10.9.10

AVULSOS DE LLANSOL EM EXPOSIÇÃO NAS JORNADAS


As próximas Jornadas Llansolianas de Sintra, de que já aqui divulgámos o programa, (e agora mostramos o cartaz) terão, entre outos momentos singulares, uma exposição de algumas dezenas de papéis avulsos com escrita de Maria Gabriela Llansol (uma ínfima parte dos que temos no espólio), que intitulámos Rara & Curiosa. Do que se poderá ver em 25 e 26 de Setembro no Centro Cultural Olga Cadaval, em Sintra, dá conta o início do caderno-catálogo dessa exposição (disponível durante as Jornadas), um texto de João Barrento intitulado
A palavra imediata

O «avulso» é a expressão acabada da escrita que ainda o não é, e já vai a caminho, já nasceu, começa a germinar, para crescer ou se mostrar no esplendor já maduro de uma frase, na janela semi-aberta de um enigma que o texto desdobrará. Fragmentário, e aquém do fragmento, escrita esburacada, impulsiva mas muitas vezes logo incisiva e luminosa, o papel avulso que não tem lugar (por vezes nem data) de nascimento certo, é mais filho da visão do que da ideia, é o prolongamento espontâneo dos sentidos, sobretudo do olhar. Num dos cadernos manuscritos de Maria Gabriela Llansol, em 16 de Maio de 1998, lê-se: «Observar é o primeiro modo de escrever; o primeiro entre outros igualmente principais. Mas o que eu não quis ver – não escrevi.»

Esta forma particular de infância da escrita, frágil, informe, desapoiada, acomoda-se a qualquer lugar. Na sua incontida urgência, ou também no vagar que a viu nascer à mesa do café, num momento de espera, em viagem, qualquer suporte lhe serve, pede abrigo a fichas, folhas soltas de vários formatos, com uma única frase ou com vários tufos de escrita em labirinto, já usadas ou impressas de um dos lados, a envelopes que denunciam ligações, guardanapos de mesa de café ou restaurante, jornais, programas de espectáculos, plantas de cidades, postais, marcadores de livros; e usa até, no início, as bases dos copos de cerveja que, na Bélgica (em Lovaina ou Bruxelas), albergam fragmentos de diálogos amorosos... – para não falar já das páginas dos próprios livros, no caso das
marginalia, a perder de vista, que recolheremos um dia dos cerca de 2.500 volumes da biblioteca pessoal de Llansol.
Tudo isto se encontra no imenso conjunto de papéis avulsos que foram surgindo no espólio de Maria Gabriela Llansol – quase dois mil, entre os que fomos descobrindo em todos os lugares da casa que foi a sua, em gavetas, em livros, misturados com correspondência, e aqueles, cerca de mil, que ela deixara disseminados pelos cadernos manuscritos, onde ficaram depois de classificados... [...]
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3.9.10

LLANSOL E O ESPAÇO LLANSOL NA REVISTA «LER»

O número de Setembro da revista LER-Livros & Leitores, posto à venda hoje, traz uma reportagem de Filipa Melo sobre a escrita de M. G. Llansol e o trabalho que, no Espaço Llansol, vimos desenvolvendo com o tratamento do seu espólio.

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2.9.10

SEGUNDAS JORNADAS LLANSOLIANAS DE SINTRA

Está pronto o Programa das Segundas Jornadas de Sintra, este ano centradas no livro O Jogo da Liberdade da Alma, com participações de França, da Suíça, do Brasil e de Portugal, lançamento de dois novos livros, projecção de um documentário, um recital comentado, exposição de manuscritos e desenhos de Maria Gabriela Llansol e leitura de inéditos pelo actor Diogo Dória.
A entrada para o palco do Grande Auditório do Centro Cultural Olga Cadaval, onde tudo se desenrolará, é livre. Esperamos por todos os interessados, legentes e curiosos, no sábado, 25 (à tarde) e no domingo 26 de Setembro (todo o dia).
Todos os pormenores no programa que se reproduz abaixo (para ler, clique nas imagens).


17.8.10

«O MEU GUIA É O FALCOEIRO...»

A dada altura do longo período da génese dos dois volumes de Lisboaleipzig (publicado em 1994), corria o ano de 1987, Maria Gabriela Llansol começa a anotar num dos cadernos (o número 1.25) o resultado das suas pesquisas sobre falcões. O falcão, que já dera título ao primeiro dos Diários – Um Falcão no Punho, de 1985 –, sem que, no entanto, esta ave de reis aí desempenhasse algum papel particular, haveria de tornar-se figura de relevo em Lisboaleipzig:
– na figuração metafórica da relação entre escrevente e texto, entre o punho que lança o voo e o pulso de onde nasce a escrita: «Nevava em Lovaina, de encontro aos cafés que eu abrangia como comunidades de peregrinos, e suspeitei que um falcão voava para o meu trabalho — com uma aura de terra, e vindo de uma coutada. Não pousou no meu pulso, entrou no meu pulso. E são-me entregues os seus olhos redondos, duas vezes maiores, entre mim e a neve. Aossê
era a transparência excessiva que chegava finalmente...» (Lisboaleipzig 2, 101).
– e sobretudo na ligação explícita ao renascimento de F. Pessoa/Aossê, transmutado em matéria «bi-humana» e em «homem livre – o que nunca foi em vida». (Lisboaleipzig 2, 70), e ganhando novo corpo a partir do ovo de falcão que lhe é trazido por Elisabeth, filha de Bach, e que ele próprio choca:
«Aossê
nu
sobre o chão
chocava no calor do seu ventre
o ovo do falcão que a fêmea lhe trouxera.
Ninguém podia entrar
no quarto fechado do horizonte que continha o poeta, e que o ia guardar naquele primeiro momento da novíssima arquitectura.» (Lisboaleipzig 2, 122).
E naquele caderno preparatório, em 1987, lê-se já: «Voou o falcão, ou Aossê feito ave» (Cad. 1.25, p. 34).
Tendo em vista projectos que hão-de concretizar-se em 2011, fomos recentemente, alguns dos colaboradores do Espaço Llansol, filmar e fotografar na falcoaria da Coudelaria de Alter do Chão. Centrámo-nos em particular num falcão peregrino (falco peregrinus) e num falcão branco (falco rusticolus), também conhecido por «gerifalte» ou «falcão letrado» (devido ao padrão da suas penas). E percebemos melhor, no convívio com estas aves extraordinárias, de vontade forte e soberanas, o fascínio de Llansol por elas.
Na sua biblioteca encontram-se livros e algumas outras fontes de informação sobre falcões, nomeadamente a sua representação na arte. Algumas das suas anotações sobre o falcão em 1987, e imagens da nossa breve expedição, podem ver-se no documento que se segue.



11.8.10

NOVO VOLUME DE TRADUÇÕES DE LLANSOL

Acaba de sair, na editora Relógio d'Água, mais um volume – o oitavo – de versões de poetas de língua francesa por Maria Gabriela Llansol, desta vez Les Chansons de Bilitis, do belga Pierre Loüys, que na edição portuguesa aparece com o título O Sexo de Ler de Bilitis (a opção do título é explicada na introdução por M. G. Llansol). Trata-se da principal obra deste poeta, contemporâneo de Mallarmé (também traduzido por M. G. Llansol, com edição prevista para breve na mesma colecção da Relógio d'Água), um conjunto de poemas em prosa que Loüys apresentou em 1894 como se fossem traduções de uma poetisa grega contemporânea de Safo, mas que a curto prazo foram identificados como seus, e adptados por Claude Debussy como canções para voz e piano.
Pode ler-se em baixo o primeiro poema destas novas versões de Llansol, que , tal como as de Mallarmé, esperavam há muito para ser editadas.

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30.7.10

SEGUNDAS JORNADAS LLANSOLIANAS DE SINTRA

Vêm aí as Segundas Jornadas do Espaço Llansol em Sintra. Damos já a informação disponível, que iremos completrando até à data do evento.
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10.6.10

LLANSOL EM FRANÇA
O tempo dos sentidos

O crítico Richard Blin (que já havia escrito de forma fascinante sobre livros de Llansol nos anos 90) regressa agora, na revista de literatura contemporânea Le Matricule des Anges (nº 114, Junho de 2010) a esta escrita que apelida de única e possível continuadora de Pessoa, com um pequeno mas luminoso texto sobre a mais recente edição de Llansol em França, o livro de artista das Éditions Les Arêtes que reune três textos: O Raio sobre o Lápis, Hölder de Hölderlin e Cantileno. Pode ler o texto clicando na imagem abaixo.



7.6.10

LLANSOL «TRADUTORA»
Conferência em Paris


No dia 10 de Junho, às 14.30 h, a professora da Universidade Aberta, Paula Mendes Coelho, profere na Universidade de Paris 3 (13 rue de Santeuil, salla 414) uma conferência sobre as versões de poetas franceses por Maria Gabriela Llansol, com o título «A nossa necessidade de poesia é impossível de saciar...». A notícia está no sítio Fabula - La recherche en littérature.

28.5.10

LLANSOL NO MARCHÉ DE LA POÉSIE EM PARIS

A última edição de textos de M. G. Llansol em francês, de que démos notícia aqui, vai estar no Marché de la Poésie, que decorre em Paris de 17 a 20 de Junho, apresentada por Guida Marques, tradutora de O Raio sobre o Lápis, Hölder de Hölderlin e Cantileno. É na sexta-feira, 18 de Junho, pelas 18 h., no stand da Editora Les Arêtes (B1).


7.5.10

LLANSOL EM FRANÇA
O CAMINHO CONTINUA...

... na página de poesia Poezibao, que já antes escolhera M. G. Llansol como «poeta» do dia. Voltou agora a fazê-lo, em 6 de Maio, aqui. Desta vez transcrevendo um fragmento de La foudre sur le crayon, o livro de artista saído recentemente, com três textos de Llansol (O Raio sobre o Lápis, Hölder de Hölderlin e Cantileno), em tradução de Guida Marques e com pintura de Luce Guilbaud, nas Éditions Les Arêtes.

E há ainda notícias saídas em dois jornais da Bretanha, que documentam as leituras do último «Chocolate Literário» organizado em Pont-Aven por Cristina Isabel de Melo, das edições Vagamundo, e onde se ouviram, em português e francês, excertos sobre o mar extraídos de Da Sebe ao Ser.

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