4.10.10

O LIVRO DE HORAS I NA COLÓQUIO-LETRAS

O último número da revista Colóquio-Letrras (o 175, Setembro-Dezembro 2010), inclui uma longa, minuciosa e muito atenta nota crítica de Isabel Cristina Mateus, professora e investigadora da Universidade do Minho, sobre o primeiro dos «Livros de Horas», Uma Data em Cada Mão, saído o ano passado na Assírio & Alvim.
A autora, que faz uma excelente leitura contextualizadora dos diários inéditos de Llansol, escreve, por exemplo:

«Aparentemente, Uma Data em Cada Mão não vem acrescentar nada de substancialmente novo ao projecto de escrita llansoliano construído (ou melhor, em construção) ao longo dos cerca de trinta volumes publicados em vida da escritora... [...] E, no entanto, Uma Data em Cada Mão vem trazer tudo de novo àquilo que já conhecíamos desse projecto: um olhar diferente, mais próximo, mais íntimo, sobre este universo, uma porta entreaberta a cujo limiar assoma, com mais nitidez do que nunca, uma figura desenhando com a mão um gesto que nos convida a entrar.»
E, a concluir, lemos ainda:
«... Comentário a uma observação (provocadora) do diário: 'Os bons escritores fazem os maus diários. Aceito fazer um mau diário' (p. 61). Não é certo que estejamos perante um 'mau diário'; mas estamos, seguramente, perante uma 'grande escritora.»


18.9.10

NOVA EDIÇÃO: LLANSOL EM ITALIANO

Está pronto para distribuição em Itália e na Suíça italiana o novo livro da editora suíça Pagine d'Arte, que inclui O Jogo da Liberdade da Alma, a grande entrevista «O Espaço Edénico» e um dossier Llansol com textos inéditos dos cadernos e ensaios de João Barrento («A ataraxia activa do olhar») e Maria Etelvina Santos («A geometria da imagem nua»). Na edição figura ainda um desenho original do pintor Alexandre Holan e fotografias da casa de Sintra.
As edições italiana e francesa de O Jogo da Liberdade da Alma e O Espaço Edénico estarão à venda durante as próximas Jornadas Llansolianas de Sintra, no Centro Cultural Olga Cadaval (sábado 25 de Setembro, a partir das 14 horas, e domingo 26, todo o dia).


JORNADAS LLANSOLIANAS:
OS TEXTOS DE 2009 EM VOLUME


Vai ser lançado e posto à venda durante as Jornadas deste ano, no próximo dia 25 à tarde, um novo volume da colecção «Rio da Escrita», editada pela Mariposa Azual, que reune as intervenções das Jornadas de 2009, subordinadas ao tema «Llansol: O novo, o Vivo, o actual».
Fica aqui a capa do novo livro e excertos do «Pórtico» que o abre:

Os textos que aqui se publicam põem claramente em evidência, na diversidade de perspectivas que lhes é própria e faz jus ao objecto de que se ocupam, que os conceitos do novo e do actual se abrem a tudo aquilo que, no contexto literário, cultural e civilizacional contemporâneo, pode ser visto na Obra de Maria Gabriela Llansol como actuante, singular e vivo.
«Actuais» serão, assim, neste Texto, tanto os caminhos que ele partilha com o pensamento e alguma praxis deste nosso tempo, como os valores que ele propõe e que hoje foram secundarizados ou soterrados. A escrita de Maria Gabriela Llansol pontua também este livro, completando os textos das intervenções com excertos inéditos dos cadernos do espólio, na medida do possível próximos da temática das Jornadas e dos seus tópicos condutores. Esses fragmentos inserem-se em extratexto, em cor diferente e em itálico, apresentando-se no seu conjunto como um percurso da autora através das suas próprias noções do novo, do Vivo e do actual, por vezes com surpreendentes derivas e amplificações.

16.9.10

NOVO VOLUME DE INÉDITOS A LANÇAR NAS JORNADAS

No domingo, 26 de Setembro, à tarde, apresentaremos durante as Segundas Jornadas Llansolianas de Sintra, no Centro Cultural Olga Cadaval, o segundo colume do «Livro de Horas» de M. G. Llansol, que será comentado por José Manuel de Vasconcelos.
Mostramos já o que vai ser a capa desse novo livro, e antecipamos alguns aspectos marcantes da matéria extraída dos cadernos manuscritos de Llansol, nos anos de 1977 a 1979 do exílio da Bélgica (da introdução de João Barrento e Maria Etelvina Santos).

Neste segundo volume do Livro de Horas evidenciam-se essencial mente duas vertentes. Por um lado, predominam registos tendencialmente bastante mais pessoais (por vezes mesmo íntimos) do que no primeiro volume. A matéria biográfica, as evocações da infância, as crises de relacionamento na vida social, as tensões entre indivíduo de escrita e grupos profissionais, ocupam grande parte da escrita diarística destes anos de 1977-1978 (correspondentes aos cadernos nº 3 a 6 da primeira série do espólio), uma época em que a escrita tem de alternar com o trabalho, e se vê, por isso, frequentemente atravessada por tensões e nostalgias. Por outro lado, põe-se mais à vista a oficina de Llansol, sobretudo no que se refere ao trabalho de pesquisa e de entrosamento da experiência com a narração e a escrita, particularmente do segundo e terceiro livros da primeira trilogia, A Restante Vida e Na Casa de Julho e Agosto.
[...]

Uma palavra sobre o título encontrado para este segundo volume: o «arco singular» que nele se traça (sugerido pela leitura de Rilke) é múltiplo, e será decisivo para o resto da vida e da escrita de Maria Gabriela Llansol. Esse arco vai do entusiasmo inicial da experiência cooperativa de trabalho e ensino à desilusão final dessa vivência, tão típica de uma época de ideais alternativos e de contradições. É o arco da tensão crescente entre as imposições da sobrevivência e a «sobrevida» que só a escrita de mais dois livros pode trazer, os que ocupam grande parte destes cadernos e deste período... É o arco que vai da matéria medieval, e fascinante, do universo de beguinas, cátaros, gnósticos e alquimistas à descoberta da escrita e da existência de outras mulheres, escritoras do mesmo século XX, e grandes revelações, como Virginia Woolf e Katherine Mansfield. É, em termos de quotidiano estrito, o arco que vai da saída de Lovaina e do seu mundo mais cosmopolita à aparente felicidade da vida mais tranquila na casa de Jodoigne (que evoca vagamente a da infância, e por isso é objecto de tanta atenção) e ao anúncio da saída para o isolamento ainda maior de Herbais, que proporcionará finalmente uma existência quase exclusivamente preenchida pela escrita. O «arco singular» que este livro dá a ver é, enfim, o de uma linha parabólica sempre bidireccional e tensa, com um vórtice em cima e outro em baixo, entre os quais se desenrola o percurso de um ser de escrita que, como dirão mais tarde as últimas palavras de O Senhor de Herbais, sendo como poucos singular, nunca seria «uma singularidade vã».


10.9.10

AVULSOS DE LLANSOL EM EXPOSIÇÃO NAS JORNADAS


As próximas Jornadas Llansolianas de Sintra, de que já aqui divulgámos o programa, (e agora mostramos o cartaz) terão, entre outos momentos singulares, uma exposição de algumas dezenas de papéis avulsos com escrita de Maria Gabriela Llansol (uma ínfima parte dos que temos no espólio), que intitulámos Rara & Curiosa. Do que se poderá ver em 25 e 26 de Setembro no Centro Cultural Olga Cadaval, em Sintra, dá conta o início do caderno-catálogo dessa exposição (disponível durante as Jornadas), um texto de João Barrento intitulado
A palavra imediata

O «avulso» é a expressão acabada da escrita que ainda o não é, e já vai a caminho, já nasceu, começa a germinar, para crescer ou se mostrar no esplendor já maduro de uma frase, na janela semi-aberta de um enigma que o texto desdobrará. Fragmentário, e aquém do fragmento, escrita esburacada, impulsiva mas muitas vezes logo incisiva e luminosa, o papel avulso que não tem lugar (por vezes nem data) de nascimento certo, é mais filho da visão do que da ideia, é o prolongamento espontâneo dos sentidos, sobretudo do olhar. Num dos cadernos manuscritos de Maria Gabriela Llansol, em 16 de Maio de 1998, lê-se: «Observar é o primeiro modo de escrever; o primeiro entre outros igualmente principais. Mas o que eu não quis ver – não escrevi.»

Esta forma particular de infância da escrita, frágil, informe, desapoiada, acomoda-se a qualquer lugar. Na sua incontida urgência, ou também no vagar que a viu nascer à mesa do café, num momento de espera, em viagem, qualquer suporte lhe serve, pede abrigo a fichas, folhas soltas de vários formatos, com uma única frase ou com vários tufos de escrita em labirinto, já usadas ou impressas de um dos lados, a envelopes que denunciam ligações, guardanapos de mesa de café ou restaurante, jornais, programas de espectáculos, plantas de cidades, postais, marcadores de livros; e usa até, no início, as bases dos copos de cerveja que, na Bélgica (em Lovaina ou Bruxelas), albergam fragmentos de diálogos amorosos... – para não falar já das páginas dos próprios livros, no caso das
marginalia, a perder de vista, que recolheremos um dia dos cerca de 2.500 volumes da biblioteca pessoal de Llansol.
Tudo isto se encontra no imenso conjunto de papéis avulsos que foram surgindo no espólio de Maria Gabriela Llansol – quase dois mil, entre os que fomos descobrindo em todos os lugares da casa que foi a sua, em gavetas, em livros, misturados com correspondência, e aqueles, cerca de mil, que ela deixara disseminados pelos cadernos manuscritos, onde ficaram depois de classificados... [...]
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3.9.10

LLANSOL E O ESPAÇO LLANSOL NA REVISTA «LER»

O número de Setembro da revista LER-Livros & Leitores, posto à venda hoje, traz uma reportagem de Filipa Melo sobre a escrita de M. G. Llansol e o trabalho que, no Espaço Llansol, vimos desenvolvendo com o tratamento do seu espólio.

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2.9.10

SEGUNDAS JORNADAS LLANSOLIANAS DE SINTRA

Está pronto o Programa das Segundas Jornadas de Sintra, este ano centradas no livro O Jogo da Liberdade da Alma, com participações de França, da Suíça, do Brasil e de Portugal, lançamento de dois novos livros, projecção de um documentário, um recital comentado, exposição de manuscritos e desenhos de Maria Gabriela Llansol e leitura de inéditos pelo actor Diogo Dória.
A entrada para o palco do Grande Auditório do Centro Cultural Olga Cadaval, onde tudo se desenrolará, é livre. Esperamos por todos os interessados, legentes e curiosos, no sábado, 25 (à tarde) e no domingo 26 de Setembro (todo o dia).
Todos os pormenores no programa que se reproduz abaixo (para ler, clique nas imagens).


17.8.10

«O MEU GUIA É O FALCOEIRO...»

A dada altura do longo período da génese dos dois volumes de Lisboaleipzig (publicado em 1994), corria o ano de 1987, Maria Gabriela Llansol começa a anotar num dos cadernos (o número 1.25) o resultado das suas pesquisas sobre falcões. O falcão, que já dera título ao primeiro dos Diários – Um Falcão no Punho, de 1985 –, sem que, no entanto, esta ave de reis aí desempenhasse algum papel particular, haveria de tornar-se figura de relevo em Lisboaleipzig:
– na figuração metafórica da relação entre escrevente e texto, entre o punho que lança o voo e o pulso de onde nasce a escrita: «Nevava em Lovaina, de encontro aos cafés que eu abrangia como comunidades de peregrinos, e suspeitei que um falcão voava para o meu trabalho — com uma aura de terra, e vindo de uma coutada. Não pousou no meu pulso, entrou no meu pulso. E são-me entregues os seus olhos redondos, duas vezes maiores, entre mim e a neve. Aossê
era a transparência excessiva que chegava finalmente...» (Lisboaleipzig 2, 101).
– e sobretudo na ligação explícita ao renascimento de F. Pessoa/Aossê, transmutado em matéria «bi-humana» e em «homem livre – o que nunca foi em vida». (Lisboaleipzig 2, 70), e ganhando novo corpo a partir do ovo de falcão que lhe é trazido por Elisabeth, filha de Bach, e que ele próprio choca:
«Aossê
nu
sobre o chão
chocava no calor do seu ventre
o ovo do falcão que a fêmea lhe trouxera.
Ninguém podia entrar
no quarto fechado do horizonte que continha o poeta, e que o ia guardar naquele primeiro momento da novíssima arquitectura.» (Lisboaleipzig 2, 122).
E naquele caderno preparatório, em 1987, lê-se já: «Voou o falcão, ou Aossê feito ave» (Cad. 1.25, p. 34).
Tendo em vista projectos que hão-de concretizar-se em 2011, fomos recentemente, alguns dos colaboradores do Espaço Llansol, filmar e fotografar na falcoaria da Coudelaria de Alter do Chão. Centrámo-nos em particular num falcão peregrino (falco peregrinus) e num falcão branco (falco rusticolus), também conhecido por «gerifalte» ou «falcão letrado» (devido ao padrão da suas penas). E percebemos melhor, no convívio com estas aves extraordinárias, de vontade forte e soberanas, o fascínio de Llansol por elas.
Na sua biblioteca encontram-se livros e algumas outras fontes de informação sobre falcões, nomeadamente a sua representação na arte. Algumas das suas anotações sobre o falcão em 1987, e imagens da nossa breve expedição, podem ver-se no documento que se segue.



11.8.10

NOVO VOLUME DE TRADUÇÕES DE LLANSOL

Acaba de sair, na editora Relógio d'Água, mais um volume – o oitavo – de versões de poetas de língua francesa por Maria Gabriela Llansol, desta vez Les Chansons de Bilitis, do belga Pierre Loüys, que na edição portuguesa aparece com o título O Sexo de Ler de Bilitis (a opção do título é explicada na introdução por M. G. Llansol). Trata-se da principal obra deste poeta, contemporâneo de Mallarmé (também traduzido por M. G. Llansol, com edição prevista para breve na mesma colecção da Relógio d'Água), um conjunto de poemas em prosa que Loüys apresentou em 1894 como se fossem traduções de uma poetisa grega contemporânea de Safo, mas que a curto prazo foram identificados como seus, e adptados por Claude Debussy como canções para voz e piano.
Pode ler-se em baixo o primeiro poema destas novas versões de Llansol, que , tal como as de Mallarmé, esperavam há muito para ser editadas.

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30.7.10

SEGUNDAS JORNADAS LLANSOLIANAS DE SINTRA

Vêm aí as Segundas Jornadas do Espaço Llansol em Sintra. Damos já a informação disponível, que iremos completrando até à data do evento.
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