19.10.13

AO LUGAR DE HERBAIS
NO DOC LISBOA


O filme de Daniel Ribeiro Duarte Ao Lugar de Herbais, apresentado nas Jornadas Llansolianas de Sintra em 2012, foi seleccionado para o Doc Lisboa 2013, e passará nos cinemas São Jorge/Sala Manoel de Oliveira (em 25 de Outubro ás 18.30 h) e  City Alvalade/Sala 3 (em 27 de Outubro às 16 h), com a presença do realizador.
O filme documenta, a partir da casa de Sintra onde se encontra o espólio fotográfico, de escrita e de objectos de M. G. Llansol, o lugar de Herbais, na Bélgica, onde, por entre outros livros, se inicia a relação escritural de Llansol com a figura de F. Pessoa/Aossê, que duraria 15 anos, até à publicação de Lisboaleipzig, em 1994.

18.10.13

LISBOALEIPZIG
LIVRO DO MÊS

O Boletim da Portugiesisch-Hanseatische Gesellschaft Hamburg (Associação Luso-Hanseática de Hamburgo) elegeu como livro do ano do mês de Agosto a edição alemã de Lisboaleipzig, publicada em 2012 na editora Leipziger Literaturverlag em tradução de Markus Sahr. 


A recensão, assinada por Peter Koj, antigo professor da Escola Alemã de Lisboa e Presidente daquela Associação, destaca a originalidade do triângulo figural que sustenta o livro – Aossê, Bach e Baruch Spinoza – e escreve: «Os encontros entre estas três figuras não assumem forma romanesca, desenrolando-se antes a um nível mental e emocional a que o leitor tem de ascender. Como a autora deste 'romance-ensaio' sugere, o leitor terá de 'ajustar-se ao pacto de leitura que os meus livros supõem'. E ao fazê-lo abre-se-lhe um mundo maravilhoso e fabuloso, marcado pela empatia, a justiça social e espiritualidade (não religiosa)».

7.10.13

LLANSOL EM REPORTAGEM 
NO PROGRAMA «AGORA»

Deixamos aqui (com as nosso pedido de compreensão pela qualidade deste "filme do filme") a reportagem sobre Llansol, o seu espólio, o último «Livro de Horas» e as próximas Jornadas de Sintra, que passou ontem no programa «Agora» da RTP2.


6.10.13

AS JORNADAS LLANSOLIANAS
EM ANDAMENTO

O video abaixo mostra-lhe um pouco dos bastidores da preparação das Quintas Jornadas Llansolianas de Sintra, em pleno andamento.


E hoje à noite - voltamos a lembrar - pode ver uma reportagem sobre o Espaço Llansol, a escrita de Maria Gabriela Llansol e as Jornadas deste ano no programa AGORA do canal 2 da televisão, às 22 horas.

5.10.13

LLANSOL E AS JORNADAS DE SINTRA
NO «AGORA»


Amanhã, domingo 6 de Outubro, Maria Gabriela Llansol, o Espaço Llansol e as próximas Jornadas Llansolianas de Sintra serão objecto de reportagem no magazine cultural AGORA, da RTP2, a partir das 22 horas.

2.10.13

NOVOS LIVROS 
NAS JORNADAS LLANSOLIANAS

No dia 12 de Outubro à tarde apresentaremos, no âmbito das V Jornadas Llansolianas de Sintra, três novos livros: o terceiro volume dos «Livros de Horas», Numerosas Linhas, cobrindo o período de 1979-1980 nos cadernos manuscritos de M. G. Llansol, em Jodoigne e já Herbais, época de grande intensidade de escrita, com três livros nascendo em paralelo, como se pode ler no prefácio de João Barrento e Maria Etelvina Santos:
Este terceiro volume do Livro de Horas cobre um terreno de múltiplas convergências, passagens, derivas e tonalidades literárias e de experiência.  Situado cronologicamente entre o último ano da «casa de Julho e Agosto», a de Jodoigne, e os primeiros meses do «cativeiro de Herbais», ele assinala, para Llansol, várias mudanças significativas; o fim do trabalho nas escolas e na cooperativa de produção (a Escola da Rua de Namur, em Lovaina, e a Ferme Jacob, em Louvain-la-Neuve), a abertura a um tempo que haveria de ser só de escrita, a conclusão da primeira trilogia (com Na Casa de Julho e Agosto) e a entrada na matéria, em grande parte nova, da segunda, com Causa Amante e a busca ainda incerta do que se seguiria. As «numerosas linhas» que aqui se abrem permitem acompanhar três livros em fases de conclusão ou gestação simultâneas. Muito do que não entrou nesses livros — Na Casa de Julho e Agosto, Causa Amante e Da Sebe ao Ser — pode ler-se aqui, esboçado com a intenção de encontrar o seu lugar em livros que nunca apareceriam com os títulos que aqui recebem: «O Nascimento de Ana de Peñalosa» (para Causa Amante), «Numerosas Linhas» e «Com João» (que iriam desaguar em Da Sebe ao Ser). 
Este livro será apresentadom pela Professora Paula Morão, da Faculdade de Letras de Lisboa.


Um segundo livro: o sétimo volume da colecção «Rio da Escrita», editada desde 2008 na Mariposa Azual, desta vez documentando as Jornadas de 2012, dedicadas a «Pessoa e Bach na Casa de Llansol». Do «Pórtico», destacamos: Foi uma recapitulação o que nos propusémos fazer nas Quartas Jornadas Llansolianas de Sintra, que este volume documenta, essencialmente no que aos textos diz respeito. Os seus muitos intervenientes, «llansolianos» e «pessoanos» de Portugal e do Brasil, e de várias áreas artísticas – o cinema e a performance, a pintura e a música –, permitiram re-capitular, voltar a percorrer e a ler, capítulo a capítulo, a longa e fabulosa história da relação de M. G. Llansol com as figuras de Pessoa/Aossê e J. S. Bach, tendo como pano de fundo toda a plêiade de outras figuras e figurações que compõem esta paisagem singular da Obra da Autora: Spinoza e Infausta, Anna Magdalena e Elizabeth, o cão Jade e a Rapariga que temia a impostura da língua, Trimúrti, El Stejo e Cabo Espichel
A Professora da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas  da UNL, Paula Cristina Costa, apresentará este novo volume da «Rio da Escrita». Helena Vieira, editora da Mariposa Azual, modera a conversa.



Finalmente, uma publicação única e de grande originalidade, engendrada e construída por uma grande amiga, e leitora intensa de Llansol nos últimos anos, a austríaca Ilse Pollack, grande conhecedora das literaturas de língua portuguesa, a quem demos toda a colaboração necessária. O resultado foi um «Almanaque Llansol» em alemão, uma agenda perpétua com textos da Maria Gabriela para cada dia do ano e muitas ilustrações provenientes do arquivo do Espaço Llansol, de fotografias pessoais e de obras de alguns artistas portugueses. Uma beleza de livro, que contribuirá certamente para tornar mais conhecida a obra de Llansol no espaço de língua alemã. A editora é a Berlin Press (de Berlim, como o nome indica). Ilse Pollack estará nas Jornadas à conversa com João Barrento para apresentar esta sua originalíssima ideia, que tem em alemão o título Territorium der Randständigen, (adaptação livre do «Nós herdámos as margens», que encontramos em Causa Amante).



Estes, e todos os livros actualmente disponíveis de e sobre Llansol, em português e em línguas estrangeiras, editados em Portugal, no Brasil, em França, na Suíça, em Espanha, na Alemanha, estarão à venda na Grande Feira do Livro Llansoliano que organizámos para as Jornadas deste ano no Palácio Valenças. Teremos também nesta Feira todos os números disponíveis da série «Jade-Cadernos Llansolianos», todos os «Cadernos da Letra E», bem como cadernos de escrita, postais, marcadores e lápis com motivos do espólio de Llansol.

1.10.13

LLANSOL E JORGE DE SENA

O site «Ler Jorge de Sena», dirigido pela Profª Gilda Santos, conhecida seniana da da Universidade Federal do Rio de Janeiro, publica no seu último número um artigo de Tatiana Pequeno, professora daquela Universidade e doutorada com uma tese sobre M. G. Llansol («Um canto humano de animal em consonância com a terra prometida»: Aspectos políticos da Obra de Maria Gabriela Llansol, UFRJ, 2011), no qual se analisa e comenta o lugar de Jorge de Sena (enquanto tal e como figura com o nome de Jorge Anés) na obra de Llansol. 
A figura de Jorge Anés, que já conhecíamos de livros como Causa Amante (cf. pp. 88, 94-103), reaparece no Livro de Horas 3 (Numerosas Linhas), que será lançado daqui a dias nas V Jornadas Llansolianas de Sintra. Nessas páginas deste novo Livro de Horas se completa a narrativa do «nascimento e suplício de Jorge Anés num auto de fé» e da sua «identificação a Camões» (pp. 53-54, 57).  
Reproduzimos também neste novo diário inédito de Llansol as páginas de Inquisição e Cristãos Novos, de António José Saraiva, em cujas margens a autora escreve um longo fragmento que intituta «O jardim de Jorge Anés» (pp. 72-73):


O texto completo de Tatiana Pequeno pode ler-se clicando na legenda da imagem abaixo.
Ler Jorge de Sena

29.9.13

PRIMEIRA NOTÍCIA SOBRE O NOVO «LIVRO DE HORAS»

O blogue Tudo sobre Sintra – a quem agradecemos desde já a notícia – deu, depois de nós divulgarmos o programa das Quintas Jornadas Llansolianas de Sintra (ver, nesta página, o dia 7 de Setembro), a primeira informação sobre o novo volume do «Livro de Horas», com o título Numerosas Linhas, que estará nas livrarias em 4 de Outubro, como noticia também o Diário Digital de hoje.



7.9.13

«TRANS-DIZER»
AS QUINTAS JORNADAS LLANSOLIANAS 
DE SINTRA

Maria Gabriela Llansol usa, em Os Cantores de Leitura, a expressão «transdizer» para referir as várias formas de passagens implicadas nos processos de tradução. São esses processos, nas múltiplas variantes que os configuram, que estarão presentes nas próximas Jornadas Llansolianas de Sintra, que terão lugar em 12 e 13 de Outubro no Palácio Valenças.
As Jornadas deste ano reunirão em Sintra seis tradutores de Llansol (de Espanha, França, Alemanha, Áustria e Estados Unidos), vários artistas que «traduziram» o texto de Llansol para outras linguagens (pintura, desenho, cinema, música) e escritores, professores e actores que comentarão e lerão as singulares versões de poetas franceses por Maria Gabriela Llansol.


Desde que começou a escrever o livro-fonte de toda a sua Obra, O Livro das Comunidades, que M. G. Llansol «traduz» – se por isso entendermos uma espécie de osmose com os autores que traz ao seu próprio texto, assimilando-os discretamente, saqueando os seus textos para os transmutar numa troca intertextual que, desde João da Cruz, vai dando corpo a um eterno retorno do outro no mútuo; ou ainda trazendo à casa da língua portuguesa (sob pseudónimo ou com nome próprio) poetas e outros autores, predominantemente de língua francesa. De um modo ou de outro, traduzir nunca é, para Llansol, um gesto unidireccional ou um mero ofício de palavras. Traduzir é trans-dizer. Traduzir o outro arrasta consigo mundos, é um acto homofágico e uma ressonância osmótica, uma cor-respondência com esse outro. O que diz muito sobre a natureza tão singular das versões llansolianas. E ser traduzida por outros – em linguagem verbal ou noutras – implica igualmente tomar consciência desse salto.
Destes e certamente de muitos outros tópicos se falará nas Jornadas deste ano, de que deixamos já aqui o programa, que inclui ainda apresentação de novos livros e um filme excepcional sobre os caminhos e descaminhos desta múltipla prática das passagens.

1.9.13

O BANQUETE, OU DO AMOR

Recebemos no sábado, último dia de Agosto, que já anuncia o regresso às actividades regulares, uma visita, não propriamente inesperada, mas muito desejada. A Sílvia, Sílvia das Fadas, como gosta de ser chamada, veio da Califórnia, e daqui a pouco lá estará de novo para estudar e fazer o cinema que para ela faz mais sentido. E voltou ao lugar onde, durante uns dois anos, ajudou a tratar e a tornar disponível o espólio da Maria Gabriela e nos acompanhou em algumas das andanças – filmagens e fotografias – que fizémos para a exposição do CCB em 2011, e para outros projectos futuros.
A Sílvia era a mola do sonho no Espaço Llansol, e nós fizémos-lhe ontem uma pequena festa de despedida antes do regresso ao Californian Institute of the Arts. O Espaço Llansol – que, para além de lugar de trabalho contínuo e rigoroso, é também paisagem de muitos afectos e de memórias – vibrou com uma vibração especial durante este sábado, com a presença da Sílvia e com o almoço que preparámos para ela, aproveitando o saber da Helena, que transforma alimentos em obras de arte e ementas em poemas! 

Foi um pouco assim como naquele lugar perdido da península da Jutlândia onde acontece O Festim de Babette, esse filme que Maria Gabriela Llansol evoca em Um Beijo Dado Mais Tarde. Voltamos a oferecer aqui alguns fragmentos dessas páginas à Silvia (levemente ajustados ao nosso reencontro), que os levará para a Califórnia como testemunho de afecto e da memória de um tempo que poderá sempre voltar a acontecer neste Espaço que, em dias como estes, e outros, se transforma verdadeiramente em Lugar:

(Clique nas imagens para aumentar)
Foi um almoço rigoroso, em que o paladar trocava o amor com os alimentos, em que os dez convivas, abrindo-se ao prazer da boca e do olhar, rememoraram e tornaram presentes as pessoas, nos acontecimentos de ouro das suas vidas: cristal, ouro, prata, iguarias, arte de preparar os alimentos reuniram-se no momento único do almoço em que não houve traidor [esta não foi uma Última Ceia!].
[...]
Eu via, no desenrolar dessa refeição, a manifestação dos bens da terra. O conhecimento que traz a abundância, a ponto de tornar generosos os homens. O prazer do Amante e a alegria de viver não podiam faltar a um tal festim.
E, na realidade, assim foi...

Era isto o que nós queríamos dizer à Sílvia, ou Témia, ou a Rapariga que temia a impostura da língua e das imagens....