21.1.13
FOTOGRAFIA E PAISAGEM NA «LETRA E»
No próximo sábado, dia 26, teremos na «Letra E» a fotógrafa Teresa Huertas, que expõe uma série de fotografias de paisagens habitadas (pelo seu próprio corpo, em lugares remotos da Islândia), obras que servirão de ponto de partida para uma conversa sobre o lugar da paisagem no mundo de M. G. Llansol, e sobre a obra da própria fotógrafa e as ideias e intuições que alimentam este e outros trabalhos seus.
Teremos disponível nesse dia um caderno com textos de Llansol sobre a paisagem e a reprodução das fotografias de Teresa Huertas expostas na «Letra E».
E voltamos a lembrar: os que quiserem vir mais cedo, a partir das 15 horas, poderão fazê-lo e conversar connosco e fazer sugestões sobre o nosso programa e o nosso trabalho, no espírito da «troca verdadeira» que é o do universo llansoliano.
Publicado às
16:52
14.1.13
MARIA VELHO DA COSTA LEMBRA LLANSOL
Em entrevista ao jornal Público, de 13 de Janeiro, Maria Velho da Costa revela algumas das suas «afinidades electivas» com escritores portugueses, e refere-se a M. G. Llansol por duas vezes, nos seguintes termos:
(...) eu andei em letras e germânicas, e fui tendo afinidades electivas que de um modo geral se mantiveram, como a Maria Gabriela Llansol e o Herberto Helder, onde há emoções mais contraditórias, complexas, com interesses como perturbação. Interessaram-me poetas e escritores que tivessem um trabalho sobre a linguagem e a língua, mas não só. Quando me dizem que o meu trabalho é sobre a língua, é-o também, mas não só. Isso é omitir o trabalho com a linguagem.
(...)
Quem são os seus pares?
Acho que sou um bocado ímpar. Não no sentido grandioso, mas qual é o escritor português que eu possa dizer que seja mais da minha família? Talvez o José Cardoso Pires. E o Nuno Bragança. Posso ter uma admiração enorme e não sentir que seja meu par. Duas figuras com as quais tenho uma aproximação muito diferente são a Agustina e a Maria Gabriela Llansol. São duas escritas e duas maneiras de estar na literatura completamente diferentes. A Llansol, da primeira vez que a vi, meteu-me medo. Tinha uma relação com a escrita onde não havia distinção entre vida e escrita.
E para si há?
Para mim, há. Esse medo que me causou foi como se estivesse perante uma forma de santidade. Eu disse-lhe isso na única ocasião que tive para falar com ela. E ela disse que não havia razão nenhuma: «Eu sou uma pessoa normal».
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23:03
9.1.13
OS CANTORES DE LEITURA
NO TEATRO NACIONAL
No próximo dia 15, e na série de leituras encenadas que vêm sendo feitas no Teatro Nacional D. Maria II, em Lisboa, no âmbito do «Projecto Teia-Poesia e Contos», poderão ouvir-se excertos de Os Cantores de Leitura de M. G. Llansol, seleccionados por Margarida Lages e lidos por Guilherme Faria e Paulo Lages.
A entrada é livre, às 19 horas. Mais informação aqui:
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17:44
8.1.13
O PROGRAMA DA «LETRA E»
e
As conversas da troca verdadeira
e
As conversas da troca verdadeira
De Janeiro a Abril falaremos de paisagem e das suas configurações no texto de Llansol (com a fotógrafa Teresa Huertas), da poesia de Emily Dickinson (com a poeta e professora Ana Luísa Amaral), da relação entre Maria Gabriela Llansol e Augusto Joaquim, mostrando parte do espólio, ainda não divulgado, deste último (textos, cadernos, correspondência, desenhos e colagens) e teremos ainda uma sessão para os mais pequenos, com uma versão especial de Amar um Cão escrita por Hélia Correia.
Pode ver-se o programa clicando na imagem abaixo.
Entretanto, a Direcção do Espaço Llansol decidiu inaugurar o novo ano com uma nova iniciativa: conversas abertas com sócios e amigos do Espaço Llansol que queiram fazer-nos sugestões, trocar ideias e opiniões:
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17:48
28.12.12
LLANSOL NO NOVO ANO:
«A VONTADE DE ARQUIVO»
«A VONTADE DE ARQUIVO»
Nos milhares de páginas de cadernos, agendas, folhas dactiloscritas e papéis avulsos de toda a ordem que nos deixou, Maria Gabriela Llansol anota com frequência interessantes reflexões sobre a necessidade e o fascínio do «arquivo», faz listas de cadernos, livros e dossiers a organizar (seus e de Augusto Joaquim), antecipa o que poderá ser a sua casa, e tudo o que ela contém, depois da sua passagem. Essa «vontade de arquivo e catalogação» permite que o informe ganhe forma e novos livros nasçam, que aquilo que poderia perder-se não se perca, que o lugar do arquivo se transforme em pensamento vivo e, «audaciando-se» esse pensamento, a casa seja o contrário do museu e a Obra possa «ficar em toda a parte».
É isso que nos move no trabalho que fazemos, continuando o seu, que foi, ele mesmo, também trabalho de arquivo e preservação, num outro «jardim que o pensamento permite», promessa e garantia de futuro para o seu texto.
É isso que nos move no trabalho que fazemos, continuando o seu, que foi, ele mesmo, também trabalho de arquivo e preservação, num outro «jardim que o pensamento permite», promessa e garantia de futuro para o seu texto.
1.
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11:25
12.12.12
DUAS VEZES LLANSOL:
LETRA E DISCURSO,
LINGUAGEM E CORPO
LINGUAGEM E CORPO
Dois trabalhos académicos novos, duas análises diferentes e complementares do texto de Maria Gabriela Llansol. O livro de Elisa Arreguy Maia Textualidade Llansol: Literatura e psicanálise (originalmente uma tese de doutoramento na Universidade Federal de Minas Gerais, de 2005), acaba de sair na editora Scriptum, de Belo Horizonte, onde será apresentado no dia 15 de Dezembro. Como se pode ler no press release da editora, o livro detém-se «na questão da letra e na função da escrita, nas relações entre estética e ética, na noção psicanalítica de "discurso" e, ainda, na operação de suplência ao Nome-do-pai e na questão do "sinthoma", tão caras à clínica da psicanálise».
Por sua vez, Bernardo Bethonico, colaborador do Espaço Llansol (onde ordenou todo o arquivo de correspondência) e membro do C.E.M.- Centro em Movimento, de Lisboa, defende no dia 17, às 14.30 h. na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa, a sua tese de Mestrado, orientada pela Profª Silvina Rodrigues Lopes, que intitulou A Voz Começante de Maria Gabriela Llansol, . O autor discute no trabalho, a partir de Onde Vais, Drama-Poesia?, aspectos da obra llansoliana como «a intersecção linguagem/corpo como campo desconhecido sempre a começar», a «impostura da língua e o discurso como potencial dissimulador da presença corporal», a «leitura como participação "improvável" em outras formas de corpo» ou «o poético como o aqui-agora da performance».
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15:46
1.12.12
DE EDUARDO PRADO COELHO PARA
MARIA GABRIELA LLANSOL:
«A DUPLA VIDA DE VÉRONIQUE»
Depois de termos falado, no dia 24 de Novembro, da relação ímpar entre M. G. Llansol e Eduardo Prado Coelho, vamos ver, no próximo sábado, 8 de Dezembro, o filme que o Eduardo gostaria de ter dado a Maria Gabriela. E tentar perceber porquê, e falar disso, com todos os que quiserem vir à «Letra E».
Pode a matéria de um filme (de um livro) ser o enigma, «a áspera matéria do enigma» de onde nasce o «drama-poesia»? Llansol há muito que respondeu afirmativamente: «não há leitura sem o enigma da espera» (Os Cantores de Leitura) e «o fulgor oscilante da leitura... é o verso e reverso deste enigma sem nenhum mistério contundente» (Amigo e Amiga). Dar ouvidos (e olhos) ao enigma, pode ser a matéria deste filme de Kieslowski, ao confrontar uma mulher com a mais enigmática e inquietante presença que nos chama, a do duplo, do outro de nós.
(Continua na «Letra E» a exposição de materiais do espólio – cartas, postais, livros, os textos de jornal de EPC – que documenta a ligação de Llansol com Eduardo Prado Coelho).
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17:31
25.11.12
DEIXÁMOS TUDO À PORTA...
Ainda o dia 24 de Novembro
O dia estava invernoso, escuro, mas nem por isso deixaram de acorrer muitos à Letra E, na data que viu nascer Maria Gabriela Llansol, e em que evocámos também a sua relação ímpar com Eduardo Prado Coelho.
A Helena concebeu uma ementa muito especial para o almoço, todos os que vieram levaram consigo uma página de caderno manuscrita, a do registo, em 1999, do «Curso de leitura silenciosa de 1931». A Hélia escreveu, para este dia, um poema, o João Madureira compôs sobre ele uma peça de música,
a que chamou «Inscrição para violoncelo», a Cristiana leu o poema e o
violoncelista Nelson Ferreira executou a peça, que daremos a ouvir aqui
em breve.
Hoje, em eco do dia de ontem, fica o texto de Hélia Correia, inscrito sobre o «testamento de Ana de Peñalosa», que compunha o centro da nossa mesa. O poema fala do testemunho e da sua passagem, tal como o entendemos e praticamos______:
ensinar, dar testemunho por escrito, compôr música
para quebrar o saber, levá-la à soleira da porta
para que ela receba o sol,
são actos de amor.
(M. G. Llansol, Os Cantores de Leitura)
A relação ímpar
A evocação da relação de Eduardo Prado Coelho com Maria Gabriela Llansol contou com a presença de Maria Manuel Viana, sua companheira nos últimos tempos de vida, e de Margarida Lages, que com ele colaborou longos anos, em Paris e Lisboa, e que é actualmente responsável pela edição das suas Obras na Imprensa Nacional-Casa da Moeda.
Margarida Lages deu-nos uma montagem de textos composta, em diálogo e com a sua própria mediação (no papel do «intruso»), com fragmentos de Llansol e Eduardo Prado Coelho; e Maria Manuel Viana leu o texto que o Eduardo escreveu sobre «A rapariga que temia a impostura da língua».
Em seguida, João Barrento comentou esta relação triplamente ímpar: relação rara, de homem-de-escrita a ser-de-escrita; relação de admiração e humildade entre «falcão» e «papagaio de papel» (a comparação surge no Diário II de Eduardo Prado Coelho) e relação de «amor ímpar», frontal, aqui e ali em leve tensão, nunca tíbia, sempre «sem impostura».
A correspondência entre ambos (a partir já de 1978) testemunha esta relação, que documentámos numa exposição com o essencial dessa troca epistolar, que temos no espólio de Llansol. E a escrita crítica e ensaística de Eduardo Prado Coelho sobre textos de M. G. Llansol – também exposta através da reprodução das páginas dos jornais onde foi acontecendo – mostra à evidência, e sem disparidades de crónica para crónica, de crítica a crítica, como Eduardo Prado Coelho consegue, ao longo de décadas e em cerca de vinte textos sobre livros de Llansol, manter uma capacidade única de, num mesmo «lance do verbo», captar a essência do livro e lançá-lo para o futuro – porque, é claro, sempre reconheceu futuro a esses livros.
A sua intervenção crítica sobre os livros de Llansol pode, assim, funcionar como um guia de leitura para todo esse texto. Quer no que se refere aos núcleos mais cintilantes de cada livro, quer também ao seu lugar relativo na literatura portuguesa contemporânea. Deste modo, cada crítica de Eduardo Prado Coelho ilumina e ao mesmo tempo alarga o seu objecto, nunca escondendo o seu deslumbramento, nunca deixando de afirmar a sua aposta incondicional na Obra de Llansol – uma Obra que, como lemos numa das suas crónicas, «resiste contra a facilidade, o vivido esparramado, o pós-moderno ladino, a leviandade de certos leitores, as grandes manobras da prosa, a crítica-flash, etc.». E Llansol parece responder-lhe, ao anotar na página de rosto do livro de Prado Coelho O Cálculo das Sombras: «É o mais lento que vai à frente [...] O que calculam as sombras? Uma sombra maior dentro da luz».
A «sombra maior dentro da luz» é uma bela imagem para a «conjectura grave e jubilosa» que é cada texto de Llansol. Passa-se sempre por essas sombras para entrar na sua luz. E não há nisso mistério, nem dificuldade especial nesse caminho. Ou, como escreve o Eduardo: «não há segredo, o único segredo é entrar».
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17:31
24.11.12
19.11.12
EDUARDO PRADO COELHO
E MARIA GABRIELA LLANSOL
NA «LETRA E»
No próximo sábado, dia 24, como sempre às 17 horas, vamos evocar a relação ímpar de Maria Gabriela Llansol com Eduardo Prado Coelho, na sequência do colóquio em que este foi homenageado nos passados dias 15 e 16, na Fundação Gulbenkian.
Teremos entre nós a Alexandra Prado Coelho, filha do Eduardo, a Maria Manuel Viana, sua última companheira, e a Margarida Lages, que trabalhou com ele largos anos e é responsável pela nova edição das suas obras, em curso de publicação na Imprensa Nacional-Casa da Moeda.
O programa da sessão – e também da que se lhe seguirá, em 8 de Dezembro – pode ver-se clicando na imagem.
Por outro lado, 24 de Novembro é um dia muito especial na casa de Llansol, por ser o do seu aniversário, aquele que a viu nascer, «em 1931, no decurso da leitura silenciosa de um poema», por entre «as páginas que os leitores haveriam de tocar (como a uma pauta de música)». Por isso, começaremos por evocá-la, ouvindo a sua própria voz num dos últimos encontros que tivemos, em 2006, na «Casa da Saudação» em Colares. E ouviremos também um poema de Hélia Correia – «Poema para Maria Gabriela (24 de Novembro de 2012)» –, que o compositor João Madureira musicou. A sua peça, intitulada «Inscrição para violoncelo», será executada pelo violoncelista Nelson Ferreira.
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21:06
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