14.3.14
LLANSOL E A «SENSUALIDADE
DO INVISÍVEL»
No próximo dia 19 de Março, entre as 16 e as 17.30h, a Profª Cristiana Vasconcelos Rodrigues (da Universidade Aberta e membro da direcção do Espaço Llansol), fará uma conferência na Universidade Católica de Lisboa (Edifício da Biblioteca João Paulo II) em que falará de «Maria G. Llansol: o texto como busca da 'sensualidade do invisível'».
Fica o convite a todos os leitores de Llansol e amigos do Espaço Llansol.
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13:31
3.3.14
A PRESENÇA FRAGMENTADA
DO GRANDE ESPAÇO AUSENTE...
É dia de lembrar Maria Gabriela Llansol. Com o seu texto e a luz que dele emana:
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11:47
23.2.14
BLANCHOT - LLANSOL
Encontro improvável, ontem na Letra E
Era uma vez três seres sob o signo do humano, de uma pureza dissoluta.
Não absoluta, porque o absoluto é vão.
(M. G. Llansol, Caderno 1.15, 332 | 20.3.1984)
Naturalmente, como a consciência estética apenas tem consciência de uma parte do que faz, o esforço para atingir a absoluta necessidade e, por essa via, a vanidade absoluta é, ele próprio, sempre vão.
(Maurice Blanchot, Faux pas, 1943)
De forma algo inesperada, dada a densidade da matéria, a Letra E encheu-se ontem de interessados em Blanchot e Llansol, com rostos novos e provenientes dos mais diversos lugares (Sintra, Lisboa, Braga, o Brasil e até a Bulgária!), para além de outros frequentadores, já conhecidos e mais habituais.
A ligação explícita de Llansol com Blanchot é esparsa, este autor, como não acontece com outros filósofos muito convocados para a Obra llansoliana, está pouco ou nada presente na sua biblioteca, e mais ainda nos cadernos de escrita, onde existe uma única menção: a intenção de adquirir L'amitié, registada em 18 de Janeiro de 2000 (Caderno 1.58, p. 67). Na biblioteca, apenas dois livros: Faux pas, comprado em Louvain-la-Neuve em 25 de Fevereiro de 1984, e com alguns sublinhados e marcas de leitura da introdução e de capítulos sobre Kierkegaard, Eckhart, Rilke, Proust; e ainda O Livro por Vir, num exemplar com dedicatória de «Regina» (Regina Louro, então jornalista do Expresso e tradutora do livro), em Abril de 1986.
E no entanto, o «Encontro improvável» e intenso de ontem, conduzido por Paulo Sarmento a partir do documentário de Hugo Santiago visionado antes, revelou imensas afinidades, e alguns desencontros, de pensamento, modos de escrever e viver, interesse comum por determinadas figuras e temáticas – a indeterminação ou a rejeição da «literatura» em favor da «escrita», o apagamento de fronteiras entre géneros, o estilhaçamento da ficção, a «exigência fragmentária», modos afins e diversos de viver a solidão, o silêncio, a morte, a anulação de tempos no espaço do instante que é o do texto no acto de se escrever e de ser lido; e finalmente, a construção de pontes e abismos entre os dois, quanto a uma ideia de «comunidade» de ausências presentes, a comunidade alimentada por um princípio de incompletude e a comunidade na diáspora...
Todos estes temas, presentes em mais um caderno que elaborámos para esta ocasião, com textos dos dois autores, foram ampla e vivamente discutidos no final, numa «conversa infinita» e naturalmente inconclusiva. Continua tudo em aberto para o regresso a este ou outros «Encontros improváveis», na Letra E ou noutros lugares.
Com uma certeza; que os intensos, como Blanchot e Llansol, continuam aí, para lá de si mesmos, sabendo, como sabiam, que não há morte, que a morte é apenas aquele «sentimento de leveza» sempre iminente que lemos em L'instant de ma mort, e que, como escreve M. G. Llansol num dos seus cadernos (o 1.18, p. 67), «o tempo e a morte são constantes, e é intenso o espaço que os circunda.»
Deixamos aqui, a montagem fragmentária de algumas páginas do nosso caderno, numa sequência que inclui no fim a leitura de excertos de La folie du jour, retirada do filme de Hugo Santiago.
E para quem não pôde vir mas gostaria de ver o documentário na íntegra, aqui fica o respectivo link: http://www.youtube.com/watch?v=F32bSMK1iNA
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16:45
17.2.14
BLANCHOT E LLANSOL NA «LETRA E»
O próximo «Encontro improvável» na Letra E do Espaço Llansol é já no próximo sábado, dia 22 de Fevereiro, às 17 horas. Paulo Sarmento, escritor e professor de Filosofia, falará da «solidão essencial» destes dois escritores e de alguns tópicos que os ligam: a experiência interior e a impossibilidade da literatura, a indeterminação do «ficcional», a «exigência fragmentária», a morte, a escrita, a comunidade...
Veremos o documentário de Hugo Santiago Maurice Blanchot, de 1998, e conversaremos sobre o filme e o que ouvimos. E, como já vem sendo hábito, teremos mais um «Caderno da Letra E» dedicado a este encontro, com textos em diálogo, extraídos dos livros de Blanchot e dos cadernos inéditos e também alguns livros de Llansol.
Fica aqui a página de abertura, que dá o «tom» de mais este caderno:
Fica aqui a página de abertura, que dá o «tom» de mais este caderno:
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10:56
26.1.14
«OLHAR É DIFERENTE DE ANALISAR
E COMPREENDER...»
Kiarostami-Llansol na «Letra E»
O filme, a um tempo apaziguante e inquietante, de Abbas Kiarostami (Five. Dedicated to Ozu), uma sequência de cinco longos planos, proporcionou ontem na «Letra E» momentos únicos de contemplação (e depois e conversa entre os presentes). O ponto de vista cinematográfico foi brevemente comentado por Daniel Ribeiro Duarte, que mostrou algumas linhas de afinidade entre o cinema de Yasujiro Ozu e este filme de Kiarostami – um «documentário» muito sui generis, com um claro substrato narrativo sem enredo nem diálogos nem personagens. Como em Llansol, com actantes humanos e não humanos que podemos ver como «figuras», contra o pano de fundo do enigma transparente do ser e do tempo que nos leva a perguntar, em cada uma das cinco cenas, o que é que acontece no que está a acontecer sob os nossos olhos – o que acontece, e não o porquê, nem sequer o como desse acontecer.
O caderno que os que vieram levaram consigo contém uma selecção de textos, na sua maior parte inéditos, de M. G. Llansol que evidenciam pontos de encontro e diálogo com este seu interlocutor «improvável», quer com o filme quer com os poemas de Abbas Kiarostami que seleccionámos para acompanhar o caderno de textos. Um encontro que passou pelos tópicos do olhar («o olho de olhar», e não apenas «o olho comum», diz Llansol), do tempo («o tempo suspenso na casa» – ou no mundo) e da noite («o maior objecto sensual que envolve todas as coisas», lemos num dos fragmentos).
Deixamos aqui a introdução a mais este caderno da Letra E, as páginas com os poemas de Kiarostami e o link para quem, não tendo ido a Sintra, queira ainda ver este invulgar filme sobre a impermanente permanência das coisas do Ser.
(Clique nas imagens para aumentar)
(Para aceder ao filme clique aqui: http://vimeo.com/70968833)
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15:56
21.1.14
OLHAR O SER, ESCUTAR O TEMPO
Encontros improváveis na «Letra E»
Quem vier no próximo sábado (25 de Janeiro, às 17 horas) à «Letra E» do Espaço Llansol poderá entrar por algum tempo num oásis, em pleno deserto ruidoso do mundo quotidiano que nos envolve. Pede-se apenas que tragam duas coisas: primeiro, a capacidade de não esperar que muita coisa aconteça – mas haverá sempre alguma coisa a acontecer, a dar-se a ver, a cair literalmente sobre nós; depois, ser capaz de se despir de ideias (de ideias feitas, também pelo cinema que mais se vê) e de mergulhar num estado de nudez mental que alimenta a imaginação e a faculdade do olhar.
A festa do olhar, o tempo que se espraia nas imagens, os ritmos do mundo, o mistério da noite – é isso o que temos para oferecer, com o filme do iraniano Abbas Kiarostami Five. Dedicated to Ozu (um filme feito só de tempo e imagem, sem qualquer diálogo), e um dos nossos caderninhos com textos inéditos de M. G. Llansol que entram num inesperado diálogo com esse filme – que Llansol nunca viu. E ainda um desdobrável com vinte poemas minimais, imagistas, de Kiarostami. As ligações à tradição do despojamento e do silêncio no cinema e na poesia estarão presentes, quer através da relação explícita deste filme com o cineasta japonês Yasujiro Ozu (que Daniel Ribeiro Duarte comentará), quer pelos poemas, escritos na tradição do haiku (e também do imagismo americano), também eles revelando evidentes afinidades com este e outros filmes de Abbas Kiarostami. Um feliz «encontro inesperado do diverso».
Nota: A sessão sobre «Llansol e os rostos do tempo» (a pretexto da publicação do Almanaque Llansol de Ilse Pollack), que chegou a ser anunciada na Agenda Cultural de Sintra para este dia 25 de Janeiro, foi cancelada devido ao falecimento súbito do nosso amigo, sócio e coleccionador Alfredo Santos, que deveria estar presente nessa sessão com alguns almanaques das suas colecções.
Nota: A sessão sobre «Llansol e os rostos do tempo» (a pretexto da publicação do Almanaque Llansol de Ilse Pollack), que chegou a ser anunciada na Agenda Cultural de Sintra para este dia 25 de Janeiro, foi cancelada devido ao falecimento súbito do nosso amigo, sócio e coleccionador Alfredo Santos, que deveria estar presente nessa sessão com alguns almanaques das suas colecções.
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17:45
20.1.14
TEORIA DA DES-POSSESSÃO REEDITADO
O livro de Silvina Rodrigues Lopes Teoria da Des-possessão, seminal para os estudos llansolianos quando foi publicado pela Black Sun Editores em 1988, foi agora reeditado pela Averno com uma bela capa de Inês Dias.
O ensaio de Silvina Rodrigies Lopes, que, em 1988, tinha ainda relativamente poucas obras de Llansol à sua disposição, abre de forma fulgurante (e incisiva, no modo como capta in nuce um universo e um modo de escrita). Assim:
(Clique na imagem para aumentar)
Só podemos congratular-nos com a iniciativa da Averno ao tornar novamente disponível um dos ensaios mais penetrantes sobre a Obra de M. G. Llansol.
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19:07
10.1.14
LLANSOL E OS LUGARES IMAGINÁRIOS
DA LITERATURA
O JL desta semana, inspirado no Dicionário de Lugares Imaginários de Alberto Manguel (editado cá pela Tinta da China), traz um dossier com depoimentos de vários escritores sobre o tema na literatura portuguesa e mundial. Entre esses lugares imaginários não poderiam deixar de estar os das paisagens textuais, existentes-não-reais ou reais-não-existentes, criadas por M. G. Llansol. Um deles (aliás, dois) é evocado por Hélia Correia no seu depoimento, em que diz:
O meu
lugar imaginário em Portugal tem testemunhos no real: não um, mas dois. É o «Grande
Maior» de Parasceve, o livro de Maria
Gabriela Llansol. O Grande Maior é um plátano em cuja copa há uma cidade. Uma
cidade onde a clorofila é a cor dominante, onde está posta uma mesa de banquete,
onde há praças e esplanadas «cujas cadeiras se comportam com as mesas de uma
maneira absolutamente inimaginável». A escrita de Llansol que, como a sua vida,
decorre no «jardim que o pensamento permite», toca nas coisas mais vulgares e
transfigura-as. Se ela as olhou, não tornarão a ser as mesmas.
O
Grande Maior da Volta do Duche, em Sintra, ao qual ela fazia sempre uma
saudação, tem agora uma placa evocativa. O meu lugar imaginário – onde vou muita
vez ler os seus textos – é outro. É outra copa de outra árvore-cidade, outro
Grande Maior. Maria Gabriela levou-me um dia, fisicamente, lá. Existia para nós
e era um segredo. Como o Plátano e a sua insuspeita cidade, todos o vêem e
ninguém o vê. Mas quem quiser encontra-o
no seu texto.
Publicado às
15:38
6.1.14
O PROGRAMA DA «LETRA E»
JANEIRO A MARÇO
Neste primeiro trimestre do ano iniciaremos na «Letra E» uma nova série de «Encontros improváveis» de Llansol com várias figuras do século XX e actuais – para já, o cinema de Abbas Kiarostami (com Daniel Ribeiro Duarte) e o universo de Maurice Blanchot (com Paulo Sarmento) –, e discutiremos, em Março, a crise civilizacional e cultural do nosso tempo à luz da reflexão de Llansol, a partir de textos na sua maior parte inéditos (com o escritor António Vieira e o crítico António Guerreiro).
Aqui fica o programa para os próximos três meses, e o nosso convite para virem à «Letra E». Para cada sessão faremos, como já vem sendo habitual, um pequeno caderno com textos de Llansol, e eventualmente outros, relativos a cada tema.
Publicado às
23:29
NA CRÍTICA FRANCESA
A crítica francesa Bénédicte Heim, que já escrevera sobre Finita, volta a comentar o último livro de M. G. Llansol saído em francês, L'enquête aux quatre confidences, num site importante de crítica de livros em França, o Livres addict. Pode ler-se o que escreve B.H. aqui:
http://www.livres-addict.fr/Livres.html#llansol_enquete
http://www.livres-addict.fr/Livres.html#llansol_enquete
Publicado às
16:15
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