e algumas passagens do livro em que esta portentosa árvore – um grande plátano – tem lugar de destaque:

– É doloroso dar vida ao espírito bravio, e não lembrar... – Acho que ter um tronco e equilibrá-lo é preferível a ter memória. – Também é verdade que, com algum treino, o dentro e o fora se tornam reversíveis, quase sem dor. – Nascer e renascer. Dar botões e ramos. Deixar cair as folhas e torná-las matéria nossa... – É a tua travessura de árvore. A tua pujança não recorda. Mas eu não sou árvore. – Por que hei-de fazer como tu? – Haverá uma outra maneira efectiva de procurar? Se viver fosse recordar, uma semente sonhante seria o seu perfeito equivalente. Olha, seríamos cristais... (p. 131) […]
Explicitar medo pode escrever-se dentro, a partir de fora, como faz o realismo. A estaca apoia a árvore. A árvore cresce, a estaca apodrece. É mais prático escrever dentro, de dentro. É o ponto de vista da seiva. Nem sempre é possível, é a arte de jardinar. A mulher ouvia a voz, era a sua estaca. O grão corria pela voz, a seiva. Alguém-infância cantava. No jardim onde está, neste momento, ela ouve um ruah nos ares. (p. 151) […] … Na minha procura de ritmo, cheguei à seguinte conclusão: «a causa que é totalmente diferente de outra causa mas produz um efeito semelhante e muito próximo, deve ter tido, embora muito longe, um encontro fulgurante com essa causa». Não cheguei lá sozinho, fui muito ajudado pelo Grande Maior. O que é o Grande Maior? Um ser que certamente acharias muito estranho. O Alguém-vegetal que, num momento extremo, salvou uma criança humana de perder o seu ruah. Ruah? A parte mais íntima e activa do som. De um som que podes chamar ar ou vento. Somos suas causas longínquas, sem que ela seja, no entanto, nosso efeito… (p. 177)























