maria João Reynaud (Faculdade de Letras do Porto), que, mais que ninguém neste país, tem escrito sobre a obra deste poeta raro, discreto e profundo.
Ouviremos gravações de poemas de Echevarría, e também a voz de M. G. Llansol, falando sobre o que, nos encontros que com ela tivemos em 2006, designou de «Círculo do Humano». E teremos, como quase sempre acontece, um caderno que documenta temas paralelos nos dois autores, e inclui textos de João Barrento e Maria João Reynaud.
Publicado às
12:33
27.1.19
VARDA E LLANSOL: OLHARES CRUZADOS
Tivemos ontem mais uma sessão da «Casa de Julho e Agosto», com a projecção do filme de Agnès Varda e do fotógrafo JR Olhares, Lugares. É um filme em muitos aspectos «llansoliano», como pudemos confirmar na conversa que se seguiu à projecção (entre Maria Etelvina Santos, João Barrento, a fotógrafa Teresa Huertas e o público), estabelecendo pontes entre a ideia de fundo do filme – a descoberta de lugares, rostos e restos pela imagem amplificada, em «sobreimpressão» – e muitos momentos e filões da escrita de Llansol.
Alguns desses paralelos poderão descobrir-se lendo os excertos de M. G. Llansol que incluímos no desdobrável que acompanhou a sessão, que foi lido, e que damos a ler a quem não esteve (clique nas imagens que se seguem para aumentar, ou arraste para o ambiente de trabalho e amplie).
Publicado às
14:01
14.1.19
«SEGUINDO O OLHAR»
com Agnès Varda e Llansol
No próximo dia 26 de Janeiro, pela 16 horas, teremos mais um «encontro improvável» na Casa de Julho e Agosto, com a projecção do recente filme de Angès Varda (e do fotógrafo JR), Olhares, Lugares.
O improvável da ligação deixa de o ser quando pensamos na importância do olhar na escrita de M. G. Llansol e no sentido particular que o termo «lugar» nela adquire. A originalidade do filme está nessa partilha de olhares e busca de lugares. Llansol escreveu um dia, parecendo estar a comentar este filme: «Para ficar com o ver, partiram e repartiram o olhar».
De tudo isto e muito mais se falará depois da projecção do filme. E Llansol estará presente, para quem a quiser levar consigo, num desdobrável com textos seus sobre a temática do olhar.
Publicado às
10:32
13.1.19
A FOYLES ESCOLHE LLANSOL
Uma das mais antigas e célebres cadeias de livrarias inglesas, a Foyles for Books (com a sua mítica loja de Charing Cross Road, em Londres) escolheu a tradução americana de Geografia de Rebeldes para lhe dar destaque na sua secção de ficção. Assim:
Publicado às
12:47
Subscribe to:
Posts (Atom)














































