O meu
lugar imaginário em Portugal tem testemunhos no real: não um, mas dois. É o «Grande
Maior» de Parasceve, o livro de Maria
Gabriela Llansol. O Grande Maior é um plátano em cuja copa há uma cidade. Uma
cidade onde a clorofila é a cor dominante, onde está posta uma mesa de banquete,
onde há praças e esplanadas «cujas cadeiras se comportam com as mesas de uma
maneira absolutamente inimaginável». A escrita de Llansol que, como a sua vida,
decorre no «jardim que o pensamento permite», toca nas coisas mais vulgares e
transfigura-as. Se ela as olhou, não tornarão a ser as mesmas.
10.1.14
LLANSOL E OS LUGARES IMAGINÁRIOS
DA LITERATURA
O JL desta semana, inspirado no Dicionário de Lugares Imaginários de Alberto Manguel (editado cá pela Tinta da China), traz um dossier com depoimentos de vários escritores sobre o tema na literatura portuguesa e mundial. Entre esses lugares imaginários não poderiam deixar de estar os das paisagens textuais, existentes-não-reais ou reais-não-existentes, criadas por M. G. Llansol. Um deles (aliás, dois) é evocado por Hélia Correia no seu depoimento, em que diz:
O meu
lugar imaginário em Portugal tem testemunhos no real: não um, mas dois. É o «Grande
Maior» de Parasceve, o livro de Maria
Gabriela Llansol. O Grande Maior é um plátano em cuja copa há uma cidade. Uma
cidade onde a clorofila é a cor dominante, onde está posta uma mesa de banquete,
onde há praças e esplanadas «cujas cadeiras se comportam com as mesas de uma
maneira absolutamente inimaginável». A escrita de Llansol que, como a sua vida,
decorre no «jardim que o pensamento permite», toca nas coisas mais vulgares e
transfigura-as. Se ela as olhou, não tornarão a ser as mesmas.
O
Grande Maior da Volta do Duche, em Sintra, ao qual ela fazia sempre uma
saudação, tem agora uma placa evocativa. O meu lugar imaginário – onde vou muita
vez ler os seus textos – é outro. É outra copa de outra árvore-cidade, outro
Grande Maior. Maria Gabriela levou-me um dia, fisicamente, lá. Existia para nós
e era um segredo. Como o Plátano e a sua insuspeita cidade, todos o vêem e
ninguém o vê. Mas quem quiser encontra-o
no seu texto.
Publicado às
15:38
6.1.14
O PROGRAMA DA «LETRA E»
JANEIRO A MARÇO
Neste primeiro trimestre do ano iniciaremos na «Letra E» uma nova série de «Encontros improváveis» de Llansol com várias figuras do século XX e actuais – para já, o cinema de Abbas Kiarostami (com Daniel Ribeiro Duarte) e o universo de Maurice Blanchot (com Paulo Sarmento) –, e discutiremos, em Março, a crise civilizacional e cultural do nosso tempo à luz da reflexão de Llansol, a partir de textos na sua maior parte inéditos (com o escritor António Vieira e o crítico António Guerreiro).
Aqui fica o programa para os próximos três meses, e o nosso convite para virem à «Letra E». Para cada sessão faremos, como já vem sendo habitual, um pequeno caderno com textos de Llansol, e eventualmente outros, relativos a cada tema.
Publicado às
23:29
NA CRÍTICA FRANCESA
A crítica francesa Bénédicte Heim, que já escrevera sobre Finita, volta a comentar o último livro de M. G. Llansol saído em francês, L'enquête aux quatre confidences, num site importante de crítica de livros em França, o Livres addict. Pode ler-se o que escreve B.H. aqui:
http://www.livres-addict.fr/Livres.html#llansol_enquete
http://www.livres-addict.fr/Livres.html#llansol_enquete
Publicado às
16:15
27.12.13
23.12.13
ECOS DE LLANSOL EM FRANÇA
A última edição de um livro de M. G. Llansol em francês, o Inquérito às Quatro Confidências (tradução de Cristina Isabel de Melo, edição Pagine d'arte) merece destaque no site de informação cultural Télérama (http://www.telerama.fr/livres/enquete-aux-quatre-confidences,106279.php), pela mão da jornalista Marine Landrot.
Publicado às
19:25
15.12.13
O NASCIMENTO DE CAUSA AMANTE
NA «LETRA E»
A sessão de sábado na Letra E, com a montagem de textos que acompanham o percurso de um livro — Causa Amante – desde o seu nascimento «na borda da banheira» da casa de Jodoigne, em 1979, até à sua conclusão em Outubro de 1980, mergulhou os que foram a Sintra durante uma hora no universo de Llansol durante o exílio na Bélgica, entre as casas de Jodoigne e Herbais, o trabalho de fazer o pão na cooperativa da Ferme Jacob, os animais e, acima de tudo, a escrita de mais um livro, com dois outros já prontos, mas sem editor.
Pelos fragmentos (todos retirados do último Livro de Horas que editámos: Numerosas Linhas) e pelas imagens que acompanharam a sua leitura (deliberadamente poucas, para permitir que a atenção interior se concentrasse no que estava a ser ouvido), foi possível perceber o funcionamento da máquina textual e a natureza das paisagens existenciais que atravessam este tempo de M. G. Llansol, numa fase difícil do exílio belga. E seguimos também, numa segunda parte, os labirintos metamórficos do nascimento, renascimento e transformação de figuras centrais em Causa Amante, como Jorge Anés, a comunidade das beguinas transplantada para o Cabo Espichel, Sebastião, o Dom, levado á sua nova condição vegetal, ou Luís M./Comuns/o Pobre.
Deixamos aqui, para os que não puderam ir a Sintra, o video com um resumo muito resumido dos primeiros momentos dessa linha de «Afluentes, margens e desvios» (como escreve Llansol no caderno 1.49, em Junho de 1997) da escrita de um livro e das expectativas e desilusões em relação à sua possível edição em Portugal (que só aconteceria em 1984). Os comentários que enquadraram estas peripécias escriturais e figurais estiveram a cargo de João Barrento e Maria Etelvina Santos. As vozes da leitura gravada são as da Helena Alves, da Cândida Pargana e da Teresa Projecto, nossas colaboradoras no Espaço Llansol.
Publicado às
19:05
LLANSOL NA IMPRENSA
EM PORTUGAL E ESPANHA
O Livro de Horas III continua a ter eco na imprensa portuguesa, depois do Expresso (com Manuel de Freitas), do JL (com Leonor Nunes) e de dois programas de televisão. O Ípsilon, suplemento do Público de sexta-feira, 13 de Dezembro, traz a crítica de António Guerreiro, que aqui reproduzimos:
(Clique na imagem para aumentar)
E a revista espanhola La Galla Ciencia, que se publica online e em papel, dirigida por Joaquin Baños, Noelia Illan, Samuel Jara e Manuel Pujante, insere no seu número do passado dia 11 de Dezembro a tradução do Lugar 16 d' O Livro das Comunidades, da autoria do par madrileno Mario e Mercedes "Atalaire", que pode ler-se aqui: http://traducciones.lagallaciencia.com/2013/12/maria-gabriela-llansol.html
Publicado às
13:00
10.12.13
COMO NASCE UM LIVRO DE LLANSOL?
A próxima sessão da Letra E, no sábado 14 de Dezembro, às 17 horas, será diferente de todas as que fizemos até aqui. Nela se dará conta, pela leitura, pelo comentário e pela imagem, das circunstâncias, dos sobressaltos, dos momentos de júbilo que assistiram ao nascimento e crescimento de um livro como Causa Amante, prelúdio do que haveria de ser uma vida a partir daí exclusivamente dedicada à escrita.
Através da leitura de uma montagem de fragmentos provenientes do último Livro de Horas que editámos (Numerosas Linhas. Jodoigne 1979-1980), seguimos os principais filões de Causa Amante com textos que não figuram neste livro: a vivência quotidiana com as suas fulgurações e as suas sombras, o fardo do trabalho na Ferme Jacob, a reflexão permanente sobre a escrita e sobre o mundo, as alegrias e os desencantos do acolhimento ou da rejeição dos livros pelo mundo distante da edição em Portugal, as metamorfoses de várias figuras-chave deste e de outros livros. Numa sequência em que atravessaremos as seguintes paisagens:
Tudo isto acompanhado por uma sequência fotográfica e de manuscritos que amplifica a leitura na projecção.
Publicado às
15:06
5.12.13
AINDA UM BEIJO... NO RIO
Um beijo dado mais tarde, acabado de sair na Editora 7Letras, do Rio de Janeiro e já apresentado na Universidade Federal, conforme noticiámos, terá o seu lançamento na livraria da própria editora, no dia 16 de Dezembro, a partir das 19 horas, assinalando vinte anos de edição e um da livraria. O nosso obrigado ao Jorge Viveiros e à sua equipa pelo empenho na difusão da Obra de Llansol no Brasil. E aos nossos amigos do Rio o apelo para animarem a festa com a sua presença.
Publicado às
22:45
LLANSOL NA REVISTA CATALÃ LECTORA
A revista catalã Lectora, editada pelo Centro Mulheres e Literatura da Universidade de Barcelona (www.ub.edu/cdona), publica no seu último número um dossier com textos dos cadernos manuscritos de M. G. Llansol, intitulado «Caminho sobre a escrita como sobre as águas».
Os fragmentos dos diários, dos anos de 1972 a 1980, são introduzidos pelo estudioso de literatura portuguesa Diego Giménez, que escreve a propósito deste diário contínuo:
«Emerge en la página la subjetividad llansoliana entendida como proceso de selección de letras que forman palabras que forman frases, para no perder ni por un instante la consciencia de lo escrito ni del acto de escribir. Cada letra, cada subrayado, cada substitución, cada espacio es Llansol inscrita en la escritura.»
Publicado às
12:30
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