
Llansol não é, nunca foi, marginal. Esteve sempre bem no centro, precisamente por ser luz escondida. Sem mística, nem sacra nem laica – quando é que essa gente perceberá isto? (quando a lerem!). E os «críticos» que teve e tem... «entusiastas»? Só isso? Ou críticos com todas as letras, isso mesmo, críticos críticos, como o não são os amanuenses de picar o ponto em jornais e blogs? Serão críticos «entusiastas» Eduardo Prado Coelho, Manuel Gusmão, António Guerreiro, Silvina Rodrigues Lopes, Pedro Eiras ou Manuel de Freitas? O adjectivo passa a milhas de distância do que têm escrito sobre Llansol...
Llansol, que não é Rimbaud nem Villon nem outro qualquer, porque é ela mesma (coisa que não é difícil de reconhecer para quem a lê), nunca será «intrinsecamente marginal», pela simples razão de que é intrinsecamente central na escrita contemporânea. Naquilo que escreveu – a única coisa que importa e lhe importava – não há lugar para a «anedota biográfica». Toda ela é escrita sem-eu, como a melhor da melhor entre modernos e contemporâneos (escuso-me pelos adjectivos, que não gosto de usar, nem quando eles são justos e se ajustam ao objecto): o osso da palavra e o movimento das coisas na linguagem, mais nada. Nem romance nem novela, nem prosa nem poesia. Simplesmente escrita, texto, como ela sempre dizia e escrevia – sem «Obra». Essa, é para os patos-bravos.








