7.9.12

QUARTAS JORNADAS LLANSOLIANAS DE SINTRA
«Pessoa e Bach na casa de Llansol»

Vêm aí, já nos próximos dias 29 e 30 de Setembro, as Quartas Jornadas Llansolianas. Como sempre, em torno de um tema, de uma ideia-chave, de um núcleo de figuras na Obra de Maria Gabriela Llansol. Desta vez, e com recurso ao imenso material existente no espólio, revisitaremos, a várias vozes, essa «autêntica figura explosiva da galáxia Ocidente», Fernando Pessoa rebaptizado de Aossê, e a «explosão emocional e cognitiva que se vai dar no [seu] confronto com J. S. Bach e com Baruch Spinoza». Llansol di-lo de outra forma numa página inédita, de 1983: «Sinto necessidade de fazer uma recapitulação do que expus em termos só aparentemente caóticos. A figura central não pode deixar de ser a de Aossê, não o conhecendo eu por ser sua amiga, nem por ter lido toda a sua obra, mas por coincidir com a densidade da vida e obra da sua estrela. Figura não menos central é a de Bach que, atrás dele, pareceu formar-se pela condensação parcial de nuvens sombrias».


O programa (que se pode ler clicando na imagem abaixo e aumentando) faz jus a essa necessidade de «recapitulação», e conta com a presença de alguns conhecidos llansolianos e pessoanos de várias universidades portuguesas e brasileiras, não deixando, como já vem sendo apanágio destas Jornadas, de abrir para outros domínios artísticos com os quais a Obra de Llansol desde sempre tem estabelecido diálogo. Teremos, assim, exposição de novas obras da pintora Ilda David' feitas a partir de Lisboaleipzig, um filme de Daniel Ribeiro Duarte que regressa ao lugar que viu nascer a constelação pessoana em Llansol (Herbais), uma performance por artistas de um dos núcleos de artes do corpo mais singulares de Lisboa (o CEM-Centro em Movimento) e, last not least, um concerto com música de Bach pelos solistas do Festival Cantabile (que, pela mão do Instituto Alemão de Lisboa, actuam ainda em vários outros lugares), antecedido por uma intervenção do compositor João Madureira e complementado pela leitura de textos de Llansol pelo actor Diogo Dória.
Na «Letra E» do Espaço Llansol poderá ser visto um conjunto significativo de peças do espólio de Llansol, que documentam a sua longa ocupação com o «complexo Pessoa/Aossê» a partir de 1978.





24.8.12

LLANSOL: QUATRO ANOS ENTRE «MENTES E SEMENTES»

A propósito das Quartas Jornadas Llansolianas de Sintra, e de algumas opiniões recentes sobre a presença da Obra de Maria Gabriela Llansol no espaço literário português, e não só, João Barrento escreve no JL-Jornal de Letras desta semana um artigo intulado «Llansol: entre mentes e sementes». Aí se defende a necessidade de manter viva a chama do texto de Llansol através da edição e da disponibilização e divulgação daquilo que de novo existe e tem vindo a ser revelado pelo trabalho do Espaço Llansol. De facto, esta vontade de dar a conhecer o novo, para além dos livros publicados, vem da própria Maria Gabriela Llansol nos últimos meses de vida, ao escolher e diponibilizar textos inéditos dos seus cadernos manuscritos que alimentaram este blog no seu início. Depois disso, vieram os Livros de Horas (na Assírio & Alvim), que continuarão, a publicação de inéditos em revistas, a criação de uma série de volumes sobre a Obra de Llansol (a colecção «Rio da Escrita», na Editora Mariposa Azual: o próximo volume, «Llansol: A luminosa vida dos objectos», sairá nas Jornadas deste ano), traduções em várias línguas e a abertura de vastos sectores do espólio a investigadores.
Reproduz-se a seguir o artigo do JL.




1.8.12

AS QUARTAS JORNADAS 
LLANSOLIANAS DE SINTRA

Está praticamente concluída a programação das Quartas Jornadas Llansolianas de Sintra, que este ano se realizarão em 29 e 30 de Setembro, no Palácio Valenças, no centro histórico da Vila, tal como no ano passado.


O tema – «Pessoa e Bach na casa de Llansol» – dá continuidade e encerra (provisoriamente) o fio condutor que escolhemos para este ano nas actividades da «Letra E». Contaremos com intervenções de llansolianos de várias Universidades portuguesas e brasileiras (Universidade Nova de Lisboa, Universidade do Minho, Universidade Aberta, Faculdade de Letras de Lisboa, Escola Superior de Música de Lisboa, Universidade Federal do Rio de Janeiro, Universidade de S. Paulo), bem como do Espaço Llansol; veremos uma exposição com novas obras da pintora Ilda David' para a reedição de Lisboaleipzig (vd. o motivo do cartaz), um novo filme centrado no universo llansoliano, uma performance com a colaboração do C.E.M.-Centro em Movimento; haverá ainda o lançamento de um novo livro e um concerto que promete: Bach pelos solistas do Festival Cantabile, que actuarão em vários locais de Lisboa e Sintra e encerrarão as nossas Jornadas, articulando-se aí a música de Bach com a leitura de textos de Lisboaleipzig pelo actor Diogo Dória.
Em Setembro voltaremos a dar informações pormenorizadas.

 (Clique na imagem para aumentar)


19.7.12

LLANSOL EM LISBOA E... NA LETÓNIA

TEIA - POESIA E CONTOS









Duas notícias que nos chegam hoje, e que, cada uma a seu modo, documentam a viagem incessante do texto de Llansol. O Teatro Nacional D. Maria II, em Lisboa, anuncia para o início de 2013 uma série de leituras sob o título genérico de «TEIA — Poesia e Contos», que se iniciarão com Os Cantores de Leitura de M. G. Llansol (passagens seleccionadas por Margarida Lages, lidas por actores do Teatro Nacional). A seu tempo daremos mais informação sobre estas leituras,  Para já, pode ver-se a informação aqui.

Da outra extremidade da Europa, mais concretamente da Letónia, e de um lugar perdido desse pequeno país do Leste, chegam outros ecos da presença de Llansol. O jovem escritor Tiago Ribeiro Patrício (recentemente galardoado com o prémio Agustina Bessa-Luís pelo seu romance Trás-os-Montes, e que tem em preparação uma peça de teatro inspirada no universo llansoliano), envia-nos notícias do trabalho desenvolvido recentemente em Aizpute, Letónia, no âmbito de um projecto intitulado «Casas bilingues» (ver aqui), em que deixou fragmentos, estilhaços, palavras de M. G. Llansol nas «janelas estilhaçadas» de uma antiga casa de judeus da cidade, marco evocativo, como tantas outros nesse universo do Leste da Europa, do «mundo afundado» da cultura judaica.
O texto de Llansol é, de facto, um «lugar que viaja» — sem rotas previamente traçadas, e sem dizer para onde vai.


18.7.12

LLANSOL  NO BRASIL:
UM COLÓQUIO DE FULGOR

Acaba de sair, em edição da Editora da Universidade Fluminense, de Niterói, Rio de Janeiro, o volume intitulado Um Nome de Fulgor: Maria Gabriela Llansol, que documenta o Colóquio realizado naquela Universidade em 18 de Outubro passado. 


A organizadora do colóquio e do livro, a professora Maria Lúcia Wiltshire de Oliveira, dá conta do espírito deste Encontro no texto de abertura:
«Há um conto de Hélia Correia que, entre outros  aspectos, narra o encontro de uma rapariga rude de aldeia com uma dama singular. A primeira tem a vocação para o conhecer, enquanto a segunda, por experiência e idade, gera o conhecer silenciosamente no corpo. (...)
Penso que o colóquio Um dia de fulgor foi um acontecimento desse tipo. Como rudes que somos, pudemos também subir a escada que leva à casa da dama singular com o cesto cheio de coisas que picam muito, como, por exemplo, o nosso medo. Estivemos lá para ouvir e ver, não só a bondade, mas a força e a firmeza do seu pensar, entretecendo seus textos com os nossos. Ao longo do dia nos alimentamos em mesas-redondas sucessivas que se chamaram Casa do entresser, Corp'a'screver, Lugares de uma casa e A casa europeia, realizando um percurso em busca do fulgor, na tentativa de salvar o real da banalidade, sabendo que 'o universo multiplica-se com a descrição minuciosa e atenta da viagem' (JLA, p. 13).
(...)
O livro pretende contribuir com reflexões em torno da obra de Maria Gabriela Llansol em seus vários aspectos, nomeadamente a tessitura de sua narrativa, as suas concepções de corpo e linguagem, os múltiplos lugares da sua escrita e o diálogo com nomes da cultura e da arte portuguesa e europeia.»
A capa, feita a partir de um desenho de Maria Gabriela Llansol, é da nossa colaboradora Maria Carolina Fenati. O Sumário dá uma ideia da amplitude do colóquio e da diversidade de temas abordados.

(Clique na imagem para ler)


16.7.12

CURSO DE SILÊNCIO
de Miguel Gonçalves Mendes

O filme de Miguel Gonçalves Mendes Curso de Silêncio, realizado em 2007 a partir de uma conversa com Llansol, feita por João Barrento e Maria Etelvina Santos, e de textos da autora, em particular Amigo e Amiga. Curso de silêncio de 2004, que tinha acabado de sair, vai ser exibido na mostra "O cinema de Miguel Gonçalves Mendes", no cinema City-Alvalade, nos dias 27 (às 19.15 h) e 31 de Julho (às 21.30h, com a presença do realizador e de Rui Pereira). A organização é da profutora JumpCut.


Sobre este filme escrevemos já em Dezembro de 2007 aqui.

LISBOALEIPZIG NA IMPRENSA ALEMÃ (1)


A primeira recensão online de Lissabonleipzig 1 saiu já em Março, por altura da Feira do Livro de Leipzig, e deve-se ao jornalista Ralf Julke. O lançamento dos dois volumes da obra, que fizemos em Junho em Berlim e Leipzig (ver notícia aqui) trará certamente novas impressões da crítica e dos leitores alemães. Iremos dando notícia da fortuna crítica deste novo livro de Llansol em tradução.


Para quem leia alemão, aqui deixamos a ligação ao site do Jornal online Leipziger Internet Zeitung (clique no título para aceder à página).

30.6.12

 INÉDITOS DE LLANSOL EM FRANCÊS


A revista francesa Le Préau des Collines dedica o seu número 13, acabado de sair, a um conjunto significativo de autores portugueses de várias gerações. Entre os textos publicados, em português e francês, estão alguns fragmentos dos cadernos inéditos de M. G. Llansol subordinados ao título «Meditações sobre as plantas». A tradução para francês é de Cristina Isabel de Melo, autora da tradução dois livros de Llansol (Le jeu de la liberté de l'âme e Finita) saídos na editora suíça Pagine d'arte.

25.6.12

PESSOA - TABUCCHI - LLANSOL
NA «LETRA E»

A sessão de sábado passado na Letra E (a última antes das férias de Verão, e até às Quartas Jornadas Llansolianas de Sintra, em 29 e 30 de Setembro) decorreu sob o signo de Pessoa – das suas sombras e dos seus fantasmas na literatura e no cinema contemporâneos.



Começámos por ler textos inéditos de Maria Gabriela Llansol em torno da figura de Aossê (ver abaixo algumas dessas páginas nos cadernos), Maria Etelvina Santos traçou o enquadramento de todo o processo de nascimento e evolução da figura de Pessoa/Aossê na Obra de Llansol (entre 1978 e 2007), a génese de Lisboaleipzig, as relações e as divergências desta figura em Llansol e noutros contemporâneos, em particular José Saramago (O Ano da Morte de Ricardo Reis) e Antonio Tabucchi (com este Requiem e ainda um outro pequeno livro de matéria pessoana, Os Últimos Três Dias de Fernando Pessoa).
 

Vimos o filme de Alain Tanner e em seguida entrámos num prolongado diálogo com os presentes, a propósito do sentido dos «fantasmas» de Pessoa (e outros, que atravessam o filme), das diferenças entre uma abordagem de Pessoa através do regresso do seu fantasma e, caso de Llansol, do renascimento da personagem histórica metamorfoseada em figura, com os caminhos particulares e singulares de Pessoa em Lisboaleipzig, um Falcão no Punho, Os Cantores de Leitura e outros livros. E também, como agora sabemos e não sabíamos antes, com toda a constelação prismática desta figura e do seu envolvimento por outras – os Bach, Infausta, Spinoza... – nos mais de trinta cadernos manuscritos por onde anda Pessoa/Aossê e na flioresta dos dossiers dactiloscritos do espólio.

Nascimento e crescimento de Lisboaleipzig nos cdernos manuscritos

O primeiro semestre da Letra E, podemos dizê-lo, foi um sucesso: a nossa casa do lado foi conhecendo pessoas sempre novas, genuinamente interessadas na escrita de Llansol, participativas. E nós surpreendemo-nos em cada tarde de sábado, ao recebermos e conhecermos sempre novos rostos, vindos dos mais diversos e inesperados sectores. Esperamos que continuem a vir. Até Outubro na Letra E!

LISBOA-LEIPZIG-BERLIM:
O BALANÇO


Lisboaleipzig chegou à casa dos Bach: pela primeira vez em livro, Maria Gabriela Llansol pode ler-se em alemão. Apresentámos, com o tradutor Markus Sahr, os dois volumes em Leipzig, com a «Casa do Livro» cheia, e em Berlim, na sala não menos cheia de uma livraria chamada precisamente... «A Livraria». Lemos passagens dos dois volumes em alemão e português, falámos da Obra de Llansol e dos seus lugares de escrita, e dialogámos com públicos interessados. 


Agora, é esperar que os livros façam o seu caminho por essas paragens e por essa língua. Outros, noutros idiomas e também em português, se anunciam já, abrindo incessantemente a novos leitores, por estas e muitas outras veredas, os horizontes do texto de Maria Gabriela Llansol. O nosso propósito continua a ser apenas um, que era também o da «escrevente» do texto: manter viva esta Obra, abri-la cada vez mais ao presente, garantir-lhe, se possível, um futuro.