
9.8.09
CASAS DE ESCREVER

Mais uma revista – a Foro das Letras, da Associação Portuguesa de Escritores-Juristas (Llansol era formada em Direito) – publica no seu nº 17-18 (Julho de 2009) três fragmentos dos cadernos inéditos, centrados nas «casas de escrever», acompanhados de um comentário de João Barrento, onde se lê:
Nas «casas de escrever», nas várias casas de escrita por onde Llansol passa e em que continuamente vai renascendo – desde a casa paterna na Rua Domingos Sequeira, em Lisboa, à da avó em Alpedrinha, do apartamento urbano de Lovaina ao quarto minúsculo da granja de Herbais, que tantos livros viu nascer e crescer –, as palavras escritas nos Cadernos (quase sempre a esferográfica, de diversas cores) animam-se para dar corpo aos «múltiplos seres em mim». São, desde os primeiros escritos de infância e juventude, agora também descobertos no imenso espólio, casas dentro de casas dentro de casas, como revela o segundo fragmento escolhido, e afinal sempre a mesma casa arquetípica, arcano central desta Obra, que contém a escrita e nela está contida. Casas repletas de objectos, mas em si mesmas vazias, como o «mundo desabitado», «espécie de deserto à minha volta», à espera de serem preenchidas, mobiladas com formas e sentidos vindos – na carroça que atravessa «as ruas do meu interior»! – de outros lugares, cidades interiores «onde a imagem estava plena».
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13:26
5.8.09
LLANSOL «POETA» NO SUL DE FRANÇA
Cristina Isabel de Melo (a tradutora de O Jogo da Liberdade da Alma e O Espaço Edénico para francês) traduziu e leu «poemas» de M. G. Llansol (estâncias de O Começo de um Livro é Precioso) no festival À la rencontre des Suds, em Frontignan. As seis «estâncias» llansolianas foram publicadas no nº 83/84 da série dos Carnets des Lierles (pode ler-se uma dessas estâncias, no original e em francês, clicando na imagem).

Em Frontigan, Cristina viveu um «encontro inesperado do diverso», e afinal do mesmo, com Martine Llansol, professora de francês e membro da linhagem catalã-provençal dos Llansol. Martine Llansol já se correspondera em tempos com Maria Gabriela, e chegou mesmo a enviar-lhe um dia o brasão dos Llansol, antiquíssima família occitânica.
Assim se tecem as coincidências e os laços em torno deste texto sempre surpreendente...

Em Frontigan, Cristina viveu um «encontro inesperado do diverso», e afinal do mesmo, com Martine Llansol, professora de francês e membro da linhagem catalã-provençal dos Llansol. Martine Llansol já se correspondera em tempos com Maria Gabriela, e chegou mesmo a enviar-lhe um dia o brasão dos Llansol, antiquíssima família occitânica.
Assim se tecem as coincidências e os laços em torno deste texto sempre surpreendente...
Publicado às
14:28
2.8.09
A LUZ DE LER # 4: E R O S

Mais um fragmento dos cadernos manuscritos de M. G. Llansol, um feixe de luz breve e fulgurante lançado sobre o erotismo ______ do fazer do pão ao corpo da língua, das «coisas antigas» ao silêncio do pensamento e ao apelo dos livros na hora da sesta...
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01:12
24.7.09
TESE SOBRE LLANSOL E A EUROPA
Raquel Ribeiro defendeu com êxito na Universidade de Liverpool a sua tese de doutoramento intitulada Europe, Edenic Space – A literary cartography in the works of Maria Gabriela Llansol. A dissertação explora o modo particular como a Obra de Llansol assimila e transforma uma grande galeria de figuras europeias para criar o seu próprio universo literário – em particular autores como Hölderlin, Nietzsche, Robert Musil, Franz Kafka, Emily Dickinson or Virginia Woolf, peças de um mosaico a que a própria Llansol chamou «o espaço edénico».
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17:15
13.7.09
A VIAGEM DO TEXTO POR FRANÇA
... nos Encontros Poéticos de Frontignan, no Languedoc-Roussillon, com Cristina Isabel de Melo...
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19:30
21.6.09
LLANSOL E CHOCOLATES
No sábado, 7 de Julho, Llansol volta à cidade dos pintores na Bretanha, pela mão de Cristina de Melo. Apresentação, leitura e conversa com os presentes na Chocolaterie de Pont-Aven:
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21:38
31.5.09
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15:07
29.5.09
LLANSOL E(M) GONÇALO M. TAVARES,
ou
DO MEDO CRIATIVO
DO MEDO CRIATIVO

Acaba de sair, na Relógio d'Água, um novo livro de Gonçalo M. Tavares – Breves Notas sobre as Ligações (Llansol, Molder, Zambrano) – anunciado já há uns meses, e em que se estabelecem ligações entre textos de «três escritoras cuja leitura exige de nós uma resposta, um movimento paralelo, uma deslocação», escreve o Gonçalo na dedicatória. Ele próprio faz esse movimento paralelo e dá essa resposta, nos textos que escreve entre os fragmentos de Llansol, Maria Filomena Molder e Maria Zambrano que servem de catalizador e espelho para o seu próprio pensamento.
O livro alargou-se e mudou em comparação com o original que o autor me enviou há uns anos, e em que, na linha de um outro escrito seu, em que anota pensamentos em «tabelas literárias» a partir de Roland Barthes e Musil (A Perna Esquerda de Paris seguido de Roland Barthes e Robert Musil, Relógio d'Água, 2004), estabelece agora ligações entre estas três escritoras-filósofas - e as prolonga e comenta com o seu próprio texto.
Escolho de entre os fragmentos do livro uma linha, um filão, que parte de uma frase duas vezes citada, de Maria Gabriela Llansol, em que se fala da «arte de fazer perigar os corpos» (p. 38, 40). Porque esta arte do perigo, do medo, do improvável e mesmo do absurdo é um pressuposto essencial da escrita – foi-o para Llansol, continua a sê-lo para Gonçalo M. Tavares. É uma arte funâmbula, de saltimbancos e de alto risco, sempre na corda bamba entre o que a Maria Gabriela chamou um dia «os prazeres do jogo» e «os perigos do poço». Entre o jogo e o perigo, entre o lúdico e o que mete medo, sob o signo da mutação (da percepção da metamorfose, mas com vista a «alcançar a imobilidade» do reino vegetal, p. 49) e do enigma (assustador) da criação – é este o espaço da escrita, da arte que desafia o corpo e parte sempre dele, confrontando-o com «o perigo de ser humano» – o único que vale a pena, escreve Llansol em O Senhor de Herbais. Fora da simetria, contra as convenções da verdade e da própria escrita (que também o Gonçalo vem minando produtivamente em tudo o que escreve), no fio da navalha da in-tranquilidade e da contradição, do combate produtivo. Neste livro lemos a páginas tantas que o grande problema, e o necessário desafio, é «fazer amizade com a sucessão dos sins e nãos». E porquê esta dificuldade? Porque «uma coisa é sempre igual, e varia muito». O mesmo e os seus outros, o uno que não é único.
Podia ser Llansol, ou qualquer das outras autoras-cúmplices deste livro. Trata-se, no fundo, do princípio da existência de tudo em dobra, em mutação e amplificação. E a chegada a essa dobra, ao reverso das coisas, passa pelo medo. A esse lugar que solicita e atrai quem escreve, e é sempre imprevisível, chama Llansol por vezes a metanoite. É o medo (que é desejo) desse lugar que se torna criativo – «o medo de subir ao sempre máximo da parede», diz a mulher no livro Parasceve. Puzzles e ironias. O medo (superável e superado) é o sustentáculo de «uma alma crescendo», de «um corp'a 'screver», de «um ser sendo».
Este novo livro do Gonçalo vem dizer-nos, entre muitas outras coisas, que a escrita é incompatível com o medo – aquele que impede os corpos de atravessar o Vazio, de reconhecer a diversidade dos mundos, de vislumbrar a contradição; mas também que a escrita é impensável sem o medo, sem a tensão nascida do mistério do ser e da vida. O medo gera a interrogação, o medo é o espanto original que abala o corpo (também Maria Filomena Molder e Maria Zambrano parecem ter isto sempre presente), desperta a consciência e permite a criação, filha da inquietude e desse «desconhecido que nos acompanha», o mundo.
É o que me diz, entre outras, também uma página (a 46) d' A Perna Esquerda de Paris..., em que o Gonçalo parece escrever um «poema-sem-eu» llansoliano (coisa rara em Portugal), ou uma reflexão musiliana. Aí se lê: «Precisamos com urgência / de uma ciência obcecada pelo falso, de / uma ciência que se desinterese do verdadeiro / ou pelo menos do explicável...», «Inventa pontos de fúria numa frase, / e ainda pontos tranquilos. / Imita-te, e falha. A criatividade é isto.»
Também o pensamento cruzado e múltiplo presente neste livro de Gonçalo M. Tavares é isso – e muito mais.
O livro alargou-se e mudou em comparação com o original que o autor me enviou há uns anos, e em que, na linha de um outro escrito seu, em que anota pensamentos em «tabelas literárias» a partir de Roland Barthes e Musil (A Perna Esquerda de Paris seguido de Roland Barthes e Robert Musil, Relógio d'Água, 2004), estabelece agora ligações entre estas três escritoras-filósofas - e as prolonga e comenta com o seu próprio texto.
Escolho de entre os fragmentos do livro uma linha, um filão, que parte de uma frase duas vezes citada, de Maria Gabriela Llansol, em que se fala da «arte de fazer perigar os corpos» (p. 38, 40). Porque esta arte do perigo, do medo, do improvável e mesmo do absurdo é um pressuposto essencial da escrita – foi-o para Llansol, continua a sê-lo para Gonçalo M. Tavares. É uma arte funâmbula, de saltimbancos e de alto risco, sempre na corda bamba entre o que a Maria Gabriela chamou um dia «os prazeres do jogo» e «os perigos do poço». Entre o jogo e o perigo, entre o lúdico e o que mete medo, sob o signo da mutação (da percepção da metamorfose, mas com vista a «alcançar a imobilidade» do reino vegetal, p. 49) e do enigma (assustador) da criação – é este o espaço da escrita, da arte que desafia o corpo e parte sempre dele, confrontando-o com «o perigo de ser humano» – o único que vale a pena, escreve Llansol em O Senhor de Herbais. Fora da simetria, contra as convenções da verdade e da própria escrita (que também o Gonçalo vem minando produtivamente em tudo o que escreve), no fio da navalha da in-tranquilidade e da contradição, do combate produtivo. Neste livro lemos a páginas tantas que o grande problema, e o necessário desafio, é «fazer amizade com a sucessão dos sins e nãos». E porquê esta dificuldade? Porque «uma coisa é sempre igual, e varia muito». O mesmo e os seus outros, o uno que não é único.
Podia ser Llansol, ou qualquer das outras autoras-cúmplices deste livro. Trata-se, no fundo, do princípio da existência de tudo em dobra, em mutação e amplificação. E a chegada a essa dobra, ao reverso das coisas, passa pelo medo. A esse lugar que solicita e atrai quem escreve, e é sempre imprevisível, chama Llansol por vezes a metanoite. É o medo (que é desejo) desse lugar que se torna criativo – «o medo de subir ao sempre máximo da parede», diz a mulher no livro Parasceve. Puzzles e ironias. O medo (superável e superado) é o sustentáculo de «uma alma crescendo», de «um corp'a 'screver», de «um ser sendo».
Este novo livro do Gonçalo vem dizer-nos, entre muitas outras coisas, que a escrita é incompatível com o medo – aquele que impede os corpos de atravessar o Vazio, de reconhecer a diversidade dos mundos, de vislumbrar a contradição; mas também que a escrita é impensável sem o medo, sem a tensão nascida do mistério do ser e da vida. O medo gera a interrogação, o medo é o espanto original que abala o corpo (também Maria Filomena Molder e Maria Zambrano parecem ter isto sempre presente), desperta a consciência e permite a criação, filha da inquietude e desse «desconhecido que nos acompanha», o mundo.
É o que me diz, entre outras, também uma página (a 46) d' A Perna Esquerda de Paris..., em que o Gonçalo parece escrever um «poema-sem-eu» llansoliano (coisa rara em Portugal), ou uma reflexão musiliana. Aí se lê: «Precisamos com urgência / de uma ciência obcecada pelo falso, de / uma ciência que se desinterese do verdadeiro / ou pelo menos do explicável...», «Inventa pontos de fúria numa frase, / e ainda pontos tranquilos. / Imita-te, e falha. A criatividade é isto.»
Também o pensamento cruzado e múltiplo presente neste livro de Gonçalo M. Tavares é isso – e muito mais.
João Barrento
Publicado às
23:04
27.5.09
LLANSOL EM FRANÇA: A VIAGEM CONTINUA

Desde há um ano, quando sairam nas revistas Décharge e Poezibao dossiers com textos de Llansol e sobre a sua Obra, e mais recentemente desde a publicação de O Jogo da Liberdade da Alma + O Espaço Edénico em francês, o nome de Maria Gabriela Llansol não pára de ecoar em vários lugares de França, devido ao empenho e à paixão por este texto de uma das suas tradutoras, Cristina Isabel de Melo.
Depois do lançamento de Le Jeu... em Paris, com a presença dos editores da Pagine d'Arte, Carolina Leite e Matteo Bianchi, Llansol vai estar presente, pela mão de Cristina de Melo, nos encontros literários de Frontignan (no sul de França, perto de Montpellier), de novo em Pont-Aven, na Bretanha, e no início de 2010 em Roche-sur-Yvon, na Vendée, com a colaboração de Luce Guilbaud, editora da Décharge. Cristina de Melo prepara também um dossier Llansol para a revista mensal de literatura contemporânea Le Matricule des Anges, com o ensaio de Nilson Oliveira (editor da revista brasileira Polichinello) «Maria Gabriela Llansol: a escrita como vontade», a que nos referimos já aqui.
Entretanto, deverá sair ainda em Junho, na editora de arte Les Arêtes (La Rochelle), mais um volume com textos de Llansol (O Raio sobre o Lápis, Cantileno e Hölder de Hölderlin), em tradução de Guida Marques.
Entretanto, deverá sair ainda em Junho, na editora de arte Les Arêtes (La Rochelle), mais um volume com textos de Llansol (O Raio sobre o Lápis, Cantileno e Hölder de Hölderlin), em tradução de Guida Marques.
Publicado às
11:47
26.5.09
LLANSOL DIALOGA COM BALTHUS E AS ANDORINHAS
Mais alguns excertos dos cadernos inéditos de Maria Gabriela Llansol, desta vez em italiano, na revista Libretto, da editora suíça Pagine d'arte, que editou O Jogo da Liberdade da Alma e O Espaço Edénico em francês (ver notícia aqui) e italiano. Textos que dão conta do seu diálogo com um quadro de Balthus na abertura do Museu de Arte Moderna-Colecção Berardo, em Sintra, e com as andorinhas que voltejam em redor da casa. Estamos em Maio de 1997. Os excertos do Caderno 47 são acompanhados de dois pequenos textos, de João Barrento e Maria Etelvina Santos, que destacam a «ataraxia activa do olhar» de Llansol e a sua atenção sempre renovada às «imagens nuas».
Publicado às
15:25
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