30.1.12
LLANSOL NO YOU TUBE
Alguém chamado Tiago, português que assina Shadul no You Tube, dá a ler Llansol trazendo o seu texto (neste caso o primeiro diário póstumo, Uma Data em Cada Mão. Livro de Horas I) para novas formas de experiência, envolvendo-o simplesmente em sons e cores. O texto vive, e emerge o seu fundo mais fundo:
Alguém, chamada Érica, brasileira que vive em Portugal e aqui estuda a Obra de Llansol (o seu originalíssimo e polémico Baudelaire), empresta generosamente a sua voz a um fragmento de outro livro, O Começo de Um Livro É Precioso (inserindo-se no projecto "Empreste sua voz a um poeta morto"). E abre assim com a voz a sua primeira página:
Publicado às
13:20
29.1.12
JUVENILIA LLANSOLIANA
A PRIMEIRA EXPOSIÇÃO DA "LETRA E"
No dia em que abrimos a Letra E iniciámos também uma série de exposições em que iremos dando a conhecer diversos núcleos do espólio de Maria Gabriela Llansol – começando, naturalmente, pelo princípio de tudo, pelos seus primeiros ensaios de escrita. Pode ver-se uma síntese desses primórdios aqui:
Publicado às
23:13
Ontem, 28 de Janeiro, nasceu para a vida o novo espaço público do Espaço Llansol. Com uma exposição de materiais do espólio que documenta a infância e o nascimento para a escrita de Maria Gabriela Llansol. A abertura foi feita pelo Presidente da Câmara Municipal de Sintra, e apresentámos o texto-base da nossa actuação, a
«Carta de princípios da Letra E»
Neste momento histórico
em que o pensamento e a criação livres se vêem cada vez mais encurralados por
agentes de poderes planetários sem rosto e por uma informação redundante e
paradoxalmente desinformativa, porque totalmente acrítica, aquilo que a
indústria da cultura e a paranóia do consumo consideram «produtos» da
literatura e da arte degenerou, com algumas excepções, em matéria mercantil ou
mero alimento de um gosto duvidoso ditado pela vontade inexpressa, mas dominadora,
de novas massas anódinas e manipuladas, no plano do visível, pela própria
inconsciência de si, nelas inculcada por mecanismos que todos conhecemos há
muito.
Assim sendo, aceitamos «herdar as margens» onde Maria Gabriela Llansol sempre viveu e escreveu, e actuar no espaço impoluto, mais livre e mais justo que ela visionou como a «Restante Vida». E procurando assim levar à prática, como dever inalienável daqueles que ainda acreditam que existe no ser humano um fundo sensível e um horizonte ético capazes de produzir beleza e ideias, formas de actuação que recuperem e reafirmem aquilo que o passado e o presente têm para oferecer de mais genuinamente humano, libertador e formador das consciências.
Por estas razões, e no momento em que, apesar de todos os constrangimentos, o Espaço Llansol se expande e projecta novas formas de diálogo e intervenção, sentimos que é importante reavivar uma vertente geralmente menos merecedora da atenção daqueles que se vêm debruçando sobre a sua Obra, mas intrinsecamente constitutiva da ética e da estética de Maria Gabriela Llansol: a vertente propriamente política e crítica dessa Obra, no sentido mais amplo e nobre destes termos. Desde o primeiro texto que publicou — o conto «Empregada», no Diário de Notícias de 12 de Setembro de 1957 – que Llansol se afirma pelo porte íntegro e por uma orientação de pensamento que a encaminham para a denúncia dos males da História e das limitações do «social» tal como o conhecemos hoje, levando-a a assumir, até ao fim, um lugar conscientemente «acentrado».
Num momento em que claramente «está de volta o medo» e «tudo segue uma rota de exclusão da pujança», como Maria Gabriela Llansol diagnosticava já em 1994, é preciso que o falcão do voo livre não adormeça no punho de onde saiu a sua escrita, e penetre também no de muitos outros que a lêem. Porque reaparece hoje, amplificada diante dos nossos olhos, uma Europa perdida de si mesma, como aquela que nos deu a ver Augusto Joaquim, logo na hora de nascimento desse livro-fonte da afirmação da «liberdade de consciência» e do «dom poético» que foi O Livro das Comunidades (1977): «Barbárie a Leste, lucro a Oeste, pobreza a Sul, neve a Norte». E, apesar disso, Llansol afirmará até ao fim (ainda em Os Cantores de Leitura, último livro, de 2007), a necessidade de saber «o que é o corpo, / o que é a luz, / o que é a força, / o que é o afecto, / o que é o pensamento, / o que é a figura». É todo um programa que podemos seguir. É, por isso, a hora de, sem ilusões ingénuas nem pretensões utópicas, assumir «o presente como destino» e continuar a escrever o texto de Llansol «na plena posse das nossas faculdades de leitura» – leitura desse texto e daqueles outros que, ao longo dos anos, o foram completando e iluminando no espaço de outras artes e do pensamento, e leitura do mundo, articulando-os em actividades de vária ordem que o novo espaço do Espaço Llansol tenciona acolher e dinamizar.
Assim sendo, aceitamos «herdar as margens» onde Maria Gabriela Llansol sempre viveu e escreveu, e actuar no espaço impoluto, mais livre e mais justo que ela visionou como a «Restante Vida». E procurando assim levar à prática, como dever inalienável daqueles que ainda acreditam que existe no ser humano um fundo sensível e um horizonte ético capazes de produzir beleza e ideias, formas de actuação que recuperem e reafirmem aquilo que o passado e o presente têm para oferecer de mais genuinamente humano, libertador e formador das consciências.
Por estas razões, e no momento em que, apesar de todos os constrangimentos, o Espaço Llansol se expande e projecta novas formas de diálogo e intervenção, sentimos que é importante reavivar uma vertente geralmente menos merecedora da atenção daqueles que se vêm debruçando sobre a sua Obra, mas intrinsecamente constitutiva da ética e da estética de Maria Gabriela Llansol: a vertente propriamente política e crítica dessa Obra, no sentido mais amplo e nobre destes termos. Desde o primeiro texto que publicou — o conto «Empregada», no Diário de Notícias de 12 de Setembro de 1957 – que Llansol se afirma pelo porte íntegro e por uma orientação de pensamento que a encaminham para a denúncia dos males da História e das limitações do «social» tal como o conhecemos hoje, levando-a a assumir, até ao fim, um lugar conscientemente «acentrado».
Num momento em que claramente «está de volta o medo» e «tudo segue uma rota de exclusão da pujança», como Maria Gabriela Llansol diagnosticava já em 1994, é preciso que o falcão do voo livre não adormeça no punho de onde saiu a sua escrita, e penetre também no de muitos outros que a lêem. Porque reaparece hoje, amplificada diante dos nossos olhos, uma Europa perdida de si mesma, como aquela que nos deu a ver Augusto Joaquim, logo na hora de nascimento desse livro-fonte da afirmação da «liberdade de consciência» e do «dom poético» que foi O Livro das Comunidades (1977): «Barbárie a Leste, lucro a Oeste, pobreza a Sul, neve a Norte». E, apesar disso, Llansol afirmará até ao fim (ainda em Os Cantores de Leitura, último livro, de 2007), a necessidade de saber «o que é o corpo, / o que é a luz, / o que é a força, / o que é o afecto, / o que é o pensamento, / o que é a figura». É todo um programa que podemos seguir. É, por isso, a hora de, sem ilusões ingénuas nem pretensões utópicas, assumir «o presente como destino» e continuar a escrever o texto de Llansol «na plena posse das nossas faculdades de leitura» – leitura desse texto e daqueles outros que, ao longo dos anos, o foram completando e iluminando no espaço de outras artes e do pensamento, e leitura do mundo, articulando-os em actividades de vária ordem que o novo espaço do Espaço Llansol tenciona acolher e dinamizar.
*
Este pode ser, será, o programa do
novo espaço do Espaço Llansol que dá pelo nome de «Letra E», inscrita na porta em frente daquela em que até agora
trabalhámos, e continuaremos a trabalhar, no espólio da autora. A «Letra E» será um espaço ainda mais público e aberto a
intervenções que desejamos múltiplas e sem fronteiras, um prolongamento do
legado que vive em frente, na letra F, e nos estimula e guia. Dele derivamos os
princípios programáticos que procuraremos levar à prática, como mais um modesto
contributo para o diálogo e o pulsar vivo do pensamento e do olhar, a partir da
Obra de Maria Gabriela Llansol, que poderia ler assim esta Letra E:
de esperança, o
horizonte do júbilo possível e necessário no «jardim devastado» do mundo.
de entendimento (no sentido que M. G. Llansol lhe atribui, ela que sempre considerou necessário, na sequência de Spinoza, um novo Tratado da Reforma do Entendimento).
de entresser, essa zona de existir entre o real e o possível, entre o Mundo e a Restante Vida, entre o humano, o não-humano e o trans-humano.
de Espaço Edénico, o lugar não mítico do «triplo registo» em que os corpos se movem e a escrita actua: o lugar do belo, do pensamento e do Vivo. Lugar «criado no meio da coisa, como um duplo feito de novo e de desordem».
de ensaio e experiência, princípios que nos guiarão na busca permanente dos fios que ligam o texto de Llansol ao nosso tempo, para podermos ir verificando se «aquilo que o texto tece advirá ao homem como destino».
de escrita (o reverso do que continua a chamar-se «literatura»), natural e necessariamente ligada ao universo de alguém que foi, não escritora, mas escrevente, animal de escrita à margem de tanta «escrita de cinza» que agora sufoca quem por ela se deixa asfixiar, e correndo através do mundo e dos tempos, assumindo a sua condição animal, fazendo vibrar um grande arco sob o qual se inscreve um duplo propósito interventivo: o de «espalhar a justiça e a desordem» (hoje, com o texto conhecido e sobretudo desconhecido de Llansol).
Poderemos assim, talvez, dar continuidade, na Letra E, a uma ética aberta que atribua a cada ser o seu lugar no mundo, e a uma estética que siga o rasto do fulgor deixado pelo texto de Maria Gabriela Llansol. Reinventando, como ele, caminhos e visões alternativos à geometria seca e mortífera da realidade que nos querem impor.
A letra E (o epsilon grego) está associada, no enigma da sua antiga inscrição no oráculo de Delfos, à sageza comum. É o que sugere, entre outros sentidos possíveis, um diálogo de Plutarco. Também para Maria Gabriela Llansol a sageza comum era um ingrediente significativo da sua relação com o mundo através da escrita. E condição de toda a leitura que, amplificando-o, abrisse o texto para lançar a luz do provável sobre o mistério desse mundo. Sem certezas, mas com algumas convicções.
de entendimento (no sentido que M. G. Llansol lhe atribui, ela que sempre considerou necessário, na sequência de Spinoza, um novo Tratado da Reforma do Entendimento).
de entresser, essa zona de existir entre o real e o possível, entre o Mundo e a Restante Vida, entre o humano, o não-humano e o trans-humano.
de Espaço Edénico, o lugar não mítico do «triplo registo» em que os corpos se movem e a escrita actua: o lugar do belo, do pensamento e do Vivo. Lugar «criado no meio da coisa, como um duplo feito de novo e de desordem».
de ensaio e experiência, princípios que nos guiarão na busca permanente dos fios que ligam o texto de Llansol ao nosso tempo, para podermos ir verificando se «aquilo que o texto tece advirá ao homem como destino».
de escrita (o reverso do que continua a chamar-se «literatura»), natural e necessariamente ligada ao universo de alguém que foi, não escritora, mas escrevente, animal de escrita à margem de tanta «escrita de cinza» que agora sufoca quem por ela se deixa asfixiar, e correndo através do mundo e dos tempos, assumindo a sua condição animal, fazendo vibrar um grande arco sob o qual se inscreve um duplo propósito interventivo: o de «espalhar a justiça e a desordem» (hoje, com o texto conhecido e sobretudo desconhecido de Llansol).
Poderemos assim, talvez, dar continuidade, na Letra E, a uma ética aberta que atribua a cada ser o seu lugar no mundo, e a uma estética que siga o rasto do fulgor deixado pelo texto de Maria Gabriela Llansol. Reinventando, como ele, caminhos e visões alternativos à geometria seca e mortífera da realidade que nos querem impor.
A letra E (o epsilon grego) está associada, no enigma da sua antiga inscrição no oráculo de Delfos, à sageza comum. É o que sugere, entre outros sentidos possíveis, um diálogo de Plutarco. Também para Maria Gabriela Llansol a sageza comum era um ingrediente significativo da sua relação com o mundo através da escrita. E condição de toda a leitura que, amplificando-o, abrisse o texto para lançar a luz do provável sobre o mistério desse mundo. Sem certezas, mas com algumas convicções.
Foi neste espírito que esboçámos,
para todos os que connosco queiram colaborar e participar, as
Linhas gerais do Programa da «Letra E»
Na Letra E,
tudo o que fizermos será sempre feito em articulação com a Obra de M. G.
Llansol, partindo dela ou para ela remetendo – na letra ou apenas no espírito.
Na Letra E
Na Letra E
guiar-nos-á a intenção de abrir a um público mais vasto os amplos sentidos
da sua Obra, em particular do espólio que pacientemente vimos tratando e
disponibilizando, e a pujança de um pensamento radical e de um mundo imagético
e de raiz sensível, fonte privilegiada da escrita de Llansol.
Na Letra E
Na Letra E
iremos expor e comentar, em regime rotativo, obras de pintura, desenho,
colagem, fotografia, escultura (do acervo do Espaço Llansol, e outras); e
também manuscritos, cadernos, fotografias do arquivo, livros especiais,
documentos, objectos, etc..
Na Letra E
Na Letra E
acontecerão ao longo do ano, em sessões abertas a todos os interessados,
leituras e seminários, debates abertos e lançamentos de livros, sessões de
cinema comentadas, teatro, música, performance.
Na Letra E
Na Letra E
contamos ter, como intervenientes, escritores, artistas plásticos, actores,
músicos, cineastas, críticos, pensadores, tradutores de Llansol, crianças.
Na Letra E
Na Letra E
teremos sempre a preocupação de prosseguir o caminho que
encetámos ainda com a Maria Gabriela e o Augusto, e de fazer desta nossa e
vossa casa, nas palavras de Llansol, um lugar que seja, «não um museu, mas um
pensamento, um lugar para viver. A única condição é o pensamento poder audaciar-se, exprimir-se em obra que
fique em toda a parte» (Caderno 1.43, 1995).
Sintra, vista da «Letra E»
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Publicado às
16:04
18.1.12
DOSSIER LLANSOL EM REVISTA DA MADEIRA
A revista Pensar Diverso - Revista de Estudos Lusófonos, editada pela Universidade da Madeira sob a direcção da Profª Celina Martins, inclui no seu último número, de 2011, um dossier centrado na ideia de Comunidade na Obra de Maria Gabriela Llansol. Toda a revista é dedicada a essa ideia em vários domínios – Filosofia, Artes, Linguística –, e o dossier Llansol conta com artigos de João Barrento, Maria de Lourdes Soares, Celina Martins e Odete Jubilado, incluindo ainda excertos do livro de Gonçalo M. Tavares Breves Notas sobre as Ligações - Llansol, Molder e Zambrano.
Publicado às
23:37
16.1.12
VAI ABRIR A «LETRA E» DO ESPAÇO LLANSOL
No dia 28 de Janeiro inauguramos o espaço público a que demos o nome de «Letra E» – o da porta em frente da nossa, a F, no edifício da antiga Estalagem da Raposa, em Sintra, onde trabalhamos desde 2008. A Letra E será um lugar de encontro e de debate, de circulação do pensamento e da arte, de divulgação do espólio de M. G. Llansol. Orientam-nos, nesta nova porta que o Espaço Llansol abre a todos os interessados na Obra de Llansol, algumas linhas fixadas na «Carta de princípios da Letra E», que divulgaremos no dia da inauguração, mas da qual extraimos já algumas passagens:
Num momento
em que claramente «está de volta o medo» e «tudo segue uma rota de exclusão da
pujança», como Maria Gabriela Llansol diagnosticava já em 1994, é preciso que o
falcão do voo livre não adormeça no punho de onde saiu a sua escrita, e penetre
também no de muitos outros que a lêem. Porque reaparece hoje, amplificada
diante dos nossos olhos, uma Europa perdida de si mesma, como aquela que nos
deu a ver Augusto Joaquim, logo na hora de nascimento desse livro-fonte da
afirmação da «liberdade de consciência» e do «dom poético» que foi O Livro das Comunidades (1977):
«Barbárie a Leste, lucro a Oeste, pobreza a Sul, neve a Norte». E, apesar
disso, Llansol afirmará até ao fim (ainda em Os Cantores de Leitura, último livro, de 2007), a necessidade de
saber «o que é o corpo,
/ o que é a luz, / o que é a força, / o que é o afecto,
/ o que é o pensamento, / o que é a figura». É todo um programa que podemos
seguir. É, por isso, a hora de, sem ilusões ingénuas nem pretensões utópicas,
assumir «o presente como destino» e continuar a escrever o texto de Llansol «na
plena posse das nossas faculdades de leitura» – leitura desse texto e daqueles
outros que, ao longo dos anos, o foram completando e iluminando no espaço de
outras artes e do pensamento, e leitura do mundo, articulando-os em actividades
de vária ordem que o novo espaço do Espaço Llansol tenciona acolher e dinamizar.
O «E» na porta será o E
- da esperança, o
horizonte do júbilo possível e necessário no «jardim devastado» do mundo.
- do entendimento
(Llansol sempre considerou necessário, na sequência de Spinoza, um novo Tratado da Reforma do Entendimento).
- do entresser, essa
zona de existir entre o real e o possível, entre o Mundo e a Restante Vida,
entre o humano, o não-humano e o trans-humano.
- do Espaço Edénico, o lugar não mítico do
«triplo registo» em que os corpos se movem e a escrita actua: o lugar do belo,
do pensamento e do Vivo. Lugar «criado no meio da coisa, como um duplo feito de
novo e de desordem».
- do ensaio e da experiência, princípios que nos guiarão
na busca permanente dos fios que ligam o texto de Llansol ao nosso tempo, para
podermos ir verificando se «aquilo que o texto tece advirá ao homem como
destino».
- da escrita (o
reverso do que continua a chamar-se «literatura»), natural e necessariamente
ligada ao universo de alguém que foi, não escritora, mas escrevente, animal de
escrita à margem de tanta «escrita de cinza» que agora sufoca quem por ela se
deixa asfixiar, e correndo através do mundo e dos tempos, assumindo a sua
condição animal, fazendo vibrar um grande arco sob o qual se inscreve um duplo
propósito interventivo: o de «espalhar a justiça e a desordem» (hoje, com o
texto conhecido e sobretudo desconhecido de Llansol).
Oferecemos já aos nossos leitores e amigos algumas imagens do espaço da Letra E, que remodelámos neste último mês, e o programa para o primeiro trimestre de 2012. A partir de agora o Espaço Llansol divulgará também as suas actividades através de uma página no Facebook: https://www.facebook.com/EspacoLlansol.
Aqui fica também já o primeiro programa trimestral, que, como será apanágio da Letra E, se abre a múltiplas áreas e formas de intervenção e de diálogo. Procuraremos ainda, para cada ano, escolher um tema, uma figura, uma matéria importantes na Obra de M. G. Llansol, e dar-lhe o devido destaque ao longo desse ano. Para 2012, o ano em que sairá a primeira tradução de um livro de Llansol para alemão – Lisboaleipzig –, e em que contamos avançar mais no levantamento e transcrição do vasto sector do espólio manuscrito e dactiloscrito centrado nestas duas figuras, o tema escolhido foi Pessoa-Aossê e Bach em Llansol.
(clique nas imagens para aumentar)
Esperamos por todos. Divulguem-nos. Convidamo-vos a entrar com as palavras de Spinoza num dos livros de Llansol, servindo-se, ele também, da letra E:
Publicado às
17:00
31.12.11
O ANO É NOVO, O ESPÍRITO É O MESMO,
O ESPAÇO AMPLIA-SE!
Na entrada do novo ano, recolhemos dos milhares de papéis do espólio dois pensamentos de Maria Gabriela Llansol que desde o início guiam o nosso trabalho. Um trabalho que – para além do muito que vamos publicando, organizando, expondo, divulgando – terá ainda, por muito tempo, de ser sereno, paciente, rigoroso, para que outros possam fruir plenamente de uma escrita e de um mundo cujo conhecimento real, sem devaneios nem ligeirezas, tem hoje de passar por um acervo que é muito maior do que a Obra publicada.
Só pensamentos como esses nos servem, só eles podem ser produtivos, livres de megalomanias, vaidades mesquinhas, desesperos. Tomamo-los como lema das Letras F e E do Espaço Llansol, que se complementam e estão abertas a todos aqueles que – sem preconceitos nem pretensões de aceder à verdade de um texto que a não reclama para si – nos queiram visitar ou aqui trabalhar seriamente.
Publicado às
11:42
O JL DIVULGA FILME SOBRE LLANSOL
O JL noticia, no seu número 1076, de 28 de Dezembro, a selecção do filme «Encontro com S. João da Cruz», de Daniel Ribeiro Duarte, para a XV Mostra de Cinema de Tiradentes, no Brasil (ver nosso post de 23 de Dezembro).
Publicado às
00:30
25.12.11
ECOS DE LLANSOL NO BRASIL (3)
Os Diários em resenha n' O Globo, do Rio de Janeiro
O jornal O Globo, do Rio de Janeiro, inclui na sua edição de ontem (no suplemento «Prosa & Verso») uma recensão dos Diários de Maria Gabriela Llansol saídos recentemente na Editora Autêntica, de Belo Horizonte. A autora da resenha é a poeta e estudiosa da literatura portuguesa Júlia Studart, que a dada altura destaca que «o trabalho de Llansol, uma espécie de jogo com a literatura, quando toda literatura comparece numa aposta ou num pacto que se dá entre posse e despossessão, imprime um traço de rupturas constantes com o texto (tradição, imagem, História, etc.), que agora temos mais perto a partir dos diários recém-lançados.» E ainda: «O leitor, ou o legente, como ela prefere, tem que incorporar o corte e a dobra do sentido desse narrador do inexpresso, inserir-se numa avaria das células de seu corpo e do corpo do texto para tocar ali o intocável. Isto é uma política com o texto e o texto como um lugar político; um impasse armado com a linguagem, este nosso fosso, e com a literatura.»
Clique aqui ou na imagem abaixo para ler o texto completo de Júlia Studart.
Publicado às
12:47
23.12.11
ENCONTRO COM S. JOÃO DA CRUZ
Filme de Daniel Ribeiro Duarte
O filme de Daniel Ribeiro Duarte sobre o nascimento de João da Cruz na Obra de Llansol e o trabalho no Espaço Llansol, feito a partir de fotografias, cadernos e livros do espólio, que foi apresentado nas Terceiras Jornadas Llansolianas de Sintra em Setembro passado, acaba de ser seleccionado para a 15ª Mostra de Cinema de Tiradentes (Minas Gerais, Brasil). A Mostra apresenta, entre 20 e 28 de Janeiro de 2012, cinema brasileiro contemporâneo.
Mais informação sobre a mostra e o filme: aqui. E um brevíssimo trailer do filme do Daniel, nosso colaborador e responsável pela organização do arquivo fotográfico do espólio de Maria Gabriela Llansol:
Publicado às
15:50
16.12.11
IMPRESSÕES SOBRE
EUROPA EM SOBREIMPRESSÃO
Na apresentação do livro Europa em Sobreimpressão. Llansol e as dobras da História, uma co-edição do Espaço Llansol e Asssírio & Alvim, que decorreu ontem na livraria Assírio & Alvim do Chiado, em Lisboa, o escritor, psiquiatra, antropólogo e perspicaz leitor de Maria Gabriela Llansol, António Vieira, fez uma análise circunstanciada deste livro, de que extraímos algumas passagens (clique nas imagens para aumentar):
O objecto livro
Algumas palavras sobre o método deste livro ousado: depois da introdução geral, seis capítulos divididos em subcapítulos, cada um da responsabilidade de um autor. Quando há uma personagem-chave que forma o eixo de um capítulo, incluem-se no fim textos expressivos dessa mesma personagem em tradução para português. Nas margens das páginas, abrem-se janelas cor de ocre que contêm excertos de Llansol, textos alusivos ou tutelares do que é discutido, oferecidos em contraponto ao texto central e trazendo-lhe referências. Depois do último capítulo aparecem ao leitor três páginas autobiográficas de Maria Gabriela. Ao longo das páginas do livro dispõem-se imagens respeitantes aos temas tratados, incluindo as belas fotografias obtidas (adverte-nos a nota prévia) por Maria Etelvina Santos, em sítios e objectos de Llansol. Por fim, numa bolsa sob a terceira capa, encontra-se um DVD com filmagens de Daniel Ribeiro Duarte sobre diversos trechos de locais por onde andou Maria Gabriela, e sobre personagens que informaram algumas das suas figuras principais (Hölderlin, Nietzsche, Spinoza, místicos e béguines).
Esta sobreimpressão da Europa é uma prodigiosa figura de retórica que concentra os itinerários de escrita de Llansol. Sítios, figuras, ideias e tempos múltiplos do mundo europeu (só Al Halladj é um cometa breve provindo da Ásia) projectam-se numa escrita que os confronta e assimila numa mesma substância, que é o texto torrencial por que se desenrola o pensamento da escritora, ou aquilo que do seu pensamento ela nos quer dar a ver. Porque «preciso que outros vejam o que eu escrevo» (p. 209). Surge-nos assim uma comédia humana (divina, em certos pontos!) cujas personagens transmigram de uns para outros livros – romances, diários, livros de poemas –, suscitando atitudes e olhares insurgentes perante o mundo. Ou seja, a imaginação inventiva da escritora cria mapas e planos onde o espaço, o tempo e a gravitação das ideias no Ocidente se reconfiguram e se oferecem à leitura, à reflexão. Nada, absolutamente nada, nesta Obra literária é unívoco. Não nos movimentamos por um espaço de Euclides, mas por espaços de Riemann imprevistos, que não coincidem com os hábitos dos nossos sentidos nem com a lógica da nossa memória histórica. Grandes constelações de figuras são traçadas, aspectos inéditos do perceber, intuir e sentir do mundo são propostos, uma vez olhados pelo olho de libélula da escritora, e logo projectados na magia da sua escrita, sistema óptico misterioso em que convergem e confluem mil imagens numa só visão, e se suscitam mil ideias, a partir do mesmo olhar intenso, impetuoso e móvel.
[...]
É uma grande fortuna, para um escritor – sobretudo para alguém que escreve: «Prefiro ser aceite pela geração futura a ser completamente aceite pela geração presente» (p. 206) –, que alguém possa, depois da sua morte física, acolher a sua escrita, preservá-la, organizá-la, difundi-la e aprofundá-la como o fazem João Barrento e Etelvina Santos com a Obra de Maria Gabriela. Porque não a dão a dissecar anatomicamente (como numa autópsia exaustiva) a centenas de universitários que a reduzirão a centenas de teses pelo mundo fora, averiguando e reificando todos os seus conteúdos e sentidos até à náusea, numa espécie de arqueologia implacável decidida a tudo explicar sem nada compreender. Nada disso! Os dois, e o grupo que os acompanha, restituem uma Obra extensa e em parte desconhecida, e propõem-nos chaves possíveis para o seu entendimento.
[...]
E, nas páginas finais, em cores sanguíneas, o leitor encontra duas fotos e alguns parágrafos da escrita de Maria Gabriela Llansol, como saídos do Hades para uma visita breve mas clarificadora, pela mão dos que, segundo as palavras oraculares da escritora, «se lembraram de não a deixar morrer» (p. 207). «Abro o dia novo com esta carta aberta, em que a minha própria humanidade me soa a humanidade posta à prova» (p. 209).
Publicado às
17:09
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